Pé no pedal e dinheiro no bolso

Além de saudável, usar a bicicleta como meio de transporte se mostra a alternativa mais econômica para enfrentar o trânsito

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postado em 26/09/2014 16:30

Luis Tajes/CB/D.A Press
 

 

Se os benefícios para a saúde, para o meio ambiente e para a redução do trânsito ainda não lhe convenceram a usar a bicicleta como meio de transporte, talvez os benefícios no bolso consigam fazê-lo mudar de ideia.



Em 2011, o engenheiro Marcelo Daniel Coelho, então estudante de pós-graduação na Universidade Federal do Rio de Janeiro, analisava dados da Agência Nacional de Transportes Públicos (ANTP) e percebeu que o órgão não contabilizava em estudos anuais o custo gasto por quilômetro pelos usuários de bicicletas nas metrópoles brasileiras. Assim, Coelho decidiu realizar um estudo, utilizando métodos semelhantes aos da ANTP para estipular o valor consumido ao andar um quilômetro de bike e comparar com demais veículos. “O estudo demonstrou que o custo por quilometro da bicicleta para seus usuários é aproximadamente um terço mais barato que de um ônibus e cerca de um sexto do custo de transporte por automóvel, em trajetos curtos de até 10 a 15 km de distância”, conta Coelho.

Após a pesquisa, foi constatado pelo pesquisador que o gasto por quilômetro de um ciclista era em torno de R$ 0,121, enquanto usuários de ônibus gastariam em média R$ 0,324 para percorrer a mesma distância e motoristas de carro R$0,723, segundo dados da ANTP. Isso sem contar o valor de aquisição do automóvel.

Para contabilizar os gastos, foram considerados diversos fatores. Entre eles, o preço médio de uma bicicleta de marca conhecida, acessórios como capacete, luvas e espelho retrovisor, a depreciação dos produtos, além dos custos com manutenção básica com o equipamento, como troca de pastilhas de freio e pneus. Outros aspectos normalmente levados em conta em pesquisas de transporte, como combustível e impostos não foram considerados, uma vez que a energia para mover a bike vem apenas do esforço do usuário e não há impostos além dos cobrados na aquisição do equipamento. Assim, levado em consideração esses itens, o custo anual com uma bicicleta gira em torno de R$ 1 mil, valor bastante inferior ao de outros meios de transporte.

Apesar da pesquisa completar três anos, Coelho considera que a diferença de custos entre bicicletas e outros transportes tenha se mantido semelhante e que poderia ser até maior se houvesse mais investimentos. “Se o ciclista encontrasse uma ciclovia ou ciclofaixa em boas condições de segurança e trafegabilidade, os custos de manutenção da bicicleta seriam menores, além da depreciação que também diminuiria”, explica o pesquisador.

Economia real
As conclusões do trabalho de Marcelo Coelho foram sentidas de perto pelo assessor de comunicação Fernando Teixeira. Há cerca de dois anos ele passou a deixar o carro mais na garagem e começou a usar a bicicleta com mais frequência. Atualmente Teixeira utiliza a bike como principal meio de transporte. “Moro na 103 sul e trabalho na zona central do Plano Piloto. Percebi que o tempo que gastava com carro, incluindo estacionar, era muito próximo ao usar bicileta”, conta ele.

Os gastos, segundo o assessor são bastante reduzidos em comparação ao que costuma consumir com o carro. “O custo básico é com manutenção e lavagem, além de uma revisão geral anual, quando gasto por volta de R$200”, explica.

Apesar de ainda possuir um carro para algumas ocasiões, Teixeira acredita que economiza diretamente cerca de R$120 mensais ao usar a bicicleta no dia-a-dia. Mas segundo ele, alguns outros gastos indiretos também são evitados. “Como uso bastante a bicicleta, não preciso mais gastar com academia. Além de ser mais agradável, economizo uns R$200”. Os benefícios são tantos que Teixeira afirma que venderá o carro até o fim do ano, deixando de pagar impostos, manutenção e ainda poderá investir o valor do automóvel em “coisas mais importantes”, como afirma o assessor.

Governos também se beneficiam
O ponto de vista de Fernando Teixeira e Marcelo Coelho é reforçado por outros estudos acadêmicos. Portland, no estado de Oregon, é uma das cidades americanas com o maior crescimento de ciclistas devido a investimentos do governo local desde a década de 90. Os benefícios dessa prática chamou a atenção do pesquisador Thomas Gotschi, do Instituto de Medicina Preventiva e Social da Universidade de Zurique, na Suíça. Ele publicou um artigo mostrando que, se os investimentos voltados para ciclistas na cidade americana seguissem, em 2040 seria possível economizar até US$594 milhões gastos pelo governo local em saúde, além de outros setores produtivos que também seriam beneficiados.

Curiosidades
- O tempo médio gasto com deslocamentos nas 12 maiores cidades do país chega a uma hora e quatro minutos. Usando a bicicleta, esse tempo cai para cerca de 27 minutos.

 

- Substituir o uso do transporte público pela bicicleta pode gerar uma economia de mais de R$ 600 reais, em um período de cinco meses.

- Aliado a uma dieta balanceada, pedalar de 30 a 40 minutos por dia pode queimar em média 400 calorias.

- Devido a melhora na contração cardíaca, o sistema imunológico eleva a produção de glóbulos brancos. Isso acarreta em uma maior resistência às doenças.

- A produtividade no trabalho aumenta, em decorrência do melhor humor e da redução do stress.

- A bicicleta pode ser 30 vezes mais barata de manter do que um carro, segundo comparação feita pelo site Business Insider.

- Em São Paulo, a poluição mata, indiretamente, 20 pessoas por dia. Como 85% da frota da cidade é composta por motos e carros, isto significa que mais de 15 mortes são em decorrência do uso desses transportes.

- R$0,121 é o valor médio gasto por um ciclista para andar um quilômetro na cidade. A quantia é um sexto em comparação ao gasto por um motorista de carro.

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