Secretária da ONU relaciona insatisfação nas ruas com problemas ambientais

Em audiência no Congresso, representante das Nações Unidas destaca que emissão de gases de efeito estufa pelo setor de transportes pode aumentar temperatura do planeta e agravar conflitos sociais

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postado em 20/06/2013 19:47

UNclimatechange/Reprodução

A secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, Christiana Figueres, vê relação entre as manifestações vindas das ruas brasileiras e a agenda do clima. Em audiência pública conjunta da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e da Comissão Mista sobre Mudanças Climáticas, nesta quinta-feira (19/6), a representante da ONU destacou que os protestos em diversas cidades do Brasil evidenciam problemas como a necessidade de melhoria do transporte público.


Christiana Figueres lembrou que o setor de transportes responde por um terço das emissões de gases de efeito estufa no planeta, que, se não controladas, podem aumentar a temperatura da Terra e agravar conflitos sociais e econômicos. “Se não conseguirmos solucionar a mudança climática a tempo, o que ela vai fazer é acelerar e ampliar a insatisfação social, porque vão piorar as condições sociais, estruturais, políticas e econômicas da grande massa da população, principalmente nos países em desenvolvimento e no trópico”, destacou.

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A secretária da convenção sobre mudanças climáticas reconheceu a dificuldade de se chegar a um novo acordo sobre clima a partir de 2015, quando a expectativa é de que todos os países, ricos e pobres, assumam compromissos obrigatórios de redução de emissões, diferentemente do Protocolo de Quioto, em que apenas as nações desenvolvidas tinham metas vinculantes.

Christiana Figueres avaliou, no entanto, que as negociações estão caminhando bem, no sentido de um documento de abrangência universal, mas respeitando as responsabilidades diferenciadas de países desenvolvidos e em desenvolvimento no processo de alteração climática. Ela veio ao Brasil uma semana após o encerramento, em Bonn, na Alemanha, de mais uma etapa de negociações para a Conferência do Clima, marcada para novembro, em Varsóvia, na Polônia.

Grandes emissores
Autor do pedido para a realização da audiência, o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) entende que somente o sistema ONU não será capaz de construir um compromisso com a abrangência necessária. "O problema da ONU é que as decisões são tomadas por consenso e na Conferência do Clima é preciso haver o consenso de 193 países. Esse processo tem que avançar até o ponto em que puder avançar e, daí para frente, precisa ser complementado pela discussão da questão climática num fórum mais restrito de países grandes emissores. Só Estados Unidos e China são responsáveis por 40% das emissões. É importante trazer a agenda climática para o G-20, para o Conselho de Segurança das Nações Unidas, para a Organização Mundial de Comércio", afirmou.

Para o relator da Comissão Mista de Mudanças Climáticas, deputado Sarney Filho (PV-MA), é preciso também ampliar a cobertura da imprensa sobre o tema, de forma a aumentar a consciência social sobre a necessidade de uma mudança no modelo de desenvolvimento atual.
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