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Correio Braziliense

Ciências da natureza teve conteúdo mais leve e predominância de questões de química

Das 45 questões aplicadas neste domingo (11), 19 trataram da disciplina de química. Professores e estudantes descreveram uma prova leve, mas técnica


postado em 11/11/2018 18:11 / atualizado em 11/11/2018 18:22

O segundo e último dia de aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) teve as provas de matemática e ciências da natureza. As 45 questões desta última, que envolvem as disciplinas de física, química e biologia, foram de nível médio e mais leve do que as do ano passado, de acordo com professores e estudantes que tiveram acesso às provas. Para eles, o exame de 2018 diminuiu o seu lado conteudista e voltou a focar na interpretação de texto. 

Química foi a disciplina mais cobrada, com 19 questões. Física e biologia tiveram 13 questões cada. “Em linhas gerais, na minha área de química, o exame teve um nível que considero médio. Foi mais fácil do que a do ano passado. Acredito que a prova de 2017 foi muito criticada pela dificuldade, tornando a química muito inacessível. Pensando nisso, talvez tenham mudado”, diz Michel Henri professor do colégio Ari de Sá. 

Para ele, a área de ciências da natureza abandonou um pouco da sua característica interdisciplinar e, além disso, diminuiu a necessidade de cálculos complicados para a resolução dos exercícios. “Tivemos pouquíssimas questões envolvendo cálculos. Foi uma prova bem distribuída, com uma boa capacidade de avaliação dos estudantes, mas não houve nada surpreendente, era uma prova estritamente interpretativa. E, quanto aos textos, não houve nenhuma polêmica nem possível entendimento de viés ideológico.”

Eliane Pereira:
Eliane Pereira: "Me senti segura ao longo da prova" (foto: Foto: Marina Adorno/Esp. CB/D.A Press)

Segundo ele, apenas três questões de sua disciplina envolveram cálculos mais complexos: "Elas envolviam termoquímica e química orgânica", enumera o professor. Eliane Pereira Nunes, 18 anos, faz o Enem pela segunda vez e avalia que encontrou uma prova de nível mediano. “Acredito que chutei apenas 20% das questões”, diz. “Me senti segura ao longo da prova, os conteúdos que estudei estavam todos na prova.”

Física

 
Professor de física do Descomplica, Léo Gomes enxerga uma escalada de dificuldade nas edições de 2015 a 2017. Quanto a 2018, contudo, ele concorda que o nível de manteve-se ou até diminuiu. 
“Foi uma prova mais tranquila do que dos últimos anos, de fato. Havia duas ou três questões que podiam trazer alguma dificuldade, mas, em geral, quem sabia de física razoavelmente bem conseguiu enfrentá-la bem.”

Entre elas, havia uma que envolvia prisma e dispersão e outra sobre ondas, exigindo interpretação de tabelas e compreensão das cores de uma pessoa daltônica. "Outra, também um pouco mais difícil, abordava o sistema elétrico de um altofalante, em uma situação na qual se invertia as polaridades", descreve o professor.
 
Neste ano, os candidatos dispunham de 30 minutos a mais para fazer o segundo dia do exame. Muitos apontavam, nisto, um possível sinal de que as provas viriam mais difíceis. “Nos dava a impressão de que, com mais tempo, elaborariam um exame mais complicado, mas não foi bem assim.”

"Só passo por milagre", confessa Suzana Rodrigues (foto: Felipe de Oliveira Moura/Esp. CB/D.A Press)


Entre todas as áreas cobradas, física foi a mais complicada para Suzana Rodrigues, 21. A candidata quer uma vaga no curso de direito, mas está pouco esperançosa. "Não estou confiante. Chutei muitas questões. Só passo por milagre", brinca. 

Biologia


“Em relação ao ano passado, foi uma prova mais tranquila, porém, mais técnica. Ou seja, o candidato precisava ter um conhecimento técnico prévio para resolvê-las”, explica Alexandre Bandeira sobre biologia, disciplina que leciona no portal Descomplica. 
 
Houve grande incidência de temas de citologia — estudo e funcionalidade da célula. O eixo ecológico, uma tradição do exame, foi pouco explorado desta vez, com apenas duas questões. “Uma delas foi sobre corredor ecológico para recuperação de biodiversidade, o que proporciona a reprodução dos seres locais e mantêm a biodiversidade.” Em outro momento, a prova relacionou reações metabólicas com produção de calças jeans e uso de cloro. “Para acerter, o estudante precisa conhecer a funcionalidade de uma organela chamada peroxissomo”, explica o professor.
 
As questões de biologia tiveram muitos, mas breves, textos motivadores. “Fiquei feliz porque os textos ajudavam na elaboração das respostas. Auxiliavam e direcionavam o pensamento do candidato”, celebra o professor Alexandre. O texto mais longo e exaustivo falava do ciclo do nitrogênio. “Exigia a relação entre agricultura, renovação do solo e cidade grande. Trata-se de uma questão com texto longo e que o candidato acabaria cansado.”