Carro ou bike? Ela ganhou o desafio

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postado em 16/09/2014 17:31

Oswaldo Reis/Esp CB/DA Press
 

 

Em um trajeto de 13 quilômetros de tráfego intenso, a bicicleta ganhou do carro por uma diferença de três minutos. Quem fez o mesmo caminho de ônibus chegou ao destino pouco mais de 10 minutos antes do que quem percorreu o trecho a pé, correndo (veja Quadro). Esse é o resultado da sexta edição do Desafio Intermodal, que marca o início da Semana da Mobilidade do Distrito Federal (leia Para saber mais). Um grupo de aproximadamente 20 pessoas deixou a QI 7 do Guará 1 rumo ao Complexo Cultural da República. Cada integrante utilizou um meio de transporte diferente para atingir a meta. A intenção do ato é mostrar à população novas formas de pensar a mobilidade nas grandes cidades. O carro se torna um meio de transporte lento, e a saúde e a sustentabilidade também pesam contra.



Para o presidente da organização não governamental (ONG) Rodas da Paz, Jonas Bertucci, o balanço final do desafio pesa a favor da bike, embora o motociclista tenha sido o primeiro a chegar. Outro ponto que chamou a atenção, segundo ele, foi a demora no trajeto do ônibus, que já tinha se mostrado um meio de transporte mais veloz em outras edições. “A bicicleta chegou depois da moto, mas ela ganha, ainda assim, em termo de sustentabilidade. É econômica e beneficia a saúde individual e coletiva, além de ocupar menos espaço. Quem veio correndo demorou quase o mesmo que quem fez o trajeto de ônibus. Percebemos, aí, uma inversão de valores. É preciso investir no transporte público e nas ciclovias, para solucionar o trânsito”, disse.

Secretária institucional da ONG, Renata Florentino contou que, para o próximo ano, a expectativa é que cadeirantes também participem da experiência. “Esse ano, não conseguimos encontrar pessoas com deficiência que participassem do ato. Para nós, essa já é uma evidência da dificuldade que elas têm de se locomover na cidade”, observou. O estudante de teologia João Benites, 34 anos, estava entre os últimos do Intermodal a chegarem ao destino final. Ele percorreu o trajeto de ônibus, com o tempo de 53 minutos. “Levei quase uma hora para fazer um trajeto de 13km. Estamos falando da capital do país. Isso mostra que o transporte público não é feito pensando no usuário”, criticou.

Interação
O militar Tonny de Farias, 24, estava entre os que fizeram o trajeto a pé. Segundo ele, em vários pontos do caminho, era fácil ultrapassar os carros. “Viemos em um ritmo bom, e percebemos o trânsito parado em diversos locais. Enquanto corríamos, muita gente acenou e interagiu positivamente”, lembrou. A aprovação dos motoristas não foi a mesma com quem foi de bike. Professor de história e morador do Guará, Luciano Lima relatou que, Próximo ao Departamento de Polícia Especializada (DPE) Na Estrada Parque Indústrias Gráficas (EPIG), uma condutora se irritou com a presença dos ciclistas. “Precisamos de mais educação, de democratizar a mobilidade urbana. Uma pessoa gritou que estávamos atrapalhando o trânsito”, contou.

Iniciativa essencial

Quem usou a ciclovia para completar o trajeto também reclamou. O bancário Lucas Linard, 31, apontou a falta de ciclovias entre as cidades como um dos principais problemas. “A vinda (para o Plano Piloto) foi tranquila. Na altura do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, peguei uma calçada muito estragada. A sensação é que eu estava fazendo trilha. Tem uma parada no local. Então, imagina como é para quem percorre o trecho diariamente. A ciclovia do Eixo Monumental, por sua vez, foi projetada para passeios no fim de semana. É claro que ela é um avanço para quem vai de bicicleta para o trabalho, mas ela passa por pontos sinuosos, e é confusa quando chegamos à Rodoviária”, afirmou.

O assessor Mauro Burlamaqui, 48, percorre, diariamente, o trajeto do desafio, para ir para o Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Ele vê a bike como “um meio de transporte eficiente”, e acredita que a Semana da Mobilidade é uma iniciativa essencial para alertar a população sobre as dificuldades da mobilidade urbana. “Com o desafio, a população passa a saber, na prática, o que está acontecendo com a mobilidade e o que é possível fazer. Não sou contra o carro, mas precisamos de espaço para quem se desloca correndo, de skate, de bicicleta ou de patinete”, destacou.

Os grupos saíram da QI 7, no Guará 1, às 7h37. Às 8h, o primeiro integrante do grupo, que percorreu o trajeto de moto, chegou ao Complexo Cultural da República. Confira o tempo médio que cada modalidade levou para completar o desafio:

Tempo Modal

00h23min51s Moto (EPTG)
00h25min33s Bicicleta fixa
00h27min28 Carro (EPTG)
00h28min08s Bicicleta (EPTG)
00h29min51s Táxi
00h36min07s Carro (EPGU)
00h36min29s Metrô e Bicicleta
00h42min43s Bicicleta (ciclovia)
00h45min40s Metrô e andando
00h47min20s Bicicleta (EPGU)
00h50min35s Ônibus e bicicleta dobrável
00h53min01s Ônibus
01h14min57s A pé (corrida)

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