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Água da pia, da lavagem de roupas, do banho: são muitos os pontos da casa em que a água poderia ser reutilizada. No fim das contas, essas medidas compensam financeiramente

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postado em 24/03/2014 14:55 / atualizado em 25/03/2014 14:28

Quando Simone dos Santos percebeu que havia um grande desperdício de água em casa, resolveu mudar a situação. A empresária, que mora há cinco anos em uma “casa ecológica” -- ambiente que tenta reduzir ao máximo o impacto sobre o meio-ambiente -- resolveu construir um tanque com capacidade de 2 mil litros que capta a água da chuva. “Ela caía pelo telhado e ia embora, não fazia sentido”, explica. Com um investimento de 5 mil reais, ela estima que tenha reduzido em cerca de 40% o consumo do líquido.

 

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Quem construiu o sistema de captação na casa de Simone foi a bioarquiteta Gabriela Mendes, que trabalha há 12 anos com arquitetura ecológica. Ela explica que a água pode ser utilizada em vasos sanitários, irrigação de jardim, lavagem de roupas e automóveis. “O que a gente não recomenda é para o contato direto com o corpo humano, como banho e escovação de dentes. Principalmente dentro das áreas urbanas, onde pode ser mais poluída”, alerta.

A captação da água costuma ser feita pela cobertura da casa. O líquido passa por um filtro e é bombeada por uma caixa que abastece a rede exclusiva para os fins adequados. Apesar do alto investimento, Gabriela estima que o retorno financeiro aconteça em no máximo 5 anos, em uma casa média, com cerca de quatro pessoas.

Nem só dos céus vem a água que pode ser reaproveitada. A chamada água cinza é a que sobra de atividades domésticas, como do banho e da lavagem de roupas. O tratamento é simples, com filtros caseiros, como o de carvão ou areia e brita. Simone dos Santos prefere utilizá-las com outro fim: a plantação de bananeiras que tem em casa. As árvores têm grande capacidade de absorção de líquidos, e a água cinza, depois de tratada, não prejudica a qualidade do alimento.

A própria Caesb possui uma norma que diz que a água de reuso pode ser utilizada apenas em sistemas de irrigação, paisagísticos, de lavagem de veículos, pisos e calçadas e sistemas de ar condicionado. A companhia estabelece que é necessário um pedido de vistoria nos escritórios da empresa, a fim de conceder permissão para a instalação, e que não se responsabiliza pela implementação ou manutenção dos sistemas privados.

No Rio Grande do Sul, o engenheiro agrônomo João Manuel Feijó criou um sistema de tratamento de esgoto diferente: os resíduos orgânicos são direcionados para um filtro, onde minhocas fazem o tratamento. Elas comem a parte orgânica do esgoto, como restos de comida, papel higiênico e fezes. Pode parecer estranho, mas o processo é totalmente biológico e é utilizado em comunidades tradicionais há séculos. A cobertura dos prédios é forrada por uma área verde que possui cisterna para armazenar a água, o que torna o procedimento ainda mais ecológico. Assim como a das chuvas, a água do esgoto pode ser utilizada em vasos sanitários e irrigação. Segundo Feijó, o sistema representa uma economia de até 70% de água em prédios comerciais, e 40% em residenciais. “Isso faz muito sentido no Brasil porque grande parte do esgoto por aqui não é tratado. Acaba se infiltrando no solo, levando contaminação, ou vai pros arroios nos lagos”, explica o engenheiro. “Cuidar disso em casa é também uma forma de desonerar o poder público”.

Equipamentos para a redução de consumo em banheiros

- Vasos sanitários com duas válvulas de descargas (3 e 6 litros);
- Redutores de vasão para torneiras;
- Temporizadores para torneiras;
- Vasos sanitários acoplados com a pia.

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