Maior porto de carvão do mundo é bloqueado por ambientalistas

Protesto contra combustíveis fósseis e mudanças climáticas foi organizado por comunidades do Pacífico afetadas pelo aumento do nível do mar. Por algumas horas nenhum navio cargueiro pôde entrar ou sair do local

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postado em 22/10/2014 16:01 / atualizado em 03/11/2014 17:22

Mike Bowers/Guardian
Representantes de 12 países a região do Pacífico diretamente afetadas pelas mudanças climáticas e aumento do nível do mar protestaram esta semana contra a exploração e exportação de carvão na Austrália. Ao lado de ONGs ambientalistas, os manifestantes usaram canoas e caiaques - meios de transporte típicos da região - e outros tipos de embarcação para bloquear o Porto de Newcastle, maior terminal de exportação de carvão do mundo. A ação interrompeu por algumas horas a entrada e saída de navios cargueiros do porto. Ninguém foi preso. De acordo com organizadores do protesto, a ação foi uma forma de pedir que a Austrália pare de explorar combustíveis fósseis como carvão, uma das principais commodities do país e responsável por boa parte das emissões de gases de efeito estufa no mundo. A Austrália, que depende de usinas termelétricas de carvão para ter eletricidade, possui o maior índice de emissão de gases de efeito estufa por habitante no mundo. Mais da metade da exploração de carvão do mundo vem da Austrália, um negócio que movimenta US$ 40 bilhões no ano. E o Porto de Newcastle tem uma participação importante neste cenário: mais de quatro mil navios cargueiros frequentam o porto anualmente e movimenta de acordo com dados do governo 90% da extração de minas de grandes conglomerados como BHP Billiton, Rio Tinto e Glencore. A ação foi apoiada pela Aliança pela Floresta de Leard, pela ONG 350.org e pela Ação de Linha de Frente sobre o Carvão, que têm feito campanhas contra a exploração destas minas desde 2012. De acordo com os organizadores, representantes das organizações viajaram à Austrália para fazer frente à indústria dos combustíveis fósseis, lutando pela proteção das suas terras, culturas e lares. "Nós temos que encontrar modos para fazer com que o carvão e o gás continuem no subsolo. Pessoas em todo o mundo estão reconhecendo isso e tomando atitudes para desafiar o poder da indústria dos combustíveis fósseis. Para nós, habitantes das ilhas do Pacífico, não há nada mais urgente e necessário", afirma Mikaele Maiava, representante da ilha de Tokelau, uma das principais afetadas pelo aumento do nível do mar na região. Milan Loeak, moradora das ilhas Marchall disse que seu país já sente os impactos das emissões de gases de efeito estufa. "Diariamente vejo pessoas próximas perdendo seus lares por causa da água do mar invadindo suas casas. Essa realidade tem que mudar", disse Loeak. "Hoje é um dia importante. Nós estamos aqui para expor os efeitos das mudanças climáticas em nossas ilhas, disse George Nacewa, ativista das ilhas Fiji, país que anunciou recentemente a compra de terras de um país próximo para remanejar habitantes que haviam perdido suas terras por causa do aumento do nível do mar, consequência direta das mudanças climáticas. "Nós não queremos afogar nossas terras e lares por causa disso. Estamos tentando mudar o discurso de estamos afundando para nós estamos lutando para não afundar".
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