Menos lixo, mais emprego

Cooperativa de reciclagem formada na Cidade Ocidental gera emprego e renda a ex-catadores de resíduos

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postado em 07/11/2014 14:33

Sinclair Maia/Esp. CB/D.A Press
 

 

Ajudar o meio ambiente e gerar emprego e renda para famílias carentes com a reciclagem. Com esse conceito no papel, a Fundação Alphaville, que cuida da responsabilidade social e ambiental da empresa de urbanismo Alphaville, iniciou em 2008 projeto de criação da Coesperança, cooperativa de reciclagem localizada na Cidade Ocidental (GO).



Uma das responsáveis pelo projeto, a gerente de sustentabilidade da fundação, Evelyn Gomes, explica que a decisão foi tomada quando a equipe envolvida soube de um lixão a céu aberto. Lá 52 catadores trabalhavam sem condições adequadas de higiene ou segurança. “Quando vimos a situação em que aquelas pessoas viviam ficamos comovidos e decidimos criar a cooperativa para tentar absorver esses catadores”, explica Evelyn.

Com o apoio da prefeitura, que cedeu um terreno para a construção da cooperativa, em 2010, a Coesperança foi inaugurada e reciclava cerca de 5 mil toneladas de lixo seco por mês. Hoje, quatro anos depois, os cooperados reciclam em média 30 mil toneladas de resíduos sólidos ao mês. “Foi uma evolução grande, mas queremos evoluir ainda mais”, explica Elza Ferreira, 33 anos, presidente da cooperativa desde janeiro. “No início do ano atendíamos apenas alguns bairros da Cidade Ocidental. Hoje, recolhemos de todos os bairros da cidade e ainda firmamos parcerias com outras regiões do DF e de Goiás”, conta Elza, que tem planos de, até o fim do ano, alcançar a meta de 100 mil toneladas de material reciclado mensalmente.

Para alcançar essa meta, ela conta que pretende contratar mais cooperados para se unirem aos 17 que trabalham hoje na cooperativa. Uma das novas parceiras é Maria de Fátima Pereira, 46 anos. Moradora de Formosa até o mês passado, Maria de Fátima decidiu se mudar para Luziânia no início de outubro, após o filho João Pereira ser assassinado no lixão onde toda a família trabalhava. “Começaram a nos ameaçar, por isso decidimos nos mudar”, conta. “Aqui eu me encontrei. Minha vida estava muito sofrida, não é fácil perder um filho assim. Eu e meu marido conseguimos trabalhar com sossego e sustentar nossos netos com dignidade.”

Apoio da comunidade
O sucesso da Coesperança nos últimos meses não aconteceu por acaso. De acordo com Elza, a quantidade de material para reciclagem só aumentou depois que a prefeitura da Cidade Ocidental implementou a coleta seletiva na região. Paralelamente à coleta, promoveu a educação ambiental entre os moradores, que contribuem em peso na separação do lixo. Basta passar o caminhão da coleta na rua que os moradores saem das casas para entregar a sacola de resíduo seco.

Sinclair Maia/Esp. CB/D.A Press
 

 

Socorro Leitão Chaves, 65 anos, é uma das moradoras que colaboram com a coleta seletiva. Costureira há 48 anos, ela afirma reaproveitar e juntar tudo que pode ser reciclado. “Do papel eu faço molde para costura; o que sobra, coloco no saco da reciclagem. Se compro carne, lavo o saco, deixo secar e boto para a reciclagem. Tudo aqui em casa é separado”, diz Socorro, que faz questão de cobrar dos familiares que façam o mesmo. “Nosso esforço faz diferença. Antes, quando começava a chover, inundava tudo. Agora, está melhor. A coleta está fazendo diferença para a cidade”.

 

Evolução
- 5 mil toneladas era a quantidade de material reciclado por mês em 2010
- 30 mil toneladas é a quantidade de material reciclado em setembro
- 100 mil toneladas é a expectativa de reciclagem para dezembro
- 17 cooperados trabalham atualmente na Coesperança
- R$ 1 mil é o salário médio de um cooperado

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