Especialistas analisam multinacionais que concentram o mercado de sementes

Sementes geneticamente modificadas ganharam espaço nas lavouras pois são mais produtivas. No entanto, não permitem que os grãos da safra sejam usados como sementes, por serem estéreis ou resultarem em plantas pouco produtivas, obrigando o produtor a comprar novas sementes modificadas todos os anos

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postado em 31/07/2013 13:55

O domínio de grandes grupos multinacionais sobre o mercado de sementes no Brasil será analisado em audiência pública prevista para quinta-feira da próxima semana (8/8) na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA). Autora do requerimento propondo o debate, a senadora Ana Amélia (PP-RS) está preocupada com os impactos da concentração da oferta de sementes sobre a produção de grãos no país.


O tradicional uso de sementes próprias nas lavouras, quando o agricultor utiliza no plantio grãos produzidos por ele em safra anterior, foi perdendo espaço com a disseminação de cultivares geneticamente modificadas. Apesar de mais produtiva, a nova tecnologia não permite que os grãos de uma safra sejam usados como sementes, por serem estéreis ou resultarem em plantas pouco produtivas, obrigando o produtor a comprar novas sementes todos os anos.

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Atuam nesse mercado de sementes modificadas órgãos de pesquisa, como a Embrapa e os institutos estaduais, empresas nacionais e grandes grupos multinacionais. A tendência de crescimento desses últimos no mercado de sementes, inclusive com a aquisição de empresas brasileiras, foi o que motivou a senadora Ana Amélia a propor o debate.

A preocupação é que a falta de concorrência eleve os preços, inviabilizando a continuidade de plantios principalmente de culturas com alto valor agregado, por serem muito utilizadas pela indústria, como é o caso do milho e da soja.

Foram convidados a debater o assunto os presidentes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica de Administração (CADE), Vinícius de Carvalho; da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Lopes; da Monsanto do Brasil, Rodrigo Santos; e o representante da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara, deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS).

Também devem participar da audiência pública os presidentes da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Brasil, Glauber Silveira; da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (PSD-TO); da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Broch; e da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), Narciso Barison Neto.
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