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Correio Braziliense

Quem acredita que não foi bem no primeiro dia deve fazer a segunda etapa, recomenda especialista

Especialista em desenvolvimento socioemocional de alunos, Eduardo Calbucci recomenda maturidade, resiliência e autoconhecimento seguir para a segunda etapa, no próximo domingo (11)


postado em 05/11/2018 16:20 / atualizado em 05/11/2018 16:24

A taxa de abstenção no segundo dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2017 foi de 32% do total de 6,7 milhões de inscritos, segundo os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). O número de desistências aumentou na segunda etapa da prova. No primeiro dia, a porcentagem era de 29,8%. Em 2018, a primeira etapa de aplicação das provas teve 24,9% de ausentes e a expectativa é sempre de aumento na etapa seguinte, que será em 11 de novembro.

Professor e um dos fundadores do Programa Semente, especialista em desenvolvimento socioemocional de alunos, Eduardo Calbucci acredita que um dos motivos que podem levar à abstenção no segundo dia são os pensamentos negativos, que surgem na semana posterior à aplicação do primeiro caderno. “Muitas vezes, as emoções preponderantes na primeira prova são ansiedade e preocupação. Na segunda, os candidatos podem apresentar sentimentos negativos como frustração e desânimo.”


Falta resiliência e determinação

 
Com o término da prova, os vestibulandos ficam mais expostos a comentários sobre as questões e precisam ter maturidade e resiliência para a segunda etapa do exame. “De repente, ele escuta algo de um aluno que acha que foi muito bem. O candidato pode dar um peso tão grande a isso que essa percepção pode afetar seu resultado no segundo dia.”

No ano passado, o exame foi aplicado, pela primeira vez, em dois domingos consecutivos. A mudança fez com que os alunos ganhassem a distância de uma semana entre as provas, ponderando sobre a continuidade do processo. Para Calbucci, “por um lado, a alteração pode aumentar a ansiedade. Mas, por outro, dá a chance do vestibulando tomar decisões de maneiras mais sensatas”. O professor aconselha os alunos a gastarem energia com o que ainda pode ser mudado. “Isso está muito ligado ao que chamamos de flexibilização cognitiva. Significa você desafiar os pensamentos que estão atrapalhando o seu bom resultado”, explica. 

“O candidato precisa focar no futuro, porque ele não pode mudar o passado. Quando pensamos nesse aumento da abstenção, vemos que muitas pessoas não conseguem esse resultado porque falta resiliência e determinação. E, às vezes, esse candidato descobre que, no fim das contas, não tinha ido tão mal no primeiro dia. Independente do que aconteceu na primeira prova, se alguma coisa não deu certo, é preciso transformar aquele erro em aprendizado e fazer com que aquilo não se repita.”, atenta o professor.

Correção do gabarito

 
Outro ponto que Calbucci chama atenção é a correção do gabarito do primeiro dia. Muitos alunos têm dúvidas sobre o momento mais adequado para descobrir quantas questões acertou. Para decidir, a melhor opção é preciso autoconhecimento. “É uma decisão muito pessoal e ninguém além do próprio aluno sabe se ele seria bem ou mal influenciado por um resultado aparentemente ruim.”
 
Os gabaritos apresentados são extraoficiais. O gabarito oficial só será disponibilizado pelo Inep três dias úteis após o último domingo de provas. “Outro viés que precisa ser considerado é que a prova é corrigida por um modelo chamado TRI, onde não importa muito o número de questões acertadas, mas sim a coerência das respostas dadas. Isso significa dizer que, às vezes, um resultado pode ser mal interpretado pelo aluno.”