Pequenos e grandes notáveis

Presença dos animais é essencial para a preservação do cerrado. Segundo pesquisa da UnB, 70% das espécies arbóreas do bioma são dispersas pela fauna

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postado em 11/09/2014 17:29

Sinclair Maia/Esp CB/DA Press


Que o ser humano é o maior predador do cerrado — e de qualquer outro ecossistema — , ninguém duvida. Mas nem todo mundo se atenta que, para preservar a mata nativa de uma região, não basta apenas controlar as ações do homem na natureza. Também é necessário cuidar dos animais que ali habitam, pois estes são os grandes responsáveis pela proteção ambiental.



Apenas no cerrado, 70% das espécies arbóreas são dispersas pela fauna.O número foi levantado recentemente pelo pesquisador em botânica da Universidade de Brasília (UnB) Marcelo Kuhlmann. “Analisei a lista de espécies do cerrado e a síndrome de dispersão para chegar a esse resultado”, conta.“Cada animal se atrai por um tipo de planta diferente, dependendo do hábito (noturno ou diurno), da cor (no caso dos que enxergam bem), do formato (que tem relação com a forma do bico, no caso das aves)”.

Propagação da vida

A doutora em biologia vegetal Lucia Helena Soares e Silva explica que há duas formas principais de os animais contribuírem com a expansão do bioma. Uma é a polinização, realizada especialmente por insetos, beija-flores e morcegos. “É o trajeto do pólen, da parte masculina para a feminina das plantas.” A outra é a dispersão. “É o transporte da semente a partir da planta-mãe para colonizar novos locais”, conta.

Aqui, os principais agentes são aves, morcegos, lobos-guará (e outros bichos terrestres similares), alguns primatas (como o bugio e o macaco-prego), roedores, como a cutia, e insetos (formiga e besouro, por exemplo).

Lucia esclarece que a dispersão é importante devido ao fluxo genético, que determina a evolução das plantas. “Não é vantajoso colonizar lugares próximos, pois isso diminui a variabilidade genética e a diversidade, o que torna os vegetais menos resistentes a fungos e vírus. E a perda de animais dispersores influencia diretamente nessa redução.”

A bióloga especialista em cerrado Angélika Bredt preocupa-se, especialmente, com duas situações em que o ser humano influencia diretamente na diminuição dos dispersores do cerrado: o atropelamento nas estradas — que atinge, por exemplo, o lobo-guará — e o uso de agrotóxicos nas plantações (de soja e maracujá, por exemplo), que atrapalha o trabalho das abelhas. “E ainda temos as queimadas, que causam a perda de habitat de muitos bichos. O que eles fazem é um trabalho gratuito que não damos valor”, lamenta.

Entenda
A dispersão não se dá só pelos animais. Também acontece pelo vento, pela água e pelo estouro (caso da mamona).

 

Serviço
Aos interessados em se aprofundar no tema, a dica é o livro Frutos e Sementes do Cerrado: Atrativos para Fauna, do biólogo Marcelo Kuhlmann, lançado em 2012. A obra pode ser encomendada pelo site www.frutosatrativosdocerrado.bio.br ou pelo telefone 3348-0423.

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