Especialista explica a atual situação energética brasileira e dá dicas para diminuir os gastos com energia elétrica

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 30/05/2014 16:16

Ontem (29/05) foi comemorado o Dia Mundial da Energia, data criada em 1981 para motivar as pessoas a poupar energia e a usá-la de forma consciente. Atualmente um desafio comum a muitos países é o de diminuir o consumo de combustíveis fósseis e investir nas energias renováveis e, dessa forma, reduzir a emissão de gases poluentes na atmosfera.


No cenário mundial, o Brasil é o nono país que mais consome energia elétrica e, para os próximos anos, a perspectiva é de que este consumo aumente ainda mais. O curioso é que grande parte desta energia, assim como em outros países, é destinada para o uso de ar condicionado.

Segundo pesquisa feita em 2009 pela Eletrobras, o aparelho representava 20% do consumo de energia elétrica no setor residencial e 47% nas áreas comerciais. Para explicar sobre a atual situação energética brasileira e conferir dicas para um consumo consciente de energia, você confere uma entrevista com o porta-voz do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (Cbcs) e engenheiro especialista em eficiência energética, Roberto Lamberts.

Qual a atual situação energética do Brasil? Vivemos um quadro confortável?

A situação não é confortável. Nós temos um risco relativamente alto de viver uma crise energética e eu diria que isso se deve sim a alguns problemas meteorológicos, mas é também um sinal de alerta de que a gente tem que investir mais em geração de energia e de preferência em geração verde. Boas opções sustentáveis são a energia eólica e a foto voltaica. Com relação ao custo do quilowatt/hora na geração de energia a hidrelétrica sai por volta de R$ 0,08, a eólica R$ 0,10 e a fotovoltaica entre R$ 0,50 e R$ 0,60.

O problema é que a energia das hidrelétricas e eólica são geradas em lugares distantes -- em parques que vão ter que transferir a energia para o consumidor --, enquanto a fotovoltaica é gerada direto na casa das pessoas. A nossa matriz elétrica é 80% hidrelétrica, mas neste último ano estamos operando num sistema de crise e todas as termoelétricas estão ligadas -- elas antigamente eram operadas só no momento de ponta -- e agora elas estão 24 horas ligadas para evitar uma situação de caos e, mesmo assim, estamos perto de uma crise.

De que forma o país deve se estruturar para não depender quase que exclusivamente de um sistema de geração de energia?

Nós temos que aumentar a penetração da fotovoltaica porque ela já é uma forma madura de geração de energia e o preço de custo vem caindo no mundo inteiro. Então, eu não vejo o porquê do governo não dar mais apoio para essa geração distribuída, que inclusive alivia as linhas de transmissão. A fotovoltaica não resolve grandes blocos de energia e é por isso que não tenho a menor dúvida que se deve continuar a investir nas hidrelétricas. A questão é que é difícil acreditar que com toda a crise de energia o governo não comentar sobre eficiência energética. A energia mais barata é aquela que a gente não gasta.

Como o brasileiro pode reduzir os gastos com aparelhos que consomem muita energia?

É preciso entender qual é a participação dos diferentes equipamentos no consumo final do local. Um edifício, por exemplo. Num prédio de escritórios, 50% da energia consumida corresponde ao uso do ar-condicionado, e numa residência gira em torno de 25%. É importante lembrar que se esse prédio ou casa for no Nordeste o consumo será maior porque lá faz mais calor. Para evitar ainda mais gastos num prédio comercial é preciso reduzir a carga térmica do edifício, para assim, evitar que o ar condicionado tenha que gastar mais energia para resfriar o ambiente.

O problema do ar condicionado é que a quantidade de energia térmica por ele transformada está ligado ao coeficiente de performance (COP) dele. Hoje, o índice mínimo do COP no Brasil é 2,6, mas na China o mínimo é 3 há muito tempo e em países como os Estados Unidos e o Japão está perto de 4. O coeficiente de performance está diretamente relacionado ao desempenho de aparelhos refrigeradores, porque quanto mais alto for este índice, mais energia elétrica é transformada em térmica e melhor a climatização do ambiente.

Que dicas o senhor pode dar para as pessoas economizarem energia elétrica e praticarem um consumo consciente?

Com relação aos aparelhos elétricos, a primeira coisa é entender bem a etiqueta do Inmetro e escolher os produtos com eficiência A e, se puder, dar preferência para os produtos com o Selo Procel. Mas o principal é saber usar os aparelhos eletrônicos de forma consciente porque não adianta nada ele ser econômico e a pessoa deixá-lo ligado o dia inteiro. Alguns levantamentos dizem que nove entre cada 10 ingleses admitem mentir para parecer mais verdes e eu acho que essa é uma realidade mundial, todo mundo acha que o problema é do outro.
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.