Lavagem quase a seco

Empresário paulistano encontrou uma forma de lavar o carro utilizando apenas um copo d'água. Além da economia, a empresa oferece capacitação profissional para pessoas de baixa renda

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postado em 11/11/2014 14:58

Lavamos nós/Divulgação
 

 

A lavagem tradicional de um carro pode gastar até 200 litros de água. Apesar de ainda ser comum essa prática, é possível fazer o mesmo serviço utilizando apenas um copo desse líquido — o equivalente a 200ml. A ideia é do empresário Guilherme Motta Lima, 42 anos, que já teve uma rede de lava a jato e decidiu criar a empresa Lavamos Nós, sediada em São Paulo.



Além de vender kits de limpeza pelo site, ele oferece profissionais para fazerem a lavagem na casa dos clientes e em estacionamentos . “A ideia surgiu da necessidade de economizar água, especialmente em São Paulo, e da falta de tempo das pessoas de levarem o carro para lavar. Sem contar a possibilidade de criar empregos”, defende.

Em parceria com o Sebrae e a Academia de Microfinanças, a Lavamos Nós oferece curso para capacitar empreendedores de baixa renda. “Já capacitamos 30 em oito meses, sendo que 10 se tornaram microempreendedores individuais. Eles ganham uma média de R$ 1,5 mil por mês e podem fazer o próprio horário.”

Um dos beneficiados é Walmir de Souza, 36 anos, que trabalha há 16 como guardador de carros. Registrado como lavador pela prefeitura de São Paulo, não atuava por falta de acesso a água para limpar os carros. “O Guilherme me viu na rua e perguntou se eu não queria conhecer o Lavamos Nós e eu topei”.

Com dois filhos pequenos, Walmir fez o treinamento e agora compra o produto por um preço reduzido e utiliza na lavagem dos veículos de um estacionamento em Higienópolis, em São Paulo. Ele gasta uma hora por carro e diz que o investimento vale a pena. “Ainda estou fazendo a minha clientela, já que tem pouco tempo que ofereço o serviço, mas já ganho bem mais do que eu ganhava antes.”

Lavamos nós

 

Como funciona
O produto utilizado pela empresa, à base de cera, detergente e polímeros, é nacional, fabricado no interior do estado. “Basta misturar com a água e usar um pano de micro fibra para limpar (veja no quadro). Essa fórmula encapsula a sujeira e a cera cria uma camada protetora na lataria”, explica.

A arquiteta Renata Helena Silva de Paula, 43 anos, é cliente assídua há dois. Ela sempre teve práticas sustentáveis em casa: leva o lixo seco para a reciclagem e utiliza a água da máquina de lavar roupas para regar as plantas. Não tinha o hábito de lavar o carro com muita frequência justamente pelo desperdício de água. “Agora, lavo toda semana”, diz.

Além da preocupação ecológica, a praticidade é um diferencial. “Eu uso o delivery. Eles sempre vêm em casa e eu não preciso sair. É mais rápido e seguro.” Segundo Renata, a diferença entre essa lavagem e a convencional é de apenas R$ 5. “Além de tudo isso, ao contrário da lavagem comum, com muita água e sabão, o produto deixa o carro com brilho e limpo por mais tempo.”

Palavra de especialista
Ser sustentável já não é mais apenas uma tendência entre as empresas, e sim o cenário atual, segundo Luiz Fernando Bueno, professor de meio ambiente e sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGV). “É necessário se preocupar com o impacto que nosso negócio causa, seja ambiental, econômico ou social”, defende. “Com a atual crise hídrica de São Paulo, acredito que a população em geral, não só a indústria, vai se adequar a um novo padrão de consumo, como aconteceu com a energia elétrica, após o período dos apagões.” Segundo Luiz Fernando, há uma demanda internacional de mercado para empresas verdes e quem não se adapta fica para trás. “É totalmente tangível manter e, inclusive, aumentar o lucro da empresa com práticas sustentáveis. Basta entender esses hábitos como oportunidade para faturar, não como custo.”

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