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Correio Braziliense CIÊNCIAS DA NATUREZA

ARTIGO: Por uma prática engajada e curiosa em ciências da natureza

Alessandro Reis (biologia), Juliana Gaspar (química) e Paulo Ferrari (física) Professores do Centro Educacional Sigma


postado em 09/09/2019 07:00 / atualizado em 09/09/2019 18:07

A prova de ciências da natureza e suas tecnologias é constituída por três matérias: física, química e biologia. Contudo, o conteúdo não possui homogeneidade de tratamento: a parcela de física é conhecida como a mais “carrasca” entre elas. Todavia, a má fama da disciplina é justamente o que faz dela uma boa oportunidade no Enem.

Muitos candidatos negligenciam as questões dessa matéria, abandonando-as antes de explorá-las, o que reduz os índices de acerto. Com isso, de acordo com os métodos da Teoria de Resposta ao Item (TRI), aumenta-se o valor das questões. Mesmo aqueles itens eventualmente corriqueiros, conceituais ou interpretativos adquirem importância pronunciada e servem para alavancar a nota do estudante.

O aluno deve saber explorar as áreas mais comuns da disciplina, como transformações energéticas, circuitos simples e fenômenos ondulatórios, incluindo óptica e acústica. De toda forma, a prova não é elaborada nem distribuída por conteúdos, mas por habilidades. São elas que o estudante deve se preocupar em aplicar enquanto estiver se preparando. Ele deve tentar observar que tipo de raciocínio é transverso aos diferentes campos da física, como interpretar gráficos, aplicar princípios físicos a aparelhos cotidianos e identificar fenômenos físicos. Além disso, deve desenvolver destreza em explorar a conversão mútua entre diferentes energias: elétrica, gravitacional, cinética ou térmica, sem distinção entre áreas.

A prova do Enem valoriza o generalista, aquele que, com uma visão ampla, aplica seus conhecimentos acadêmicos a situações cotidianas, constrói explicações a partir de princípios e leis físicas, conecta diferentes conteúdos. O desenvolvimento dessa articulação é mais bem trabalhado pela curiosidade cotidiana sobre os fenômenos que rodeiam o estudante e pela prática constante de exercícios diversos e contextualizados. Não contenta-se só com uma resposta numérica vazia, mas busca compreensão da situação completa ilustrada na questão. A mentalidade de caça ao número final não tem vez neste novo modelo de prova: é preciso atribuir significado ao número encontrado. Isso se obtém pela prática engajada e curiosa.

A parte de química está entre as de maior nível de complexidade técnica dentro da área de conhecimento. Uma característica marcante das questões é a utilização de situações práticas do cotidiano, conciliando a linguagem química com a leitura de gráficos, nomenclaturas e grandezas. Nas últimas aplicações, é perceptível que a prova vem ganhando um caráter conteudista, exigindo do aluno a construção de uma base sólida de conhecimentos. A análise dos últimos anos, considerando a 1ª e a 2ª aplicações, mostra que os assuntos relacionados a físico-química são os mais relevantes, totalizando 90 questões (26,7% do total de questões do período analisado).  Em seguida, vêm os temas relacionados à química geral, com 81 questões (24%), e os assuntos de química orgânica, com 64 questões (19%). Também têm grande incidência as questões relacionadas à química verde (meio ambiente, energia e água), que juntos somam 81 questões (24%) do total.

O histórico recente da prova de ciências da natureza mostra gradual e importante evolução no componente curricular de biologia. O grupo de habilidades necessárias ao candidato permite a elaboração de itens interdisciplinares, o que geralmente ocorre com a participação da geografia e da química. Nos últimos anos, os itens de biologia têm exigido conhecimentos mais específicos. Eles vão além dos que, antes, dominavam a prova. O último exame, por exemplo, foi certamente um dos mais seletivos no período de 2013 a 2018. Historicamente, ecologia tem grande participação na prova e, tendo em vista o atual quadro político-ambiental com repercussão internacional, espera-se a presença desta temática. Desequilíbrios ambientais sempre marcaram presença no Enem e, desta vez, não será diferente. Por fim, também se espera que o exame 2019 aborde epidemias, visto o ressurgimento do sarampo e de outras patologias.

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