Estudo aponta que mudança climática deve levar ao surgimento de climas inéditos

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postado em 05/05/2014 15:49 / atualizado em 05/05/2014 16:09

Embora o degelo e a redução das calotas polares sejam a face mais conhecida da mudança climática, o aquecimento global terá consequências muito graves também em outras regiões. Um previsão recente mostra que, especialmente nos trópicos, as variações de temperatura e a umidade darão lugar a climas inéditos até agora. Essa é a principal conclusão de um estudo liderado pelo pesquisador do Museu Nacional de Ciências Naturais da Espanha para o Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) e professor de Biogeografia Integrativa do Imperial College de Londres, Miguel Araújo, e que foi publicado no último número da revista "Science". Leia mais notícias do Ser Sustentável O estudo, no qual também colaboraram as universidades de Copenhague, Évora e Helsinque, toma como base 15 modelos climáticos (projeções de como será o clima no futuro) elaborados pelo IPCC, o grupo de analistas criado pela ONU para investigar a mudança climática. Partindo das variáveis desses modelos (temperatura, vento, precipitação média anual, etc), os pesquisadores geraram métricas e medições de mudança climática e as relacionaram com seus impactos na biodiversidade, o que não havia sido feito até agora. "Por exemplo: se o Saara se deslocasse 300 quilômetros para o Norte, a biodiversidade adaptada ao deserto teria que se mover uma distância equivalente; se houvesse um degelo de 50% na calota polar, isso geraria uma redução de 50% do habitat de muitas espécies, etc", explicou Araújo. Em algumas regiões, a mudança climática poderá gerar a aparição de climas diferentes e mais extremos do que os que há agora, ou inclusive poderá fazer com que surjam climas inéditos até agora. "Os trópicos são onde há maior probabilidade de aparecerem climas que atualmente não têm nenhum análogo, o que não significa que não tenham existido em um passado remoto", assegura o investigador. Qualquer uma dessas mudanças gerará uma série de alterações para a biodiversidade que são, atualmente, impossíveis de prever. Por isso, conclui o estudo, embora as medidas globais de combate continuem sendo essenciais, é primordial tentar reduzir os impactos climáticos na biodiversidade de maneira local e "fazer coisas diferentes em cada lugar".
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