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Correio Braziliense

Referências culturais e artísticas auxiliam alunos nas questões de língua estrangeira no Enem

Em live, professores Cosme Alves e Gustavo Tozetti alertaram para a importância da interpretação do texto e treino. Conhecimento em música, poesia e literatura podem servir de grande auxílio


postado em 09/10/2018 18:55 / atualizado em 09/10/2018 19:09

Inglês ou espanhol? Cada inscrito no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deve escolher uma língua estrangeira, cuja participação envolve cinco questões de nível variado, inseridas na prova de linguagens, códigos e suas tecnologias. Uns escolhem o espanhol, pela proximidade com o português. Outros preferem o inglês, pela onipresença em canções, comerciais, filmes e universo pop. Seja qual for a sua escolha, o que vale é estar atento à interpretação do texto, treinar bastante e manter a língua escolhida próxima do seu dia a dia.

É o que garantem os professores Cosme Alves, de inglês, e Gustavo Tozetti, de espanhol. Os docentes do Centro Educacional Sigma participaram de live do Especial Enem do Correio nesta terça-feira (9). “Não podemos negar a proximidade da língua”, pondera Tozetti, “mas é preciso tomar cuidado. Uma das questões cobradas anualmente exige o significado direto de expressões. Há termos que, se você não conhece, fica difícil responder. Questões culturais e interpretação de texto também surgem nas questões seguintes.”

A escolha por inglês, por sua vez, não exclui do aluno a necessidade de entender as normas gramaticais da língua. “Há uma diferença entre linguagem formal e informal. A informalidade da língua, de quem acredita que sabe falar, sempre vai surgir. Mas, no Enem, é preciso saber a linguagem formal. Não vai cobrar as normas diretamente, exigindo nomenclaturas e afins, mas a gramática está embutida nelas. Sabendo isso, o candidato consegue extrair onde está a ideia central nos textos.”


Treino é essencial

 

O professor Gustavo Tozetti classifica a prova como “muito inteligente” e digna de atenção especial. “É preciso parar, fazer as edições antigas e saber o que a prova demanda de você.” Uma vez criada familiaridade com a abordagem, tudo pode ficar mais claro na cabeça do estudante. “Leia o enunciado e entenda o que o Enem quer de você. Eu, particularmente, começo por ele e depois leio o texto em seguida, duas vezes.”
Professores Cosme (esquerda) e Gustavo participaram de live nesta terça-feira (9)(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Professores Cosme (esquerda) e Gustavo participaram de live nesta terça-feira (9) (foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)

Cosme concorda que o treino é essencial e traz agilidade ao candidato. O popular “três minutos por questão”, regra geral difundida por aí entre quem faz o exame, pode desestabilizar o candidato. “Trabalho em sala de aula a leitura instrumental para agilizar a leitura da prova, um treinamento do tempo de resolução da questão.”

Treinando, o aluno também se familiariza com o formato das questões, que são invariavelmente abertas com um texto — que pode incluir linguagem não verbal — em inglês, seguido de um comando em português. “Não vejo o formato como de todo ruim, apesar dos alunos às vezes até se confundirem um pouco. A questão é mostrar que você consegue entender aquele texto, usar seu conhecimento em espanhol e o inglês como instrumento de interpretação.”


Canções e referências culturais

 
Os textos em língua estrangeira seguem temáticas coerentes com o restante da prova, sempre de olho em questões de temas relevantes socialmente. De olho em referências pop e eruditas em literatura e música, o estudante pode se manter próximo da língua e enriquecer o seu vocabulário e conhecimento gramatical. 
 
De 2013 a 2017, observa Cosme, 50% das questões de língua inglesa foram em prosa. O restante passa por formatos como letras de canções e poemas. “Constantemente, são temas sociais. Nas últimas edições, houve canções de Paul McCartney e Bob Dylan”, observa ele, lembrando do clássico Masters of war, de Dylan. “Com ela, o exame quis questionar sobre a Guerra do Vietnã. Guerras são sempre um tema tual.”
 
Sobre a letra de Paul, era uma canção também com contexto social, aplicando a metáfora do branco e preto das teclas do piano para o debate racial. Em espanhol, recentemente estiveram presentes textos do escritor Eduardo Galeano e uma letra de música cantada por Mercedes Sosa. A escolha, percebe-se, tende a ser por obras já clássicas do século 20. “Conhecer a música atual, de todo modo, ajuda nas expressões. Não é que vai cair aquela música, muito provavelmente não, mas ajuda a enriquecer o vocabulário”, acrescenta Gustavo Tozetti.