Lucro verde

A sustentabilidade pode gerar ganhos financeiros. Segundo pesquisa, as maiores companhias do mundo dobraram a rentabilidade com ações que valorizam o meio ambiente

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 04/06/2014 17:34 / atualizado em 04/06/2014 18:25

Na teoria, é comum as pessoas defenderem a sustentabilidade. Na prática, ainda são poucos os que realmente se comprometem com a causa e mudam os hábitos. Entre as principais desculpas está o custo financeiro, já que adotar sistemas verdes, como implantar a tecnologia de reaproveitamento de água em casa, pode, inicialmente, pesar no bolso.



A dificuldade para o cidadão se reproduz no mundo dos negócios. Em pesquisa realizada pelo Sebrae, apenas 46% das companhias acreditam que o investimento em sustentabilidade pode gerar ganhos financeiros. Dos 3.912 empresários entrevistados, 70,2% fazem coleta seletiva. Entretanto, mais da metade informou não ter o hábito de usar materiais recicláveis nas produções, 83,4% não reutilizam água e 50,9% não reciclam lixo eletrônico ou pneus.

Tina Coelho/Esp. CB/D.A Press
 

 

A ideia de que ser ecologicamente correto é um desperdício de dinheiro, com baixa rentabilidade e configura um preconceito. Entre 1992 e 2010, a Universidade de Harvard, nos EUA, realizou um levantamento sobre o desempenho das maiores empresas do mundo. O estudo indicou que o comprometimento ambiental assegurou o dobro da rentabilidade líquida e a mínima desvalorização durante a queda das bolsas.

A Ecocleaner, especializada na limpeza de tapetes e carpetes no Brasil desde 2010, decidiu não ser apenas ecologicamente correta, mas ir fundo nesse mercado. “Comercializamos produtos com impacto mínimo à natureza e usamos o método Host, feito 100% a seco, na prestação de serviço aos clientes, que são, em grande parte, hotéis e outras empresas de grande porte”, diz o representante da marca em Brasília, Rodrigo Machado.

 

Leia mais notícias do Ser Sustentável

 

Esses produtos (que combinam detergentes e esponjas) são 99% naturais, biodegradáveis e com pH quase neutro, segundo a empresa. Por não serem considerados nocivos para seres humanos, animais e o meio ambiente, o resíduo gerado na higienização pode ser jogado em aterros sanitários ou — melhor ainda — ser usado como adubo em hortas. “Inicialmente, é um serviço um pouco caro, mas ele se recompensa, pois a limpeza dura mais que a convencional, há um gasto menor de energia no processo, com as máquinas que usamos, e não oferece problemas com relação à produção de lixo.”

Parcerias
Para o professor Nilo Borges, da área de educação ambiental da Universidade Católica de Brasília, a sustentabilidade deixa gradualmente de ser uma opção para se tornar uma tendência necessária. Ainda assim, dá para fazer desse um caminho lucrativo. “Vai depender de cada tipo de negócio encontrar a melhor solução para a empresa.”

O ideal é substituir os negócios antigos por sustentáveis. A companhia petrolífera BP, por exemplo, anunciou que em trinta anos deixará de ser uma produtora de petróleo para se tornar uma produtora de energia, com 50% dela provenientes de fontes renováveis. “Se acontecer, será um grande exemplo de que a mudança é viável para qualquer negócio”, acredita Borges.

Para saber mais

Exemplo estrangeiro
Além das empresas privadas, o governo pode aderir a ações ambientais que economizam dinheiro — que pode ser usado para outras áreas sociais importantes. A Prefeitura de Nova York implantou o programa pioneiro de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que reflete, por exemplo, no abastecimento de água da cidade. A cada US$ 1 pago aos agricultores das Montanhas de Catskill pela manutenção da qualidade ambiental nas áreas de nascentes, foram economizados US$ 7 no custo do tratamento da água.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.