Centenas de milhares vão às ruas em todo o mundo contra mudanças climáticas

Rio, Londres, Madrid, Paris, Berlim e outras capitais também participam simultaneamente da marcha

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postado em 24/09/2014 18:21

Nova York - Seiscentas mil pessoas se mobilizaram neste domingo em várias cidades do mundo contra as mudanças climáticas, entre elas Nova York, onde uma passeata histórica reuniu 310 mil manifestantes, segundo os organizadores, a dois dias da reunião de cúpula da ONU sobre o tema.



Ao som de bandas e exibindo flores gigantes, astros de Hollywood, políticos, ativistas e estudantes participaram na cidade americana da Marcha do Povo pelo Clima, que se tornou a maior da História, afirmou a organização. "Esta marcha marca uma pauta histórica. Para nós, serve para que os governantes entendam que há um povo afetado, organizado e mobilizado em nível mundial. Eles têm que nos ouvir!", disse à AFP o peruano Juan Pedro Chang, 57.

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Trezentas e dez mil pessoas foram às ruas em Nova York, segundo o site peoplesclimate.org, que concentrou as 1.572 organizações que convocaram a passeata. A polícia não divulgou números.

 

Luke MacGregor/Reuters
 

 

No total, 2.808 eventos aconteceram em 166 países, entre eles mobilizações simultâneas organizadas em Londres, Paris, Berlim, Rio de Janeiro, Istambul e Bogotá, reunindo uma cifra de 580 mil manifestantes, entre eles os de Nova York, segundo os organizadores.

Os protestos aconteceram dois dias antes da reunião de cúpula do clima em Nova York, convocada pelo secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, que terá a participação de mais de 120 chefes de Estado.

Di Caprio, astro em Nova York
Um Leonardo Di Caprio de barba espessa, óculos de sol e boina foi o astro do protesto em Manhattan, do qual também participaram o ex-vice-presidente americano Al Gore, Ban Ki-Moon e o prefeito de Nova York, Bil de Blasio.

Puxada por faixas que diziam "Marcha do Clima do Povo" e "Linha de frente da crise e vanguarda da mudança", a mobilização começou no Central Park e seguiu até os arredores do rio Hudson, no oeste da ilha.

"Participo da marcha porque quero construir um futuro mais belo para a minha família", disse o minerador aposentado Stanley Sturgill, 69, do Kentucky, que sofre com problemas pulmonares depois de ter passado mais de 40 anos trabalhando na exploração de carvão.

Na Times Square, os manifestantes fizeram um minuto de silêncio, com o punho erguido.

"Acabamos com nossa água e nossa saúde, e nossa economia está em declínio. As mudanças climáticas são algo real. Sei que não precisamos destruir nosso planeta, e que podemos mudar as coisas", assinalou Sturgill, um dos oradores, na entrevista coletiva que antecedeu a mobilização.

Para Juan Pedro Chang, de uma delegação de 30 peruanos, as mudanças climáticas "afetam tudo, agricultura, saúde, alimentação e emprego. Por isso, tudo tem que ser mudado."

Da Austrália para França e Brasil

Dezenas de milhares de pessoas marcharam pelas ruas de Londres, entre elas vítimas das inundações na Inglaterra no último inverno, bem como a atriz britânica Emma Thompson, que retornou de uma expedição no Ártico com o Greenpeace para denunciar o derretimento das geleiras.

Em um ambiente familiar, cerca de 5 mil pessoas manifestaram-se em Paris, segundo a polícia. "Antes, podíamos dizer que não sabíamos. Agora, sabemos que as mudanças começaram", disse o enviado especial do presidente francês para a proteção do planeta, Nicolas Hulot.

 

 

 

Em Madri, centenas de manifestantes reuniram-se diante do Ministério do Meio Ambiente exibindo cartazes com as mensagens "Não há planeta B", "Mude a sua vida, não o seu clima" e "Nosso clima é sua decisão".

Em Cairns, Austrália, onde ministros das Finanças do G20 se reuniam, mais de 100 pessoas usaram corações de papel verdes ao redor do pescoço. No Rio de Janeiro e em Bogotá, 5 mil pessoas reuniram-se em cada cidade.

Outras centenas de pessoas se mobilizaram em Sydney e Nova Délhi, onde 300 manifestantes exibiram cartazes com mensagens como "Quero salvar as florestas" e "O carvão mata", enquanto cantavam palavras de ordem e dançavam ao som de tambores.

A ONU quer limitar o aquecimento global a dois graus centígrados em relação à época pré-industrial. Mas cientistas afirmam que, devido aos níveis de emissão de gases do efeito estufa, as temperaturas terão aumentado no fim do século XXI mais de quatro graus em relação àquela época.

A reunião da ONU, que acontecerá na véspera da abertura de sua Assembléia Geral, visa a preparar as negociações do ano que vem em Paris, onde deverá ser fechado um acordo internacional que entre em vigor em 2020.

O presidente americano, Barack Obama, explicará sua política para conter as emissões de gases do efeito estufa, mas importantes países poluentes, como China e Índia, enviarão representantes de nível inferior.

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