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Correio Braziliense ENEM 2019

Como os temas de atualidades são cobrados nas humanas do Enem

Exame exige leitura do que está em alta no debate público. O que está em pauta serve como pano de fundo para estabelecer conexões com o saber científico


postado em 14/10/2019 07:00 / atualizado em 14/10/2019 18:08

Os temas caros ao debate público têm espaço certo no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019. Não poderia ser diferente. As áreas de conhecimentos cobradas, especialmente as de linguagens, redação e ciências humanas, têm no noticiário um importante auxílio para introduzir temas do ensino médio e medir a capacidade do candidato de estabelecer correlações. Portanto, um olho no livro e outro nos jornais: as atualidades sempre caem, ainda que indiretamente, no Enem.

“O que está no noticiário tem muita influência, sem dúvida”, assegura Paulo Macedo, professor e coordenador de geografia do Colégio Sigma. “A gente costuma pedir aos alunos que leiam o que está em pauta, se possível diariamente, em mídias que tenham credibilidade dentro e fora do país. Nada de mensagens encaminhadas pelo Whatsapp: as fake news, cada vez mais intensas dentro do país, são perigosas. Vivemos e debatemos muito sobre elas no último ano.”

Mas calma lá. Ricardo Marcílio, professor de atualidades e geografia do Descomplica, explica que o método do exame não espera que o candidato “aprenda” uma notícia, mas que ele entenda como ela se encaixa em conteúdos consagrados em sala de aula. “O Enem faz uma contextualização para as questões com alguma notícia ou outro texto, fazendo relação com o tema”, explica.
“Digamos que a questão seja aberta por um texto sobre a reforma da previdência. Ele estaria ali para discutir a pirâmide etária brasileira, tema de geografia. As atualidades servem como pano de fundo para um conteúdo mais científico em seguida”, exemplifica o professor.

Além disso, Paulo Macedo observa que as atualidades cobradas não vêm tão em tempo real como acreditam alguns. O que ocorreu no mês passado não vai cair, é claro. “Não cai o que aconteceu neste semestre, mas as atualidades dos últimos dois ou três anos que ainda hoje ressoem.”

A própria logística do exame, que exige seleção e pré-testes de questões coletadas de banco de questões, assim como intrincado processo de impressão e distribuição das provas pelo país, impede que isso ocorra. “A prova está pronta há algum tempo. Pense que ela deve chegar, digamos, nos confins da Amazônia ou nas regiões mais remotas do país. O mais legal do Enem é justamente ser nacional, vai para todos os cantos do país.”

Geopolítica

André Machado:
André Machado: "Enem explora a realidade do nosso país. Espero mobilidade urbana e ambiente" (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
André Machado, 17 anos, acredita que o exame tem predileção, de maneira geral, para os conteúdos contemporâneos. Fã das aulas de filosofia e geografia, o estudante, que está de olho em vaga em ciências econômicas, espera temas brasileiros em pauta. “Eu diria que vai cair assuntos voltados para o Brasil, porque o Enem explora a realidade do nosso país. Talvez mobilidade urbana, situação ambiental, violência e exploração contra as crianças.”

O leque de assuntos é amplo e envolve economia, política e ambiente. Ricardo Marcílio enumera diversas possibilidades. “O estado islâmico e os conflitos na Síria, por exemplo, retornam sempre ao debate. A Guerra Civil naquele país já foi assunto de questões anteriores, inclusive. Além disso, é importante que o aluno se informe sobre a guerra comercial entre Estados Unidos e China, e os impasses atuais da União Europeia.”

As expectativas de Paulo Macedo rondam temas semelhantes. “Me instiga muito a Primavera Árabe. É bom atentar também para o número grande de refugiados, o que gerou vários problemas dentro do cenário europeu, especialmente. Pode ser relevante inclusive com a possibilidade de ir para a redação.”

Brasil e ambiente

Manuela Alves:
Manuela Alves: "Assuntos menos polêmicos, como ambiente, também são relevantes" (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Em termos nacionais, a imigração também é relevante. “É latente. O próprio Brasil recebeu uma grande quantidade de refugiados, como bolivianos, haitianos e, ultimamente, venezuelanos”, diz Macedo. Temas brasileiros que gerem polêmicas e debates que o governo federal considere “ideológico” devem ficar de foram, segundo o próprio Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo exame. “Não é segredo para ninguém que a seleção de questões deve vir mais branda. Espero pouca política brasileira, mas, de todo modo, as matrizes e o banco de questões já estão postos”, diz Ricardo Marcílio.

Sendo assim, Manuela Alves, 17, desvia olhar para outros temas de relevância. “Assuntos menos polêmicos também são importantes. O ambiente, por exemplo, seria um bom assunto para cobrarem. Nada nem muito conservador ou liberal, vai ser bem meio termo, imagino.”

Este será, em humanas, um Enem mais “raiz”, na definição bem-humorada de Paulo Macedo. “Serão questões voltadas para o conteúdo que consideramos tradicional. Aposto em temas urbanos, econômicos e geografia física. Nesta, espero que usem atualidadea para falar de fuso horário, cartografia, relevo e clima.”
 

* Estagiário sob supervisão de Jairo Macedo

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