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Correio Braziliense

Matemática foi acessível e pouco conteudista em relação a 2017

Muito temida, disciplina é a mais presente nas questões objetivas do exame, ocupando, sozinha, 45 questões


postado em 11/11/2018 19:22 / atualizado em 13/11/2018 18:15

A prova de matemática e suas tecnologias do Exame Nacional do Ensino Médio foi aplicada neste domingo (11). A disciplina é a mais presente nas questões objetivas do exame, ocupando, sozinha, 45 questões. Tantos números, é claro, costumam preocupar os milhões de inscritos no exame. Em 2018, contudo, a prova parece ter sido um pouco mais leve para os participantes. Professores e alunos, recém-saídos do exame, classificaram as questões da área de conhecimento como acessível e pouco conteudista.

“Em matemática, foi um exame bem mais fácil do que nos anos anteriores. Foi uma prova menos conteudista e mais democrática. Mas a ausência de alguns conteúdos preocupara, na medida em que fica mais vago o que devemos esperar daqui para frente”, avalia Diego Viug, professor de matemática do canal ProEnem. 

Entre os temas “esquecidos”, ele cita temas de funções, que caíram em apenas uma questão. “Esta poderia ser resolvida com proporcionalidade. Senti falta de mais. Em geral, não foi preciso muita fórmula para resolver a prova. Também não se calculou volume de nada. Se, por um lado, facilitou um pouco para a maioria, por outro, aqueles que estudaram mais pesado não foram contemplados.”

Maria Paula: prova cansativa, mas possivel(foto: Wallace Martins/Esp. CB/DA press)
Maria Paula: prova cansativa, mas possivel (foto: Wallace Martins/Esp. CB/DA press)
 
Maria Paula Barbosa Barros, 17 anos, foi uma das últimas estudantes a deixar o seu local de provas. Esta foi a terceira vez que fez o exame. "Não sei o que achei, tava cansativo, mas possível. Era questão de aproveitar o tempo. Tive mais facilidade em ciências da natureza do que em matemática”, avalia ela, cansada. “Não me importo com a contextualização, olho de forma objetiva. Não sei se vou conseguir, mas pretendo fazer nutrição.”

Proporcionalidade


Ainda segundo Diego Viug, houve grande incidência de proporcionalidade. “O trabalho com escala de mapas está dentro desse tema. Apareceu muito. Me me arrisco a dizer que aparece mais do que nos anos anteriores”, pondera. Ele lembra também que a leitura de matriz, tema que apareceu apenas anos atrás, caiu. “Pode ser que volte a ser cobrada daqui para frente.”

(foto: Reprodução)
(foto: Reprodução)
 
 
Chamou atenção, ainda, uma questão de função trigonométrica. Ela fazia conexão com atualidades, citando a inauguração da maior roda gigante do mundo, a High Roller, situada em Las Vegas (Estados Unidos). A rotação do brinquedo de parque deu origem a questionamento sobre expressão da função altura. “A função trigonométrica é periódica. Assim como na roda gigante, você terá uma altura em relação ao solo que é periódica, como uma onda: você sobre e, depois, desce. A prova mostrou esse gráfico, o que é muito legal.” 

Juliano: %u201CEstudei todas as noites, durante, pelo menos, duas horas%u201D(foto: Wallace Martins/Esp. CB/DA press)
Juliano: %u201CEstudei todas as noites, durante, pelo menos, duas horas%u201D (foto: Wallace Martins/Esp. CB/DA press)
 
Apesar de já ser formado em contabilidade, Juliano Silva da Paz, 30, decidiu fazer o Enem 2018. Nos últimos seis meses, ele conciliou o trabalho com os estudos para a avaliação. “Estudei todas as noites, durante, pelo menos, duas horas”, conta. Assistir a vídeos no YouTube foi um dos métodos que ele utilizou para se preparar, mas, apesar da preparação — e da proximidade com os números —, ele sentiu dificuldade. “Estava um pouco complicado. As questões estavam extensas e trabalhosas”, diz. O item número 172, da parte de matemática, foi o mais difícil, segundo ele. “Eu até anotei na mão, porque quero tentar resolver ela quando chegar em casa.”