Ipês invadem Brasília, contrastam com a seca e dão novo colorido à cidade

O céu azul sem nuvens e o horizonte embaçado compõem uma moldura às árvores que florescem no auge da estiagem. Os moradores desfrutam e fotografam as espécies

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postado em 09/09/2014 15:12

Ed Alves/CB/DA Press
 

 

Eles estão por todos os lados. Nesta época do ano, em meio ao clima seco, a capital federal fica tomada pelos ipês. Os mais comuns são os amarelos. É exatamente no auge da estiagem que a árvore floresce e transborda de beleza, o que ameniza a paisagem castigada pela ausência de chuva.



Os moradores da cidade estão sempre em busca do melhor ipê para fazer o mais belo registro fotográfico. Os brasilienses encontram pelas ruas, árvores carregadas e coloridas que transbordam beleza e amenizam a paisagem castigada pela seca.

De acordo com o chefe do Departamento de Parque e Jardins (DPJ), da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), Rômulo Ervilha, existem aproximadamente 260 mil ipês em todo o Distrito Federal. “Os ipês-roxos florescem entre junho e julho. Os amarelos, entre julho e setembro. Os brancos, entre agosto e outubro e, os ipês-rosas, entre agosto e setembro. A época de floração depende muito dos fatores climáticos, tais como chuva, umidade do ar, temperatura e outros. Neste ano, ocorreram florações simultâneas de duas ou mais cores, do branco, do rosa e do amarelo”, diz.

 

Janine Moraes/CB/DA Press
 

 

Adaptação
Segundo Ervilha, na seca, as árvores perdem as folhas para reduzir a perda de água. “Como plantas adaptadas ao cerrado, quando sentem que a umidade do ar deverá aumentar, elas sinalizam a proximidade das chuvas, emitem as flores, que se transformarão em frutos e sementes que germinarão com o fim da estiagem, gerando novos indivíduos para a perpetuação da espécie”, explica.

O chefe do DPJ conta que existem três espécies de ipês-amarelos plantadas no cerrado. “O Programa de Arborização da Novacap planta cerca de 15 mil exemplares da árvore, todos os anos. Há três anos, introduzimos o ipê-verde na cidade com outras espécies, mas ele ainda não floriu”, revelou Ervilha.

 

Janine Moraes/CB/DA Press
 

 

Ontem, um ipê-amarelo, em especial chamou a atenção dos brasilienses que transitavam pela Rodoviária do Plano Piloto. A estudante catarinense Catiuscia Custódio de Souza, 27 anos, resolveu fazer uma pausa no local, no início da tarde, para observar a árvore. “Passei pela Rodoviária de manhã para resolver um problema e percebi muitas pessoas fotografando. Como eu adoro o amarelo e conheço os ipês, que também são comuns na minha cidade natal, Criciúma (SC), resolvi voltar e fazer o registro. Ele está bem florido e contrasta muito com esse céu azul, limpo e sem nuvens de Brasília.” Catiuscia chegou a Brasília há pouco mais de dois meses e se encantou com a cidade.

Depois de conviver vários anos com essas árvores, a design de moda brasiliense Aline Ferrari, 22 anos, também decidiu fotografar o cenário. “Mesmo com o corre-corre diário, gosto de apreciar bonitas paisagens. Quando desci do ônibus este ipê chamou a minha atenção. Ele está bem florido e grande. Tem uma beleza única que não costumamos ver na época seca. Não resisti, tive que fotografar”, comenta.

 

Janine Moraes/CB/DA Press
 

 

Como de costume, a artesã Rosângela Rolim, 37 anos, estava passando com o filho, Jessê Rolim, 12 anos, pela Rodoviária do Plano Piloto, quando viu o ipê-amarelo. “Este está muito bonito. Cheio e vistoso. Mostrei ao Jessê e disse para ele que há sempre beleza onde existe o caos. Apesar do barulho no Centro da cidade, as pessoas também podem ter intervalos de paz, ao se deparar com lindas imagens. Ele animou-se e decidiu registrar o momento.”

Não só na Rodoviária, é possível encontrar árvores da espécie. No Sudoeste, a babá Sheila Marques de Oliveira, 27 anos, sente-se privilegiada com a vista que tem na quadra em que trabalha. Ela diz que, ao longo do dia, desce com a pequena Lívia Nowaky Vieira, 2 anos, para buscar flores e levar para casa. “A Lili adora brincar com as florzinhas amarelas. Todos os dias, a gente desce para ela buscar flores para levar para a mamãe. Ficamos na praça brincando, a Lili pega as flores e faz a maior festa”, conta. Segundo Sheila,muitas pessoas costumam parar no local para tirar uma foto da bela paisagem.

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