O risco da escassez

Segundo Agência Nacional de Águas, mais da metade dos municípios brasileiros podem sofrer escassez em 2015. Para especialista, é preciso investir na distribuição e na preservação

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postado em 22/03/2014 10:20 / atualizado em 22/03/2014 14:24

O Brasil é considerado um país privilegiado por deter a maior reserva hídrica do mundo. Mas não é por isso que está isento de problemas relacionados à escassez. O Atlas Brasil – abastecimento urbano de água, divulgado pela Agência Nacional de Águas (ANA), mapeou as tendências de demanda e oferta nos 5.565 municípios, levando em conta disponibilidade hídrica e infraestrutura, e concluiu que 55% deles poderão ter déficit na distribuição no próximo ano.



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Segundo o diagnóstico, a maior parte dos problemas de abastecimento urbano está relacionada à capacidade dos sistemas de produção, que precisam ser ampliados. Para isso, o documento calcula que um investimento de R$ 22,2 bilhões seja necessário para evitar o desabastecimento. E o que fazer com esse dinheiro?

Para o superintendente de planejamento de rescursos hídricos da ANA, Sérgio Ayrimoraes, são necessários novos mananciais e a expansão dos já existentes. “A prioridade é suprir a segurança hídrica, atendendo regiões mais desfavoráveis”, diz. Além disso, com instrumentos como o Atlas, Sérgio acredita que a população tem um meio crível para exigir direitos. “Como são apresentadas as situações de todos os municípios, os cidadãos podem averiguar se sua cidade está incluída entre os abastecimentos não-satisfatórios e cobrar as autoridades.” As regiões que necessitam de mais investimento são o Nordeste (R$ 9,1 bilhões) e Sudeste (R$ 7,4 bilhões).

 

Má qualidade

Para a especialista em gestão de recursos hídricos Roberta Batista Rodrigues – professora de Engenharia Ambiental e Sanitária da Universidade Anhembi Morumbi – o atlas da ANA é bastante realista, pois leva em conta o crescimento populacional e o consumo de água por habitante. “A distribuição é problemática e ainda faltam recursos para as redes de abastecimento”, opina.


Entretanto, Roberta acredita que o dinheiro não costuma ser colocado onde deveria e é necessário planejar para onde poderiam ir esses R$ 22 bilhões. “Antes de pensar em construir novos reservatórios, devemos cuidar dos sistemas que já temos e, assim, evitar, por exemplo, as perdas de água causadas, em boa parte, pelo uso de tubulações antigas.”


Outra preocupação é com relação à qualidade da água consumida. “O investimento nos próximos anos deve contemplar a preservação das matas ciliares, pois não adianta a água chegar às casas se não for própria para o consumo e puder gerar problemas de saúde pública”, afirma. Para reverter o quadro é preciso, além disso, repensar a educação ambiental e a legislação. “A Política Nacional de Recursos Hídricos existe, mas não é aplicada de forma efetiva e integrada.”

 

Desperdício

Em São Paulo, região atendida pelo Sistema Cantareira, aproximadamente 38,8% da água é perdida entre a saída da estação de tratamento e a entrada nas casas. Em algumas cidades da região norte, a quantidade desperdiçada no trajeto chega a 70%. Os números são do Sistema Nacional de Informação de Saneamento (SNIS).

 

R$ 22,2 bilhões
dinheiro necessário para evitar o desabastecimento no Brasil, segundo a ANA

 

Situação do abastecimento urbano

Até 2015, dos 5.565 munícipios brasileiros

55% poderão ter defícit no fornecimento de água

84% precisam de investimentos para adequar os sistemas produtores

16% necessitam novos mananciais

 

Fonte: Agência Nacional de Aguás

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