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Alunos de escolas particulares e públicas da cidade vão além das disciplinas comuns

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postado em 03/11/2014 18:46 / atualizado em 03/11/2014 17:52

Antonio Cunha/CB/D.A Press
 

 

A sutileza no olhar e o toque sensível das mãos contrastam com a correria quando a aula de meio ambiente começa. Seja na rede privada ou na pública, cada uma com suas propostas e limitações, a atividade é sinônimo de sucesso. Em meio a hortaliças, materiais recicláveis, minhocários e tinta, independente da idade, todos aprendem e se divertem ao mesmo tempo.



“Essa é a minha aula preferida”, comenta Alice da Silva, junto aos coleguinhas Ana Júlia Barroso e João Vittor Gonçalves, os três com 7 anos. Para orgulho da professora Emily Souza, os encontros sobre meio ambiente despertam um turbilhão de sentimentos nos alunos, dentre eles o de euforia. Num tradicional colégio religioso, em Taguatinga, a proposta pedagógica de educação ambiental existe há 3 anos e trabalha com alunos do maternal ao quinto ano do ensino fundamental e do segundo ano do ensino médio.

De acordo com a coordenadora do ensino médio, Ângela de Abreu, o componente curricular sustentabilidade surgiu em virtude do Enem e do propósito da escola de trabalhar ética e cidadania. Os estudantes fazem um levantamento de caso no primeiro ano do ensino médio e, no ano seguinte, colocam em prática as teorias aprendidas em sala de aula na Mostra de Iniciação Científica do colégio. “Em 2012 um grupo teve a ideia de fazer uma academia sustentável onde todos os aparelhos geravam energia e, automaticamente, alimentavam energeticamente o espaço”, explica Ângela.

Mas nem só nas oficinas e feiras de ciência os estudantes entram em contato com o meio ambiente. Para a festa da família, que é realizada uma vez por ano, os alunos do ensino fundamental preparam hortas alternativas – cultivadas em garrafas PET – e entregam para os pais como uma forma de incentivo às práticas ecológicas dentro de casa. E em se tratando de cuidados caseiros, João Vittor é taxativo: “agora tem um caminhão que passa e separa o lixo. Lá em casa eu já estou separando o orgânico do reciclável e meus pais me ajudam também”.

Escolas públicas
Apesar da infraestrutura ser menor, um colégio em Santa Maria iniciou, sete anos atrás, um programa que leva o aprendizado para fora das salas de aula. O Centro de Ensino Especial (CEE) 01 atende alunos com autismo, deficiência mental e síndrome de Down com até 38 anos. O projeto, incentivado pela professora Márcia Ehms, trabalha a questão motora e o reconhecimento de cores, sabores e texturas de hortaliças e frutos.

Professora do ensino especial há 14 anos e formada em educação física, Márcia diz ter se cansado de ficar entre quatro paredes e não ver resultados eficazes para seus alunos. A sensação angustiante de ver os colegas de profissão insistirem em mecanismos tradicionais de educação para crianças especiais levou a professora a procurar novas opções de ensino que fizessem sentido para a realidade da escola.

"Quando eu comecei a perceber que o mundo inteiro estava falando em ecologia, em meio ambiente, me deu a ânsia de trazer meu aluno para a natureza. Eu sabia que no meio ambiente ele ia se exercitar também, ia enxergar e respirar melhor. Eu precisava encontrar um novo vínculo deles com a educação".

 

Antonio Cunha/CB/D.A Press
 

 

De acordo com Márcia, a diversidade de situações que os alunos podem vivenciar numa horta melhora o desenvolvimento psicomotor de cada um deles. “Nós acreditamos que isso vai auxiliar mais tarde na relação deles com o socioambiental. Essa interação próxima à natureza vai trazer vínculos permanentes à vida”. E a melhora pode ser notada facilmente na expressão dos jovens atendidos pela iniciativa. O sorriso de uma ponta a outra da boca e o cuidado ao pisar na terra são a maior prova de que a integração homem-natureza faz bem para a turma.

Ainda vencendo a timidez com a equipe de reportagem do Correio, os alunos chegaram aos poucos para conversar. Quando perguntado pela idade, Daniel Miros responde "6 anos" e logo é corrigido pela professora, "26 anos, Daniel". "Eu gosto de fazer algumas coisas aqui. Olhar as plantas, regar e vir com a turma".
Já Bruno Alencar, aluno vindo de transferência do CEE do Gama, comenta que também lidava com hortaliças na escola antiga. "A gente dá os restos de comida para as minhocas fazerem adubo. É bom molhar a horta e ver crescer porque a tia Márcia ajuda muito. Ela é uma pessoa boa."

Para Márcia, o investimento de professores em uma educação mais participativa e que envolva a escola e a família dos alunos promove grandes mudanças positivas. "Acredito que o que a gente faz aqui no ensino especial possa ser feito também no ensino regular. É só dizer eu quero fazer, eu quero melhorar a educação. Porque o professor que quer melhorar faz até mais do que a gente faz aqui", completa.

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