Jornal Correio Braziliense

Ser Sustentável

A arte de fingir

A falta de água começa a tomar proporções alarmantes ; e não estamos dando, desgraçadamente, a atenção devida ao tema.

Dizem as más línguas ; e quando um assunto vira piada é o primeiro sintoma de que vai virar tragédia ;, que em alguns bairros chiques de São Paulo, já afetados pelo racionamento, alguns diferenciados estão tomando banho de loja. Bem, a anunciação da desgraça pode ser a notícia de que a principal nascente do Rio São Francisco, localizada em São Roque de Minas (MG), simplesmente secou. É verdade: o fio d;água símbolo da existência do maior rio 100% brasileiro se evaporou. Com extensão de 2,7km, o Velho Chico passeia por 504 municípios da Bahia, de Minas, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Goiás ; além do Distrito Federal (veja mais em correiobraziliense.com.br/sersustentavel). Ele é tão generoso, já lembrava o poeta, que tem nome de santo. Hoje, mostra o leito pobre e anêmico; as pedras, desoladas; a vegetação, morta. E ninguém diz nada. Às vezes, finge que faz.

Em Nova York, a Cúpula do Clima reúne na ONU representantes de 125 países. Mas se descobre, na verdade, que esse ;engajamento internacional; em prol da redução dos efeitos das Mudanças Climáticas sofre boicote. Sim, é minado por interesses particulares, regionais, ideológicos ; ainda há até quem duvide que a natureza está mandando recados. Muitos cientistas alertam: com os níveis de Emissões de gases que provocam o efeito estufa, as temperaturas terão aumentado ao fim do século 21 em mais de quatro graus na comparação com a era pré-industrial. Hoje, os países ricos consomem 84% da energia produzida, mas a conta quase sempre é paga pelos países e povos mais pobres. Vejam esses dados: três nações que mais emitem gases contaminantes só elevam os índices. As Emissões da Índia cresceram 5,1%; as da China, 4,2%; e as dos EUA, 2,9%. Como disse Leonardo Di Caprio, líder das manifestações em NY, a humanidade tem olhado para a mudança do Clima como um ator, fingindo. Até quando?

P.S.: Os brasileiros que já torraram US$ 17,2 bilhões no exterior estão revoltados com a decisão da Receita de intensificar a fiscalização sobre os gastos lá fora. E vão fazer um protesto em Miami: ;Não é pelos US$ 500;, dirão. Bem, se fosse em Paris, e com financiamento do BNDES, eu também iria...