UE promete reduzir as emissões em 40%

Pacto histórico firmado por 28 líderes, reunidos em Bruxelas, estabelece metas ambiciosas para diminuir gases do efeito estufa até 2030.

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 24/10/2014 14:32



A União Europeia (UE) anunciou, no início da madrugada de hoje, em Bruxelas, um acordo histórico para diminuir em 40% as emissões dos gases de efeito estufa até 2030. Os 28 chefes de Estado e de governo venceram divergências e também alcançaram um consenso sobre duas outras metas: estabelecer a cota de energias renováveis em 27% do consumo e em 27% de economia de energia — este último objetivo não será obrigatório. O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, confirmou o avanço em sua conta no Twitter. “Acordo! Pelo menos 40% das emissões cortadas até 2030. Acordo do Conselho Europeu para a política energética e climática mais ambiciosa do mundo!”, escreveu. “É uma boa notícia para o clima, para a saúde dos cidadãos, para as negociações internacionais sobre o clima em Paris, em 2015, para os empregos sustentáveis e para a segurança energética”, acrescentou. Em dezembro, a capital francesa vai sediar uma conferência das Nações Unidas, na qual se espera que uma nova ordem da política climática mundial pós-2020 seja traçada.


Poucos minutos depois, Van Rompuy divulgou um comunicado oficial no qual afirmou que a decisão de hoje vai permitir à UE enviar uma mensagem de compromisso às negociações internacionais sobre o clima. “Isso (o acordo) vai ajudar a proteger a competitividade de nossas indústrias, a proteger os empregos europeus. A redução das emissões pode ser menos onerosa em alguns lugares do que em outros”, admitiu, ao lembrar que a crise na Ucrânia e a instabilidade no Oriente Médio tornam vital a redução da dependência energética da Europa.

Van Rompuy explicou que, além do compromisso com a diminuição em 40% das emissões até 2030, o pacto estabelece mais duas metas: a transformação de 27% da energia total consumida no bloco em matriz limpa; e a ampliação no mesmo percentual da eficiência energética, o que deve refletir na eliminação de gastos e na economia. O reforço das “interconexões” elétricas também foi motivo de concordância, após um lobby de Espanha e de Portugal. O acordo causou surpresa depois que a chanceler alemã, Angela Merkel, tinha demonstrado ceticismo com um resultado positivo. “As negociações não serão fáceis e não posso dizer se teremos um resultado”, declarou. Por sua vez, o primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, chegou a dizer que as posições estavam “muito distanciadas”.

“Apesar de muito importante, infelizmente o acordo não é bom o suficiente”, afirmou ao Correio, por telefone, Tara Connolly, conselheira política para a área de energia da organização não-governamental Greenpeace na Europa. Segundo ela, os ambientalistas esperavam resoluções bem melhores. “Nós esperávamos que a meta de redução de emissões chegasse a 50%. Os 40% não são suficientes. Além disso, 80% das emissões de gás carbônico vêm dos fatores de gerenciamento de carbono. Seriam necessárias políticas energéticas bastante contundentes”, explicou.

As bases do pacto

Saiba o que os líderes da União Europeia decidiram
durante o encontro em Bruxelas:


» Os líderes concordaram com três metas climáticas e energéticas para 2020: uma redução de “pelo menos” 40% na redução das emissões de gases do efeito estufa dentro da União Europeia (UE), em comparação aos níveis de 1990; uma cota obrigatória de pelo menos 27% de energia renovável no mix energético da UE; e uma meta indicativa de ao menos 27% de economia de energia, que poderia ser aumentada para 30% após uma revisão em 2020.

» Para os países de baixa renda, como a Polônia, o acordo inclui mecanismos
para apoiar investimentos na “modernização da energia e na eficiência energética”. Sob as políticas atuais, esses fundos têm sido mal utilizados para apoiar fábricas de carvão.

» Várias indústrias vão continuar a receber licenças gratuitas de emissão de carbono, mas os detalhes sobre o funcionamento do mercado de carbono não serão divulgados até que a legislação esteja pronta, em 2015.

» Os líderes também adotaram uma meta para ampliar as interligações entre os mercados de energia da Europa em 15% até 2030.

Tuitada

“Acordo! Pelo menos 40% das emissões cortadas até 2030. Acordo do Conselho Europeu para a política energética e climática mais ambiciosa do mundo!”

Herman Van Rompuy,
presidente do Conselho Europeu
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.