Pedaladas em favor do cerrado na capital

Promovido pelo Correio, o 2º Passeio Ciclístico da Primavera reuniu desde amadores até profissionais, de olho também na preservação do meio ambiente

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postado em 22/09/2014 15:01

Janine Moraes/CB/D.A Press
 

 

Ao som da buzina, foi dada a largada a mais uma iniciativa de conscientização sobre o meio ambiente e o ciclismo urbano. Em meio aos balões verdes e amarelos e muitas rodas, ocorreu, na manhã de ontem, o 2º Passeio Ciclístico da Primavera Tempo de Plantar, no Eixão Sul. Promovido pelo Correio e com o apoio do projeto Ser Sustentável, o evento reuniu cerca de mil pessoas com os mesmos ideais: o respeito ao ciclista e ao cerrado. Gente de todos os tipos e idades transformaram uma das avenidas mais movimentadas da cidade em uma via de paz e alegria.



A concentração começou por volta das 8h30 na altura da Quadra102 Sul, próximo ao Centro Empresarial São Francisco e à estação de metrô. Após o apito da largada e puxados por um trio elétrico, os ciclistas foram até a Quadra 116 Sul e retornaram para o mesmo local da concentração. O domingo de sol forte atraiu muitos brasilienses, e mesmo quem chegou atrasado não ficou de fora. Além disso, devido à grande quantidade de pessoas pedalando juntas, os curiosos não paravam de chegar e se unir ao passeio.

Foi o que aconteceu com o casal Ana Stela Goldbeck, 51 anos, e Claus Reuwsaat, 52 anos. Recém-chegados ao Planalto Central, os gaúchos costumam pedalar todos os domingos. Ontem, foram surpreendidos pela iniciativa e resolveram se juntar ao grupo de ciclistas. “Em Porto Alegre (RS), não há tanto estímulo para o uso da bicicleta e aqui (Brasília) nós encontramos uma situação melhor do que vivíamos lá. É importante conscientizar as pessoas de que motoristas, ciclistas e pedestres devem viver em harmonia”, comentou Ana. Apesar do elogio, a farmacêutica ressaltou que a educação é o caminho para chegar a um consenso sobre os direitos e os deveres de cada um. “Por exemplo, tem gente que não sabe se tem, ou não, que descer da bicicleta para atravessar a faixa de pedestre. Pode parecer besteira, mas é fundamental que as pessoas entendam questões desse tipo”, descreveu.

Outro participante do passeio, o publicitário Clayton Paiva, 33, compartilha da opinião da farmacêutica Ana Stela. Ele mora em Brasília e recentemente começou a usar a bicicleta como meio de transporte para voltar do trabalho. No entanto, queixa-se de um inconveniente. “É preciso que as ciclovias também cheguem às cidades-satélites e não fiquem concentradas somente no Plano Piloto. Tive que aumentar meu trajeto em 6km para não pegar pistas perigosas e lotadas de carro. Isso não deveria acontecer, mas faço para evitar problemas”, contou.

Brasília conta com 433 quilômetros de vias de uso exclusivo dos ciclistas — número relativamente alto se comparado aos 108 construídos em São Paulo. Para circular pelas ciclofaixas, a capital federal conta com cerca de 250 mil usuários da magrela como meio de transporte. Entre eles, Genivaldo Monteiro dos Santos, 37. Há um ano, ele pedala de duas a três vezes por semana. Mas, nos últimos meses, tem optado pelo Eixão ou pelo Parque da Cidade para circular com a bicicleta. “Antes, andava muito pelas ciclovias, mas por segurança acabei mudando. Além disso, falta um certo incentivo do governo para construir vias de ligação entre uma cidade e outra”, disse. Ele contou que já tentou ir e voltar do trabalho com a magrela, mas desistiu quando teve que disputar as faixas com os carros.

Natureza pede passagem


A preocupação com o ciclismo urbano e a discussão sobre as iniciativas para se criar uma cultura da bike em Brasília também abriram espaço para a valorização do cerrado. Para estimular os cuidados com o segundo maior ecossistema do país, a Rede Sementes do Cerrado distribuiu 600 sementes de plantas nativas para quem participou do evento. A instituição faz trabalhos de reflorestamento, catalogação de árvores e de educação ambiental no Distrito Federal e nos estados que têm o bioma como flora típica.

Além de apoiar o uso da magrela como meio de transporte, a farmacêutica gaúcha Ana Stela, apesar de viver há pouco tempo em Brasília, já admira a paisagem seca e retorcida. “Não é porque o cerrado é seco que nós vamos desmatá-lo ou provocar incêndios. Existe vida e muita beleza no meio das árvores tortas”, afirmou. Comparado à cultura do Rio Grande do Sul, ela ressaltou que os gaúchos conservam mais as matas típicas do estado e que existe a consciência coletiva de que, se houver desmatamentos, todos serão prejudicados. “Essas ações conjuntas são muito importantes para conscientizar a população sobre a importância do meio ambiente e de uma vida mais saudável”, elogiou.

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