O cerrado em cores vivas

Duas exposições movimentam a galeria de arte da Casa Thomas Jefferson a partir de olhares diferenciados sobre o bioma típico da Região Centro-Oeste. Os trabalhos de Dulce Schunck e Joana Passos estarão expostos ao público a partir de 12 de setembro

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postado em 09/09/2014 15:08

Arquivo pessoal de Dulce Schunck
 

 

A flora do cerrado ganha um novo olhar na galeria de arte da Casa Thomas Jefferson, a partir da próxima semana. As exposições o Jardim de Schunck e Tramas mostrarão o trabalho de duas artistas plásticas sobre o bioma. Dulce Schunck produz as próprias cores com material extraído da região e revela parte do acervo de mais de 100 pinturas feitas nos últimos quatro anos. Joana Passos, especialista em gravuras, mostra o intrincado mundo de galhos e de flores característicos da vegetação.



O produtor sociocultural da Thomas, Luiz Carlos Costa, ressalta que as exposições coincidem com a Semana do Cerrado, que vai de 8 a 13 de setembro. “Será uma exposição dupla e gratuita. Uma é O Jardim de Schunck, que leva o sobrenome da artista. Ela trabalha com pinturas minerais, feitas com pigmentos extraídos do cerrado. A temática é as flores e a fauna do cerrado. Também tem a Tramas, com gravuras em metal da Joana Passos”, detalha. A abertura será em 12 de setembro, às 18h, e segue até 4 de outubro (veja Programe-se).

Aos 57 anos, Dulce é autodidata e levou cerca de 20 anos para desenvolver a técnica de pintura que extrai cores de minerais. Trata-se de um trabalho complexo, o qual ela não revela os segredos. A professora aposentada da Universidade de Brasília (UnB) começou a carreira artística em 1992, embora estudasse e produzisse antes disso. “Foi quando comecei a expor, a ter uma rotina voltada para a pintura, de artista”, afirma. “Eu me encantei pelos minerais do cerrado e comecei a trabalhar com ele. Desenvolvi técnicas e maneiras de pintar e de preparar o material. Comecei com uma pesquisa, por conta própria”, relembra.

A artista plástica aplica o próprio material em imagens geométricas e abstratas. Também em mandalas, antes de dar nova vida e cor às flores e às árvores do Planalto Central. “Descobri nos minerais uma linguagem artística muito rica. Eles trazem possibilidades de pintura que a tinta normal não oferece. No desenvolvimento dessa técnica, eu tracei o meu caminho, que é muito particular. Nunca fui ligada a uma escola. Sempre foi um trajeto pessoal. Estou focada na flora do cerrado desde 2011”, diz.

 

Arquivo pessoal de Dulce Schunck
 

 

Natureza
Sobre a exposição na Casa Thomas Jefferson, a artista afirma que os brasilienses podem esperar uma visão diferente sobre a flora local. Ela costuma exagerar nas cores de determinadas espécies a fim de transformar o olhar sobre a natureza. “As pessoas verão um trabalho diferente, com uma plasticidade rica e muito intervalo de cor. É uma técnica inédita. Se alguém disser que faz igual, é impossível. Eu não uso pincel, espátula nem tinta industrializada. O que será exposto foi totalmente criado, em todos os sentidos, por mim”, garante Dulce. Ela expôs em galerias de Nova York, nos Estados Unidos, e de algumas cidades da Austrália. Agora, a artista se prepara para dar início a uma nova série de trabalhos, nos quais retratará, de diversas formas, o céu de Brasília.

Em Tramas, Joana Passos, 66 anos, mistura natureza e imaginação. Ela estudou no ateliê brasiliense de Lêda Watson e em instituições da França. “Na gravura em metal, a minha inspiração está ligada à natureza, ao cerrado e aos jardins de Brasília. Na Thomas, vou apresentar uma série de 20 gravuras. São emaranhados de traços, que podem ser folhas e galhos, por exemplo”, conta.

 

Arquivo pessoal de Dulce Schunck
 

 

Memória

Espaço cultural completa 40 anos
Histórica em Brasília, a galeria de arte, o anfiteatro e o auditório da Thomas Jefferson sediaram diversas exposições, apresentações teatrais e show de artistas locais, nacionais e estrangeiros. Entre eles, a pianista paulista Clara Sverner e a violinista tcheca Iva Bittová. O espaço cultural funciona desde 1974. Batizado de CTJ Hall, tem tradição de promover, principalmente, o chorinho e o jazz. O local foi reformado em maio. De acordo com o produtor e sócio cultural da Thomas Luiz Carlos Costa, a intervenção serviu, principalmente, para substituir a tecnologia do local, da década de 1970. A visitação é gratuita.

 

Arquivo pessoal de Dulce Schunck
 

 

Programe-se
As exposições O Jardim de Schunkc e Tramas começam na próxima sexta-feira. O CTJ Hall, na Casa Thomas Jefferson (706/906 Sul), estará aberto de segunda a sexta-feira, das 9h às 21h, e aos sábados, das 9h às 12h, até 4 de outubro. Atenção, a Thomas Jefferson não abre aos domingos e feriados. As mostras são gratuitas.

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