A arte de fingir

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postado em 26/09/2014 16:49

 

 

A falta de água começa a tomar proporções alarmantes — e não estamos dando, desgraçadamente, a atenção devida ao tema.



Dizem as más línguas — e quando um assunto vira piada é o primeiro sintoma de que vai virar tragédia —, que em alguns bairros chiques de São Paulo, já afetados pelo racionamento, alguns diferenciados estão tomando banho de loja. Bem, a anunciação da desgraça pode ser a notícia de que a principal nascente do Rio São Francisco, localizada em São Roque de Minas (MG), simplesmente secou. É verdade: o fio d’água símbolo da existência do maior rio 100% brasileiro se evaporou. Com extensão de 2,7km, o Velho Chico passeia por 504 municípios da Bahia, de Minas, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Goiás — além do Distrito Federal (veja mais em correiobraziliense.com.br/sersustentavel). Ele é tão generoso, já lembrava o poeta, que tem nome de santo. Hoje, mostra o leito pobre e anêmico; as pedras, desoladas; a vegetação, morta. E ninguém diz nada. Às vezes, finge que faz.

Em Nova York, a Cúpula do Clima reúne na ONU representantes de 125 países. Mas se descobre, na verdade, que esse “engajamento internacional” em prol da redução dos efeitos das Mudanças Climáticas sofre boicote. Sim, é minado por interesses particulares, regionais, ideológicos — ainda há até quem duvide que a natureza está mandando recados. Muitos cientistas alertam: com os níveis de Emissões de gases que provocam o efeito estufa, as temperaturas terão aumentado ao fim do século 21 em mais de quatro graus na comparação com a era pré-industrial. Hoje, os países ricos consomem 84% da energia produzida, mas a conta quase sempre é paga pelos países e povos mais pobres. Vejam esses dados: três nações que mais emitem gases contaminantes só elevam os índices. As Emissões da Índia cresceram 5,1%; as da China, 4,2%; e as dos EUA, 2,9%. Como disse Leonardo Di Caprio, líder das manifestações em NY, a humanidade tem olhado para a mudança do Clima como um ator, fingindo. Até quando?

P.S.: Os brasileiros que já torraram US$ 17,2 bilhões no exterior estão revoltados com a decisão da Receita de intensificar a fiscalização sobre os gastos lá fora. E vão fazer um protesto em Miami: “Não é pelos US$ 500”, dirão. Bem, se fosse em Paris, e com financiamento do BNDES, eu também iria...

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