Colapso em Três Marias

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postado em 29/05/2014 14:39

O risco de colapso do Sistema Cantareira — conjunto de represas que abastecem parte da Grande São Paulo — , previsto para novembro, poderá ser antecipado em quatro meses na represa de Três Marias (MG), a 469km do Distrito Federal. Hoje, por imposição judicial, a hidrelétrica tem uma vazão de 250m³/s. “Vamos zerar o reservatório em julho”, prevê Silvia Freedmann Ruas Durães, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Entorno da Represa de Três Marias e secretária executiva da Câmara Consultiva Regional do Alto Francisco do Comitê Federal do Rio São Francisco.


A vazão de 250m³/s, determinada pela Justiça Federal de Montes Claros ,no último dia 21, tem prazo de 30 dias e poderá ser prorrogada por igual período. A decisão liminar, pedida pela Prefeitura de Pirapora, evitou a redução para 200m³/s do volume de água liberado pela hidrelétrica, o que comprometeria totalmente o abastecimento de água para o consumo dos quase 54 mil habitantes do município. Com a medida, o Executivo de Pirapora ganhou tempo para executar mais uma obra emergencial de capitação de água.

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“Chuva é a única opção que temos para resolver o problema”, afirma Silvia Durães. Segundo ela, a estiagem não é uma ameaça apenas para abastecimento. Os danos se estendem à maioria dos 240 dos 504 municípios do alto São Francisco. A região é responsável por 72% do volume de água de toda a bacia do Velho Chico. Somente a represa de Três Marias, a primeira reguladora da bacia, tem capacidade de armazenar 21 bilhões de m³ de água — sete vezes mais do que a Baía de Guanabara (RJ).

Mas a escassez de chuva desidratou a economia local, principalmente os segmentos que dependem diretamente da oferta de água. É o caso do Projeto Jaíba, um dos maiores exportadores de fruta do país. “A maioria dos grupos do agronegócio não consegue irrigar as lavouras. Em Pirapora, o projeto irrigado de uva não capta mais água”, diz Silvia Durães. Segundo ela, o impacto negativo é sentido nos municípios de Buritizeiro, Ibiaí, Ponto Chique, São Romão, São Francisco, Januária e outros entre Minas Gerais e Bahia.

Recuperar a capacidade do rio é o principal mote da campanha “Eu viro carranca para defender o velho Chico”, lançada ontem, em Brasília, pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco.
“Pretendemos instituir o 3 de junho como Dia Nacional em Defesa do Velho Chico”, explica o presidente do comitê, Anivaldo Miranda. Para ele, é essencial construir um pacto, que evite futuros conflitos pela água e o uso múltiplo da bacia. “Isso implica uma correção no setor elétrico, que, hoje, faz uso hegemônico do rio.”
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