Tietê preservado de novo

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postado em 22/08/2014 15:15

Um dos rios mais conhecidos no Brasil é sem dúvida o Tietê. E não é por sua beleza e sim por ser um dos mais poluídos do país. Vislumbrando um futuro saudável para o rio, uma arquiteta da Universidade de São Paulo desenhou um cenário diferente para o Tietê. Em vez de concreto, verde, em vez de enchentes, chuva escoando livremente pelo curso do rio.



Antes uma cidade como outra qualquer, nas últimas décadas São Paulo cresceu de forma desordenada, assim como Pequim, Mumbai e Cidade do México. Nessas e em outras metrópoles de países em desenvolvimento, a urbanização tomou o espaço da paisagem natural e o concretou dominou áreas onde antes só se avistava natureza.

Esse “desenvolvimento” resultou na expansão das áreas construídas à beira do rio e consequentemente o aumento das áreas impermeabilizadas - o que impede o escoamento adequado das águas das chuvas e provoca enchentes, além de aumentar a temperatura desses locais, conhecidos como ilhas de calor.

O projeto da arquiteta Pérola Felipette Brocaneli, doutora em paisagem e ambiente pela USP, tenta reverter esse processo de crescimento desordenado e devolver aos rios as várzeas em suas margens “A ideia do projeto é não só criar áreas de convivência como parques. É também sugerir uma mudança no modelo, na lógica estrutural de São Paulo".

A proposta de Brocaneli é que São Paulo deixe de ser viária e passe a ser uma cidade ecológica. Na prática isso significaria desapropriar edifícios e remover vias pavimentadas que hoje ladeiam o rio Tietê e seus principais afluentes, como os rios Pinheiros e Tamanduateí. No lugar do concreto, árvores povoariam as margens e trariam novos ares para a cidade. “É claro que essas possibilidades incomodam. Mas o que deveria ser mais inquietante são as péssimas condições ambientais e os reflexos disso na qualidade de vida dos moradores da cidade”, diz a arquiteta.

 

 

 

Para alcançar este resultado a arquiteta e outros especialistas calculam que levaria décadas com projetos como a constituição de um parque linear principal, capaz de atuar no amortecimento das chuvas críticas e ser o eixo de um sistema de refrigeração para o município, composto de áreas verdes e úmidas. Esses espaços seriam criados ao longo de rios e córregos que hoje estão inseridos nas cidades. “São áreas residuais, sujeitas a um zoneamento especial, voltadas para a reestruturação territorial de São Paulo”, diz Pérola.

Em vez de direcionar essas áreas de maneira integral para empreendimentos imobiliários, a ideia é destiná-las também à recuperação de antigas zonas úmidas. Uma das propostas é interligar por meio de um corredor ecológico no eixo noroeste-sudeste as serras da Cantareira e do Mar. A umidificação, o controle térmico e a regularização do ciclo hidrológico seriam favorecidos – ou seja, haveria uma regularização do calor e das chuvas acima do normal. Hoje, o vento frio vindo das partes altas não é capaz de refrigerar a cidade porque depara com uma bolha de ar aquecido e seco ao atingir a região metropolitana – resultado do desmatamento e da impermeabilização das várzeas.

Na renascida São Paulo, a demanda pelos carros particulares tenderia a diminuir, já que as opções de serviço e de lazer estariam melhor distribuídas e o transporte público seria mais eficiente. “Além disso, atrações culturais e praças esportivas fariam parte das novas áreas verdes”, completa Pérola. “São Paulo precisa alterar sua noção de privado. Mais do que recuperar o ambiente, trata-se de criar redes de espaço público.”

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