A reciclagem do lixo: de resíduo doméstico a cobertura de casa

Galpão em Vicente Pires recicla caixas de leite e as transforma em telhas ecológicas, que esquentam menos e isolam o som. Trata-se do primeiro empreendimento do tipo no DF

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postado em 23/05/2014 13:38

A reciclagem de materiais que antes iam para aterros sanitários e lixões a céu aberto tem sido transformada em lucro e sustentabilidade. Há mais de dois anos, é isso que acontece em um galpão em Vicente Pires. Lá, por mês, pelo menos 2 milhões de embalagens longa vida chegam de São Paulo e rapidamente são transformados em telhas ecológicas. A ideia do empresário Ivanildo Rezende decolou e, hoje, são produzidas 1,2 mil unidades por mês. A cada dia, os seis funcionários da fábrica Eco-Lógica confeccionam cerca de 52 telhas. E o empreendimento, que surgiu em fevereiro de 2012, com investimento de R$ 500 mil, já dá lucro de, pelo menos, R$ 50 mil mensais.



A principal matéria-prima para a produção é o alumínio das caixas de leite. Conhecidas como tetrapak, as embalagens passam pelo processo de triagem para a retirada do papel. No Brasil, são cerca de 35 empresas que confeccionam as telhas sustentáveis. No Distrito Federal, por enquanto, apenas a empresa de Ivanildo o faz. As telhas caíram no gosto de comerciantes, diretores de escolas e, principalmente, de quem precisa de cobertura para casa.

 

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O motivo é a resistência e a qualidade térmica. Se comparadas às telhas de amianto, as confeccionadas pelas embalagens de leite não absorvem calor. Para a fabricação da mercadoria, são utilizados cerca de 25% de alumínio, produto que funciona como um refletor da luz. Por isso, as telhas chegam a esquentar 90% menos o ambiente. E a leveza também acaba sendo um benefício para a clientela. A telha ecológica tem de 13kg a 15kg, metade do peso do material de amianto.

Ivanildo Rezende garante que a mercadoria é, inclusive, mais resistente do que as convencionais. A única desvantagem é o custo, que acaba sendo maior. “O produto de 2,2cm por 90cm sai a R$ 45, já a de amianto custa em torno de R$ 13. Porém, a qualidade das telhas ecológicas contribuem, inclusive, para a segurança de quem faz a manutenção de telhados. Não há registro de acidentes com as telhas de material tetrapak”, garante.

Interesse das escolas

Uma única telha contém o alumínio de cerca de 1,9 mil embalagens longa vida. O material funciona como isolante acústico e, por isso, é grande o interesse das escolas. Segundo Rezende, cinco colégios da rede pública de ensino já procuraram a fábrica. Um deles é o Centro de Ensino Fundamental (CEF) 12 de Taguatinga Norte. “De fato, as telhas ecológicas chamam muito a atenção. Antes de investir, pesquisei sobre o mercado em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e, só depois, montei a fábrica em Brasília”, explica Rezende.

Mais de dois anos depois, a fábrica investiu R$ 50,5 mil na rede elétrica, melhorou a capacitação dos funcionários, ofereceu especialização de mão de obra aos seis empregados que se revezam das 8h às 18h, e adquiriu seis máquinas que auxiliam na triagem e no processo de produção das telhas ecológicas. Para dar conta de toda a demanda, há, inclusive, trabalho aos sábados. E a intenção é estender um período de serviço para o turno da noite, mas a possibilidade ainda está sendo estudada pelo empresário. “Aqui, nada se perde e todos os restos que sobram das telhas são reutilizados para novamente fazerem parte do produto”, afirma Rezende.

O proprietário da fábrica de telhas ecológicas já atuava no ramo de reciclagem. Há 10 anos, Rezende comprava e comercializava restos de material de construção. Era ele que fazia a própria triagem dos produtos e vendia a mercadoria para a clientela. Então, o empresário conheceu a telha ecológica. “Um rapaz me apresentou dois exemplos da telha, até que eu criei coragem e montei a primeira fábrica em Brasília para trabalhar com as telhas Tetrapak. Antes, eu fazia a logística reversa com os desmanches de demolições em geral”, conta.

 

Tina Coelho/Esp. CB/D.A Press

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