Tamar ultrapassa a marca de dois milhões de filhotes de tartaruga-marinha

Ação do projeto, ao longo de 34 anos, contou também com a participação da população, que hoje ajuda na preservação das espécies

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postado em 16/06/2014 14:40 / atualizado em 16/06/2014 14:50

Em uma longa existência, que pode chegar a 100 anos, a tartaruga marinha só pisa em terra firme para desovar. E o espetáculo, que desperta o interesse de turistas, pesquisadores e ambientalistas, é visto nas épocas mais quentes do ano, nas regiões litorâneas do Brasil. São milhares de filhotes que deixam os ovos, emergem da areia da praia e seguem, em um “balé natural”, rumo ao mar. Seria um final feliz para elas, se as cinco espécies encontradas no Brasil não estivessem ainda sob ameaça de extinção. Além dos predadores naturais, as ações do homem têm feito com que esses animais estejam em constante perigo.

 

Tamar/Divulgação
 

 

No entanto, depois de 34 anos de um trabalho focado na preservação da biodiversidade marinha, o Projeto Tamar começa a ver a história mudar. A instituição, pioneira na luta pela preservação das tartarugas marinhas, comemora o recorde de nascimentos de filhotes em toda a história do projeto. Na última temporada, de setembro de 2013 a maio de 2014, foram registrados cerca de 2,2 milhões de filhotes, 300 mil a mais que na penúltima temporada. O número de ninhos tem aumentado: foram protegidos 25.296 de todas as espécies.

 

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Segundo o fundador e coordenador nacional do projeto, Guy Marcovaldi, muitos espécimes são acompanhados pelo projeto desde o nascimento. “Depois de 34 anos de trabalho, vimos muitas tartarugas crescerem e ficarem adultas. Agora elas estão no melhor período de reprodução”, explicou. Do total de nascimentos, pelo menos 600 mil filhotes nasceram em Sergipe.

A tendência do aumento no número de fêmeas tem sido notada pelo projeto principalmente depois de 2005. Além das ações do Tamar em várias localidades da costa brasileira, Marcovaldi ressalta que a conscientização da população também foi um fator fundamental para a manutenção das espécies. Pescadores que antes caçavam as tartarugas para comer, hoje veem nelas uma fonte de renda: 1.300 pessoas participam diretamente do Tamar. O projeto, que tem o patrocínio da Petrobras, possui 20 bases de pesquisa e 11 centros de visitantes em nove estados brasileiros.

 

Tamar/Divulgação
 

 

Ameaça de extinção

As cinco espécies de tartarugas marinhas encontradas no Brasil continuam ameaçadas de extinção, segundo critérios da lista brasileira e mundial de espécies ameaçadas. Das cinco, quatro desovam no litoral e, por estarem mais expostas, são as mais ameaçadas: cabeçuda; a de pente, que é a mais ameaçada dentre elas; a oliva, que está em melhor recuperação; e a de couro, que é a mais rara delas. De cada mil filhotes que nascem, só um ou dois conseguem atingir a maturidade.

Homenagem

Hoje (16/06) é celebrado o dia internacional da tartaruga marinha. A data é uma homenagem ao nascimento do Dr. Archie Carr, que, na década de 1950, começou a trabalhar na conservação das tartarugas marinhas em Tortuguero, na Costa Rica, e se tornou um dos mais importantes pesquisadores da área. 

 

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