Dever dos produtores é o de praticar a sustentabilidade

Quem fabrica e distribui resíduos, como empresas e supermercados, é parte fundamental para que uma nova era de sustentabilidade surja no país. No entanto, o ritmo das ações ainda é lento

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postado em 04/06/2014 17:27 / atualizado em 05/06/2014 15:48

Tina Coelho/Esp. CB/D.A Press
 

 

Os geradores de resíduos, como empresas e fabricantes, também merecem destaque na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Em consideração ao conceito de responsabilidade compartilhada, eles têm um dever a cumprir: proporcionar o descarte adequado da embalagem, do produto e do material que produzem ou vendem. É a chamada “logística reversa”.



Professor de logística e gestão da cadeia de suprimentos da Universidade Laval, no Canadá, Leandro Coelho explica que a “logística está associada a levar o produto até centros de distribuição e a reversa faz o caminho inverso, coletando produtos dispersos e os devolvendo às origens de tratamento final ou reciclagem”. E esse processo vai além, como a preocupação em controlar os resíduos nas organizações e obter benefícios.

Além disso, a Política Nacional de Resíduos Sólidos destaca a importância de informar o consumidor sobre esse recolhimento. No entanto, o processo ainda é lento e a preocupação aumenta. Nenhuma cidade recicla mais do que 22% dos resíduos, segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). A pesquisa também avaliou os supermercados e o resultado não surpreende. Não há coleta na maioria das redes e, quando ela existe, é restrita a algum produto. Espera-se que a punição para quem descumprir a regra seja definida por meio de acordos setoriais ainda neste ano.

 

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No entanto, há a parte do empresariado que se preocupa com as questões ambientais. Edison Neves, 33 anos, é dono da loja de suplementos naturais Bioon. O estabelecimento está há 12 anos na Asa Norte e há dois cresceu com um ecomercado, onde vende produtos ligados à saúde e ao meio ambiente. Além de ser um comércio voltado para a natureza, o lixo formado internamente é separado com cuidado e entregue às cooperativas de catadores. “Também somos um ponto de coleta, recebemos material reciclável, como metal e vidro”, comenta Edison. “Temos parceria com a ONG Meta Reciclagem, com a coleta de lixo eletrônico”, acrescenta.

O empresário é sócio de dois irmãos, Davi e João Gabriel, e eles tentam ajudar o meio ambiente com sacolas recicladas e biodegradáveis. Para reduzir o uso, cobram R$ 0,06 do cliente que insistir em usar.

Planejamento
O setor empresarial tem uma responsabilidade de destaque, segundo a socióloga Elisabeth Grinberg. A coordenadora executiva do Instituto Pólis, que participou das audiências que resultaram na redação final do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, diz que foi uma luta para conquistar algo que traga avanços. “Vale destacar a necessidade de uma política industrial sustentável, pois é preciso analisar o ciclo de vida do produto no momento de defini-lo”, comenta.

Elisabeth aponta a responsabilidade estendida ao produtor de resíduos com uma das que mais deveriam ser cobradas para mudar o padrão de gestão e destinação do lixo. Ela ressalta que toda a cadeia precisa estar envolvida. “Temos uma caminhada pela frente em direção ao conhecimento”, diz.

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Existe uma resistência por meio das empresas à Política de Resíduos Sólidos?

 

As empresas querem implementar a coleta de resíduos. No entanto, para dar certo, o lixo não pode ter um destino errado. Tão importante quanto a coleta é a destinação. Uma companhia sozinha pode não ter volume de lixo que interesse uma cooperativa a ir buscar e precisa de um sistema de logística e transporte, ou ainda, você separa, mas não há lugar para armazenar. O grande caminho da política é responsabilidade compartilhada. Toda empresa deve ter o plano de destinação de resíduos sólidos.

Como é a expectativa para o futuro após as mudanças?

 

No começo, vai haver resistência, principalmente quando a gente ainda estiver vendo isso como algo trabalhoso. Vamos precisar de multa e fiscalização, além, claro, de educar e conscientizar. É preciso mostrar para as pessoas o ganho dessa mudança, mensurando indicadores, assistindo informações. É preciso motivar as pessoas para uma vida melhor, com higiene, limpeza, o planeta saudável. E, assim, o retorno acontece.

Linha do tempo

2008 – Realizam-se audiências públicas, com contribuição da CNI, da representação de setores interessados e do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis.

2010 – O plenário da Câmara dos Deputados aprova em votação simbólica um substitutivo ao Projeto de Lei nº 203/1991, do Senado, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. O projeto seguiu para o Senado e foi aprovado. O presidente Lula sancionou a lei que cria a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

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