Queimadas do período aumentam número de animais ameaçados na capital

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postado em 18/08/2014 15:09 / atualizado em 18/08/2014 15:22

Moradores da quadra 104 da Asa Sul tiveram uma visita inesperada na última terça-feira. Um lobo-guará foi encontrado por um porteiro no estacionamento do bloco H, assustado e escondido entre os carros. Cansado, com fome e sede, ele possivelmente teria fugido das queimadas do Parque Nacional de Brasília em busca de refúgio, água e alimento. O macho foi resgatado e levado ao centro de triagem do Ibama-DF, para depois ser devolvido ao parque.


Divulgação

Apesar de surpreendente, essa notícia traz uma triste constatação: é cada vez mais comum a presença de espécies silvestres e ameaçadas de extinção no ambiente urbano da capital. Em 2013, por exemplo, o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) realizou 2.059 resgates. Este ano, até a última terça, já foram capturados 796 animais. “A população está aumentando, as cidades estão se expandindo e adentrando os ambientes naturais”, avalia Cristiano D. Rocha, chefe do centro de acolhimento provisório do BPMA.

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O período de queimadas e de estiagem — de junho a outubro — é outro agravante. Segundo o Corpo de Bombeiros, as ocorrências registradas em junho deste ano aumentaram 27,8%, em comparação ao mesmo período de 2013. E em agosto a tendência segue. Até ontem — apenas metade do mês —, 55 focos de incêndio foram registrados pelo satélite do Inpe, enquanto em todo o mês de agosto de 2013 foram 35: aumento de 57%.

Algumas medidas são tomadas todos os anos para evitar mais perdas no período da seca. Com o decreto de estado de emergência no DF, em maio, mais profissionais foram contratados para combater as queimadas em 72 parques e 22 unidades de conservação. Resta também a ajuda da comunidade para denunciar e evitar incêndios criminosos.

Conheça os animais mais resgatados no DF


1º – Saruê
2º – Serpentes
3º – Jabuti
4º – Coruja-buraqueira
Fonte: Batalhão de Polícia Militar Ambiental

Três perguntas para Luiz Eduardo Nunes, superintendente do Ibama-DF


Quais são as principais origens dos animais resgatados em área urbana?

O centro de triagem do Ibama (Cetas) tem recebido 4 mil animais por ano, sendo cerca de 70% aves — de passarinhos a papagaios e tucanos. Eles são oriundos de apreensão do próprio Ibama, de entrega voluntária ou são encontrados em vias públicas. Orientamos que esses animais sejam capturados quando há risco à população, como cobras e répteis; no entanto, há espécies mais urbanas, como o saruê. Nessa época de seca e queimada, durante a fuga, há um aumento significativo em resgates de capivaras, lobos, répteis e pequenos mamíferos.

O que deve fazer a pessoa que encontrar um animal silvestre?
Recomendamos que não tente fazer a captura, que ligue para o Batalhão Ambiental para que o animal seja encaminhado para o Cetas.

O que é feito com os bichos que são resgatados?

Ao chegar ao Ibama, um grupo de veterinários da UnB avalia o animal e escolhe a destinação ideal. Aqueles que têm condição de serem reintroduzidos na natureza são soltos em áreas preservadas após passarem por um período de quarentena; os que não estão preparados, são destinados a criadouros voluntários ou zoológicos. Porém, a prioridade é tentar reintroduzir.
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