Jovem demais para beber

Iniciativas da Ambev, maior fabricante de bebidas da América Latina, procuram reduzir o consumo de álcool pela garotada. Dono de bar que não vende a menores é premiado e até cartilha aos pais a empresa tem distribuído

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postado em 10/11/2014 15:18 / atualizado em 10/11/2014 15:40

Você já viu alguma empresa fazer propaganda para não vender seus produtos? Pois é: isso acontece. Por exemplo: no Brasil, o consumo de bebidas alcoólicas por menores de 18 anos é proibido desde 1940. Nesse ínterim, várias leis e decretos determinaram penas e punições. Mas raramente alguém é punido, em qualquer lugar do Brasil.



Acontece que a associação de álcool e jovens é sinistra: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o álcool mata 320 mil jovens todos os anos, em todo o mundo. Alguns dados, embora divergentes, vão na seguinte direção: o consumo de álcool por adolescentes de 12 a 17 anos já afeta 60% da juventude — e quase 10% apresenta alguma variação de dependência. Pelo menos oito em cada 10 já beberam alguma vez na vida. A média de idade para a iniciação no álcool é de 12,5 anos. Outros 21% tinham apenas 10 anos quando experimentaram alguma bebida alcoólica.

E então, o que fazer? De quem é a culpa? Do Estado? Da família? Dos donos de bares? Dos fabricantes de bebidas? Da escola? Nessa nova percepção de responsabilidade social, todos têm sua parcela — embora o Estado (governos, no geral) seja fraco na fiscalização das leis, por exemplo.

Por isso, surgem iniciativas de organizações não-governamentais (ONGs) e de empresas diretamente ligadas ao segmento — e isso é sustentabilidade. A chamada responsabilidade corporativa garante a sustentabilidade de um negócio. A Ambev, por exemplo, reuniu há pouco mais de um mês todos os 35 mil funcionários da companhia para o Dia de Responsa, em que reforça a necessidade do “consumo responsável” de bebidas alcoólicas. Sério: a empresa deve se preocupar se um produto seu, se mal usado, produz mortes, brigas, decepções, não é verdade? Ainda mais em relação aos jovens. Aliás, por sinal, estima-se que os de 14 s 17 anos consumam 6% da produção brasileira.

Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press
 

 

“Queremos que os garçons, atendentes e donos de bares transformem a venda responsável de bebida em compromisso pessoal e repliquem esse conteúdo, tornando-se multiplicadores do consumo consciente”, afirma Ricardo Rolim, diretor de relações institucionais, sustentabilidade e comunicação da Ambev. Por isso, as ações são focadas em três frentes: que não se venda bebidas para menores de 18 anos; que não se dirija depois de consumir bebida alcoólica; que não se beba em exagero.

A companhia foi a primeira indústria de bebida a participar das discussões da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre os efeitos do uso inadequado de bebidas alcoólicas. E o que inadequado? Simples: a bebida é algo estar relacionada às nossas alegrias e comemorações, não aos exageros que matam, seja direta ou indiretamente”.

Gente de responsa

Em Brasília, gerentes e supervisores de vendas foram de bar em bar do Plano Piloto para, por exemplo, convencer donos e gerentes a não vender bebida alcoólica para menores. Pregaram cartazes e até “doaram” cerveja sem álcool para o amigo da vez — aquele que não bebe e leva colegas para casa. Esse é o Dia da Responsa.

Há, ainda, o programa Bar de Responsa, que também treina donos e garçons (presencial ou pela internet). Foram oferecidos cursos a mais de 125 mil profissionais de todo o Brasil. Nos bares das comunidades de baixa renda, a ação é diferente — e bem legal: quem se torna responsável ganha pintura no estabelecimento, restauro na fachada, mesas, cadeiras e novos equipamentos.

É o caso do dono de um bar na CLN 211 Francisco Carlos Albuquerque, que teve um reforço extra da Ambev para evitar a venda de bebidas alcoólicas para menores de idade. A região em que ele trabalha é muito frequentada por jovens, mas mesmo assim, ele diz que não vacila na hora de atender aos pedidos. "O que eu vejo como maior problema é o fato de que os menores de idade vêm acompanhados de pessoas com mais de 18 anos e, aqueles que já podem beber legalmente, repassam as bebidas para os mais novos".

E como lidar com uma possível perda de cliente? Francisco explica que o treinamento fez com que os donos de bares entendessem que vender bebida alcoólica para menores não é a melhor opção. "Já aconteceram vezes em que a gente ia na mesa e falava que ia parar de atender se os mais velhos dessem bebidas para os menores. As pessoas entendem superficialmente, mas no fundo elas ficam com raiva", diz.

É por essas e outras que as supervisoras de venda Luciana Monteiro e Mariana Lauande explicam que é um trabalho contínuo e que terá melhores resultados a longo prazo. "A gente explica para os donos de bares que é importante ele saber valorizar, por exemplo, o amigo que vai ser o 'motorista da vez'. Ofereça um refrigerante para ele ou um petisco para um cliente que já bebeu demais. Todos saem ganhando".

E os Jovens de Reponsa? Eles estão em 23 ONGs em cinco estados para ajudar a evitar que menores de 18 anos bebam. A Ambev garante que já abordou diretamente mais de 7 mil jovens, reuniu mais de 50 mil pessoas em eventos e impactou 3,7 milhões de pessoas com ações de comunicação. Em Heliópolis, uma das maiores comunidades pobres de São Paulo, por exemplo, uma das mais animadas ações é a “Balada Black”, festa onde os jovens se divertem sem consumir bebida alcoólica.

E mais…
A Ambev é a maior empresa de bebidas da América Latina, com receita líquida de R$ 34,8 bilhões no ano passado.

Quem vê água enxerga seu valor
Programa de mobilização e conscientização da sociedade para o uso racional desse recurso natural. Um dos principais destaques de maior impacto do movimento é o Projeto Bacias, que atua em conjunto com a WWF e The Nature Conservancy para preservar bacias hidrográficas.

Bafômetros
Até agora, já foram 90 mil doados às autoridades de trânsito

Cartilha Papo em Família
Principal peça do projeto. Afinal, o diálogo sobre bebidas alcoólicas é fundamental para que os jovens conheçam os riscos do consumo indevido. Feita pelo artista Maurício de Souza, pai de Cebolinha e da Mônica. Faça o download no endereço: http://www.ambev.com.br/cartilha-papoemfamilia.pdf

Ouço e bebo?

O consumo excessivo de álcool por adolescentes e jovens adultos está fortemente associado com referências a bebidas em músicas. Estudo da Universidade de Pittsburgh e do Norris Cotton Cancer Center, baseado em 2.541 entrevistas com pessoas com idades entre 15 e 23 anos, afirma constata: um adolescente comum é exposto anualmente a cerca de 3 mil referências a bebidas alcoólicas enquanto ouve música.

O que acontece com o jovem que bebe em excesso:
• Perde o discernimento e a coordenação motora;
• Pode ver as coisas em dobro;
• Pode se tornar agressivo;
• Pode esquecer de usar preservativo e ter relações sexuais sem proteção;
• Podemos prejudicar alguém;
• Podemos entrar em coma alcoólico;
• Pode, enfim, exagerar em tudo;

Como os pais podem ajudar


• Buscar informações sobre os efeitos do álcool na adolescência. Pai bem informado ganha poder de persuasão;
•Perceber que não são os amigos dos filhos e que, por isso, é seu dever estabelecer limites;
•Evitar dizer apenas 'não'. Aprenda a escutar seus filhos e as razões deles para justificar o consumo de álcool:
•Dar o exemplo em casa, evitando o uso indevido (regular e em excesso) de bebidas alcoólicas.
•Propiciar qualidade de vida ao jovem e estimular hábitos saudáveis, com passeios ao ar livre, contato com a natureza e momentos de lazer em família.

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