Temas ambientais fora dos debates

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postado em 28/10/2014 16:38 / atualizado em 28/10/2014 16:49

Para quem considera o tema meio ambiente distante da realidade do dia a dia, proponho uma reflexão: faça um apanhado dos últimos acontecimentos do país e perceba o cenário alarmante que está se formando. O desmatamento na Amazônia aumentou 191% em um ano — de agosto a setembro de 2013 para o mesmo período deste ano —, segundo a ONG Imazon. As queimadas no Brasil também foram recorde em 2014, com 70% mais incêndios em relação a 2013, de acordo com o Inpe.



Por outro lado, a situação está crítica no Sudeste. A seca chegou com toda força. Em São Paulo, a falta de água é uma realidade e o Sistema Cantareira vive uma crise hídrica e ainda pode ser pressionado a atender no limite; no Rio, o temor de estresse no Rio Paraíba do Sul começa a surgir ao mesmo tempo em que, na região serrana, um incêndio dura duas semanas.

Mesmo com tantos problemas atingindo a vida de milhões de brasileiros, temas críticos como os conflitos pela água ficaram totalmente de fora das discussões eleitorais. É lamentável observar o descaso com os recursos naturais, refletido na falta de políticas públicas, planejamento, gestão e fiscalização. Enquanto não se pensa no futuro, a natureza dá os primeiros alertas.

Três perguntas para Sérgio Koike
Especialista em recursos hídricos e política ambiental
e professor da Universidade de Brasília


Por que a crise hídrica em São Paulo ficou de fora dos debates eleitorais?

Acho que isso não é muito interessante porque os dois lados (Dilma e Aécio) têm fraquezas. Se, por um lado, o pessoal do PSDB tem esse problema com falta d’água em São Paulo, o governo federal teve problemas com fornecimento de energia elétrica, já que a origem é a mesma. E outra coisa: o eleitor está muito mais preocupado com saúde, educação, transporte...

Por que é tão difícil incluir temas ambientais na agenda?

Todo governante tem problema na área ambiental porque os projetos têm de ser tocados dentro de quatro anos e a questão ambiental precisa de planejamento de muito tempo. Por ser uma questão de longo prazo, elas comprometem algumas metas de governo. Mas acredito que esse panorama está mudando em função da educação das crianças.

Comparando com São Paulo, como está a situação hídrica do DF?

São Paulo deveria ter aprendido melhor em 2002, com o racionamento de água devido ao apagão. Naquela ocasião, o estado deveria ter planejado melhor formas alternativas de abastecimento. A situação em São Paulo é bem diferente do que está acontecendo em Brasília. Aqui, o racionamento de água em algumas regiões é pelo excesso de demanda. Daqui a dois ou três anos, entram dois grandes sistemas — Corumbá IV e Paranoá — para colocar o horizonte de falta de água muito para a frente. Aqui está havendo planejamento.

 

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