Risco de racionamento de água serve de alerta para fechar as torneiras

Segundo especialista, algumas pessoas esperam a situação crítica chegar para tomar alguma atitude preventiva

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postado em 22/03/2014 10:20 / atualizado em 22/03/2014 14:24

Eduardo Brito/Projeto Água
 

 

Muito provavelmente, você já leu ou escutou em algum lugar que o Brasil é um país privilegiado, pois tem a maior reserva de água doce do mundo — 13,7%. Este território também abriga o maior rio em extensão e volume: o imponente Amazonas. Junte a isso chuvas abundantes em diversas regiões e consideráveis redes fluviais e o brasileiro pode ficar tranquilo quanto aos recursos hídricos, certo? Bom, deveria ser esse o caso, mas uma série de fatores tem comprometido a água nacional e já se sabe que metrópoles como São Paulo correm sérios riscos de racionamento.



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Descaso na produção agrícola, crescimento urbano desordenado e dificuldades para distribuir a água são alguns dos obstáculos que o país terá de superar nos próximos anos. “Grande parte da população brasileira mora nas cidades. Enquanto isso, o nível de tratamento de esgoto nesses lugares ainda é muito baixo. Temos um sistema vulnerável”, alerta Glauco Kimura, coordenador do programa Água para a Vida, do WWF Brasil. O especialista em recursos hídricos lembra também que as mudanças climáticas devem ser levadas em conta: “Períodos de grandes secas colocam vidas em risco. Precisamos urgentemente de planejamento adequado, de políticas preventivas. O problema é que algumas pessoas esperam que a água falte nas torneiras para agir”.

Uma das tentativas do governo federal de minimizar a escassez no Brasil é a transposição do rio São Francisco. Espera-se que o projeto ofereça água para cerca de 12 milhões de habitantes de 390 municípios do agreste e do sertão de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Mas a demora nas obras, que contam com um investimento de R$ 8,2 bilhões, tem provocado incertezas.

 

José Alves, 52 anos, agricultor, mora na cidade cearense de Itapipoca. Para ele, a transposição do Velho Chico sem políticas ambientais adequadas é um equívoco. “Reciclo a água da chuva. Tento me adaptar por meio de práticas sustentáveis. Mas nem todos agem dessa maneira. Antes de pensar grande, acho que deveríamos pensar em pequenas atitudes.” (Leia mais na página 13.)

Perspectivas

Há um consenso de que a água disponível no território brasileiro é suficiente para as demandas do país. Todavia, a complexa logística de distribuição dos recursos hídricos faz com que algumas regiões dependam mais das chuvas para abastecer reservatórios. Proteger nascentes, revitalizar sistemas de abastecimento e combater o desperdício são algumas medidas que ajudariam a diminuir o impacto ambiental em cidades que se mostram vulneráveis. A juventude, pelo menos, parece disposta a contribuir com a causa.


Sediado em Petrópolis, no Rio de Janeiro, o Projeto Água procura conscientizar as pessoas sobre a importância da preservação. Com programas voltados para questões do meio ambiente, a iniciativa tem como um dos objetivos acompanhar o desenvolvimento das crianças. “Levamos os pequenos para a nossa fazenda ecológica, onde tudo é feito de maneira sustentável. Assim, mostramos desde cedo que é possível consumir água sem prejudicar o planeta”, conta Tania Maltez, coordenadora da iniciativa. Na fazenda do projeto, os guris recebem um crachá de identificação. A plaquinha mostra: agente da natureza.


Tania percebe que os jovens se preocupam mais em buscar soluções. “Eles chegam em casa e pedem para os adultos economizarem. Eis as sementes de conscientização que plantamos. Isso me enche de esperança.”

 

WWF-Brasil/Divulgação
 

 

Águas brasileiras

- A Amazônia abriga as mais extensas florestas alagadas do planeta;
- No Brasil, a agricultura consome 70% da água; as indústrias, 20%; e as residências, 10%;
- Em São Paulo, 70% da poluição das águas são de origem doméstica, enquanto 30% têm origem industrial.
Fonte: WWF Brasil

 

Saiba mais

WWF Brasil
www.wwf.org.br
Projeto Água
www.projetoagua.org.br

 

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