Brasil é inerte aos efeitos das mudanças climáticas, diz pesquisadora

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postado em 15/04/2014 17:54

Apesar das crescentes evidências científicas sobre os impactos da mudança climática na Terra, existe pouca ou nenhuma preocupação imediata dos governos municipais no Brasil. A ideia é defendida na tese da cientista social Fabiana Barbi, desenvolvida no programa de doutorado em Ambiente e Sociedade do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Universidade de Campinas (Unicamp).


Para entender como os governos locais têm agido, a pesquisadora analisou as políticas públicas voltadas ao tema formuladas pelos nove municípios que compõem a Região Metropolitana da Baixada Santista. De acordo com Fabiana, a pesquisa trabalhou com o conceito de mudanças climáticas adotado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês), órgão vinculado à ONU. “Nesse caso, consideramos as mudanças climáticas causadas ou não pela ação do homem, visto que em muitos casos é difícil determinar se um evento de chuva extrema, por exemplo, tem algum componente antropogênico”, explica.

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O que foi possível perceber ao longo da investigação, conforme a pesquisadora, é que de maneira geral os municípios conhecem os riscos relacionados às mudanças climáticas, mas não estão se preparando para enfrentá-los de maneira adequada. “Essa situação é preocupante, pois os cenários projetados para a cidade [Santos], mesmo os mais conservadores, apontam para a possibilidade de impactos importantes para o cotidiano da população”, observa. Apesar do cenário que inspira cuidados, Santos não possui programas efetivos voltados à prevenção dos problemas que podem ocorrer devido às mudanças do clima.

Um aspecto que chama a atenção em relação ao governo, segundo Leila da Costa Ferreira, orientadora da tese, é que o Brasil dispõe de mecanismos capazes de aprovar medidas preventivas e de adaptabilidade. “A política climática nacional, aprovada em 2009, é muito boa. Da mesma forma, temos cinco municípios e onze estados que elaboraram legislações igualmente importantes. Ocorre, porém, que as propostas não são implementadas e, consequente, as eventuais metas não são atingidas”, lamenta a professora Leila.

Com relação às experiências internacionais que poderiam servir de exemplo ao Brasil na área de política climática, a autora da tese cita dois exemplos, um vindo de Freiburg, na Alemanha, e outro de Melbourne, na Austrália. “A primeira cidade oferece um valioso exemplo, uma vez que a sua política energética está baseada em fontes renováveis. Na segunda, o destaque fica por conta das iniciativas voltadas à adaptabilidade da cidade às consequências das alterações no clima. Melbourne está investindo muito na coleta de água de chuva, que pode ajudar nos períodos de inundações e também nos momentos de escassez hídrica”.
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