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Correio Braziliense

Professores destacam importância da leitura de imagens e gráficos no Enem

Em live, docentes do Sigma pontuaram a multiplicidade de textos em ciências humanas e o cuidado na leitura


postado em 16/09/2019 18:06

A live desta semana do Especial Enem trouxe dicas para a prova de ciências humanas, formada por história, geografia, sociologia e filosofia. Na tarde desta segunda (16), os professores Paulo Macedo (geografia) e Isaac Marra (história), do Sigma, compareceram aos estúdios do Correio e, no bate-papo com o apresentador Ígor Damasceno, ressaltaram que, embora esperem continuidade de conteúdo para 2019, a abordagem do exame deve evitar temas que tragam qualquer polêmica. 


Segundo eles, declarações recentes das novas lideranças no Ministério da Educação (MEC) apontam para essa direção. “Houve uma mudança de governo dentro do MEC e na elaboração das questões. O próprio presidente disse que os temas sobre minorias não merecem, segundo ele, serem colocados na prova”, diz Paulo Luiz. “Então, esperamos da prova algo mais teórico e a dica é entender o conteúdo estrito, aprimorando a leitura e a interpretação de texto.”

Ao contrário do que propõem algumas correntes de pensamento, o exame não toca em questões políticas em termos partidários, de acordo com os professores. “Temas desta ordem trazem aqueles que apoiam e o que não apoiam, e esse viés abre janelas para pedidos de recursos. Esperamos sempre que seja cobrado o que é científico”, pontua Paulo Luiz. “Em história, a ideia é se afastar de temas que protagonizem discórdias entre teóricos da disciplina”, acrescenta Isaac Marra. 

Interdisciplinaridade

“O Enem é uma prova um pouco diferente daquela que a gente tem costume nas nossas avaliações, como PAS e vestibulares tradicionais. Ali, se cobra as habilidades de modo atrelado às competências. A questão pode vir por meio de análise de infográficos, tabelas e correlação dessas afirmações. É uma das competências inerentes à geografia”, explica Paulo Luiz.

Professores Paulo (centro) e Isaac (direita): atenção à multiplicidade de textos em ciências humanas(foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)
Professores Paulo (centro) e Isaac (direita): atenção à multiplicidade de textos em ciências humanas (foto: Nícolas Braga/Esp. CB/D.A Press)

Os temas ambientais, tradicionais no exame, devem permanecer. “Eles fazem parte de um conjunto que é cobrado desde 2009. Este ano, ficam latentes não só por causa das queimadas que vemos, mas pelo impacto, ano após ano, de problemas como efeito estufa, assoreamento de rios e escassez de água”, diz Paulo Luiz.

Na geografia do Enem, cabe aos candidatos esquecerem as questões do tipo “decoreba”, na definição de Paulo Luiz. “Não é saber o estado, capital, continente e nome de rio. O conteúdo é carregado da geografia em sua essência, como cartografia e geopolítica. Esta vem junto ao conteúdo de história, em temas como a Segunda Guerra Mundial.”

Em geografia física, a interdisciplinaridade se estende à biologia, filosofia, linguagens e até redação. “Urbanização, ambiente e economia permeam outras áreas. Podem vir em dissertação sobre administração urbana ou presença de doenças na Europa e no Brasil, onde ressurgiram crises de sarampo e poliomelite. São assuntos que estão sendo retomados e o aluno precisa estar atento.”

Imagens e contextos

A riqueza de textos no exame também foi tema da live. Do texto jornalístico ao científico, passando por gráficos e charges, tudo deve ser bem contextualizado pelo candidato. O professor Isaac Marra nota falta de habilidade dos alunos nesse aspecto. “Nos últimos cinco anos, sinto dificuldade do jovem em ter essa percepção do que a imagem representa. A imagem aponta para contextos.”

Como exemplo, ele lembra de uma questão antiga, que continha, no enunciado, a imagem de um bandeirante. “A alternativa assinalada por muitos dizia respeito às bandeiras”, explica ele, referindo-se às expedições empreendidas ao período colonial do Brasil. A questão não era sobre isso, no entanto. “Na verdade, estava falando sobre a referência, quase romântica, que os paulistas faziam aos bandeirantes quando da revolução Constitucionalista de 1932.” 

A dica de filmes e séries, dada pelo Especial Enem desta semana, também são de grande auxílio no aprimoramento da leitura de imagens. “Pode auxiliar, de fato. Entendo que os filmes podem servir para alguém que já sabe o conteúdo e trabalha o filme como meio de fixação”, afirma Paulo Luiz. 

Para a disciplina de Isaac Marra, ele destaca o processo político do Brasil no Segundo Reinado, cujo chamado sistema de “parlamentarismo às avessas” confunde os secundaristas. “Observo que é uma das grandes dificuldades do aluno em entender a distinção entre sistema político e governo. Essa foi a primeira experiência do modelo no país e, portanto, é um período importante a ser fixado.”

A essa altura, com menos de dois meses para a prova, é preciso rever as edições anteriores do exame. “A principal diretriz para o aluno, nesta reta final, é focar na resolução de exercícios”, sintetiza Issac. “Provar, com eles, a sua percepção de tempo, competência, leitura e interpretação de textos. Não só os escritos, mas os não-verbais também, que surgem muito na prova.”

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