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Correio Braziliense ARTIGO

Análise crítica em geografia e história

Isaac Marra (história), Paulo Macedo (geografia) Professores do Colégio Sigma


postado em 16/09/2019 07:00

Podemos afirmar que a prova de ciências humanas e suas tecnologias é uma área do conhecimento que tem gerado grande expectativa para o Enem 2019. A insegurança se justificaria pelas indicações de agentes do governo a respeito das mudanças no padrão de cobrança e a ênfase relativa em determinados conteúdos. Em dúvida, alguns postulam a preocupante indagação: “Haverá, de fato, mudanças substanciais no modelo da prova?”. Resposta direta e tranquila: não, pois o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é pautado em sua aplicação por diretrizes educacionais e esquemas avaliativos complexos, fato que impossibilita tal medida.

(foto: Reprodução)
(foto: Reprodução)
Acerca de história, na prática, as mudanças possíveis envolvem a seara da predileção de alguns conteúdos de memória social, cultura cívica, cidadania, democracia – marcas acentuadas da “história oficial”. A garantia é de que os conteúdos que não representam majoritário consenso entre historiadores ficarão de fora.

O Enem tem por finalidade a uniformização do processo de ensino (competências) e aprendizagem (habilidades) nas instituições oficiais (públicas ou privadas) em todo o território nacional. Nesse sentido, a forma estratégica de concentrar os estudos na reta final e nas revisões em história, mundial e/ou do Brasil, é observar as instruções da matriz de referência, tais como: história - memória - patrimônio – cultura. Além disso, deve-se levar em conta os fundamentos de cada contexto histórico associado aos padrões políticos, sociais e econômicos, bem como o significado histórico dos eventos de cada momento.

Tomemos alguns exemplos: a cobrança das características do período entreguerras (1918-1939), a Crise de 1929, o nazifascismo e formação da União Soviética. São, todos eles, acontecimentos decisivos para a construção política do século 20, sem, contudo, deixar de transitar por suas consequências, como xenofobia, ódio às minorias, nacionalismos agressivos e holocausto. Os reflexos ultrapassam as décadas e alcançam o mundo contemporâneo, que assiste à banalidade do mal, conflitos motivados por imposição política, intolerância religiosa e a vivência em constante liquidez deste século.

Nas questões que envolvam interpretação de imagens, é fundamental lembrar que são representações e recortes históricos, ou seja, a cobrança não está, muitas vezes, concentrada no contexto identificado, mas no espaço de experiência por ele evocado. Atenção redobrada à relação dos sujeitos históricos com as ciências humanas, seus processos de produção dos conhecimentos, transformações técnicas/tecnológicas e o perfil de criticidade abordado em fontes históricas, legislações e ideias/ideologias. Quanto a isso, a ênfase está nos séculos 18 e 20.

O fator balizador para a resposta direta ao item deve ser a motivação dada pelo texto verbal ou não verbal (imagem/gráficos). É importante concentrar a análise do item no comando da questão, a fim de garantir a instrução adequada para a interpretação da alternativa correta. O candidato deve lembrar que a interpretação dele é escrava do texto, no sentido de perceber se a informação que o conduz à resposta correta está no enunciado, se será identificada pela interpretação ou se depreende do texto. Se, a partir do texto, ele poderá estender inferências que o levarão à resposta correta.

Para isso, a dica é que, na realização das questões, o candidato sublinhe termos essenciais de compreensão e de forma especial, buscando anotar ao lado dos textos e imagens uma expressão ou palavra que resuma o conceito abordado. O exame dispõe de textos analíticos/interpretativos e exige análise crítica, interações com contextos históricos e suas relações socioeconômicas e culturais de poder.

Sobre a prova de geografia, é pertinente dizer que é uma avaliação contextualizada, nacionalizada e direcionada a cinco eixos cognitivos gerais, que se iniciam pelo domínio da linguagem – através da interpretação de texto –, passam pela compreensão de fenômenos e pelo enfrentamento de situações-problema, até se chegar à construção de uma argumentação e elaboração de proposta para determinado problema. A contextualização geográfica, em que o candidato deve construir uma argumentação coerente de certa situação-problema, lhe é apresentada por meio de textos, mapas, gráficos, tabelas, figuras e imagens, para que o candidato possa chegar a uma proposta coerente e direcionada à sociedade enquanto coletividade socioespacial.

Por fim, a nacionalização da prova se dá em não cobrar nada que seja particularidade direcionada a coisas específicas de determinada localidade, pelo fato de a prova ser aplicada em todo o território nacional. O que leva o estudante aos gabaritos teórico-interpretativos é o comando de cada questão, isto é, o enunciado que vem abaixo da contextualização do tema e que traz informações adquiridas ao longo da vida pessoal, social e acadêmica do aluno.

Um ponto que merece destaque na preparação é responder às provas recentes – as últimas três edições, especialmente – para garantir a tranquilidade no padrão de tempo e diálogo com os textos. A prática também leva à facilidade em identificar as questões mais fáceis, de menor tempo aplicado, e as mais complexas, que levam mais minutos para serem resolvidas. Conhecer as regras do jogo (conteúdos e modelo das provas) e traçar estratégias para o dia do exame (tempo, qualidade da leitura e objetividade) são fatores que levam à realização de uma boa prova e apontam para bons resultados.

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