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Correio Braziliense ENEM 2019

Como lidar com a ansiedade na reta final para o primeiro dia de Enem

Contra o branco e a má administração do tempo, técnicas de respiração e alimentação balanceada antes e durante a prova são aliados dos candidatos


postado em 21/10/2019 07:00 / atualizado em 20/10/2019 19:13

O primeiro dia de aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está chegando e, neste momento, entra em cena um dos vilões que pode colocar um ano inteiro de preparação a perder, a ansiedade. Falta de ar, taquicardia, náuseas, são alguns sintomas físicos desse transtorno. Hoje, o país lidera o ranking mundial de ansiedade, com 18,6 milhões de pessoas (9,3% da população) convivendo com o problema, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).
 
Cursinho Reciclagem Educacional: ioga e meditação para acalmar a mente dos candidatos(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Cursinho Reciclagem Educacional: ioga e meditação para acalmar a mente dos candidatos (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Há, ainda, outros problemas que podem prejudicar o desempenho do candidato ansioso. “O funcionamento cerebral fica muito prejudicado em um momento de ansiedade. Pode dar bloqueios, o famoso ‘branco’”, explica a psicóloga clínica Lídia Joffily. Outra dificuldade que ela observa é a concentração prejudicada, que leva o candidato a demorar na resolução dos exercícios. No Enem, o tempo é para lá de precioso: os candidatos dispõem de 5h30 no primeiro dia, em 3 de novembro, e 5h no segundo, em 10 de novembro. Não parece muito, se levarmos em conta que cada etapa traz 90 questões e, no primeiro dia, também a redação.

Administrar o tempo e o branco foi um problema que Leonardo Monteiro, 22 anos, enfrentou ao longo dos cinco anos em que fez o exame. “Eu me preparava o ano inteiro, chegava confiante, mas, na hora em que abria a prova, ficava nervoso e me dava um branco total”, lembra ele. “Comecei a pesquisar, assistindo a vídeos sobre como controlar a ansiedade. Então, quando bate o desespero,  tento respirar, saio da sala e tomo uma água.”

O nível de estresse pode ser grande a ponto de desencadear uma crise de ansiedade. Foi o que ocorreu com Gabriela Rosa, 18, em 2018. “O segundo dia de prova acabou para mim”. Ela, que não costuma ficar nervosa na hora da prova, descobriu que sofria do problema nesse dia. “Isso me fez pensar que, na verdade, eu ficava ansiosa e não percebia. Era uma coisa que eu tinha e não sabia.”

Respire fundo

Adriana Pacheco, 22:
Adriana Pacheco, 22: "relaxo, intercalando descanso e estudo" (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Lídia Joffily explica que, em um estado ansioso, a respiração é a primeira função a ser afetada. Por isso, recomenda treinar exercícios de respiração e meditação. Mas só vale se começar agora: a técnica só funciona se houver preparação prévia e dedicação, garante. “Na hora da prova, os estudantes não sabem como se acalmar. Então, é muito importante que a pessoa treine isso dias ou semanas antes para tentar regular bem.”

No curso Reciclagem Educacional, onde Gabriela e Leonardo estudam, os alunos encontram preparação no sentido emocional por meio de aulas de yoga e meditação, que buscam aliviar a tensão.  Camille Capibaribe, 22, aprendeu a técnica  e levou a prática para casa. “Passei a fazer meditação todos os dias de manhã, que é uma coisa que me ajuda a viver o momento presente. Também testei fazer técnicas de respiração nos simulado”, garante. “Próximo da prova, relaxo, intercalando descanso e estudo”, afirma Adriana Pacheco, 22. “Tenho desacelerado o ritmo, pois cansaço mental não me favoreceria agora”, conta Julia Moreschi, 20. 

Hoje, ferramentas on-line facilitam a vida de quem busca essas práticas de modo gratuito e prático. Lídia defende que são formas acessíveis para pessoas que não têm condições de fazer a orientação psicológica com um profissional, mas reitera que o ideal é que o aluno tenha um acompanhamento profissional e regular, que trabalhe sua ansiedade ao longo de sua preparação para o exame.

Preparação na véspera

Na reta final da preparação, Caio Silva, 23, tem pegado firme nos estudos (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Na reta final da preparação, Caio Silva, 23, tem pegado firme nos estudos (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
No momento que antecede a prova, os candidatos se dividem entre apertar o ritmo de estudo ou diminuir a frequência, a fim de relaxar e descansar para o dia da prova. Neste período, o estudante de cursinho Caio Silva, 23, está aproveitando a reta final para focar nos conteúdos que mais pesam. “Eu tenho estudado bastante neste mês. Resolvi diminuir mais essa parte de lazer e me dedicar para a reta final”, diz.

Tempo? Quase não sobra, mas o jovem luta para manter o equilíbrio. O ritmo de estudo é alto, mas Caio procura não ir além dos seus limites. “Tento não me esforçar além do que a cabeça suporta. Esse desgaste já me atrapalhou em outras provas”, afirma. Bryan Lins, 20, teve experiência parecida. “Das primeiras vezes que fiz o exame, meu problema era com o tempo.” A psicóloga Lídia Joffily aconselha que, no dia anterior à prova, o candidato tire o foco dos estudos, pois isso pode aumentar o nível de estresse. “Se o estudante tem contato com um conteúdo que não sabe, ou começa a ver que falta estudar muita coisa, ele se desespera.”

A recomendação da psicóloga é levar corpo e mente para um lado oposto à rotina: sair com os amigos, assistir a um filme e praticar esportes. “É como se você desse um recreio para o cérebro descansar e estar mais bem preparado para o dia seguinte”.

Também é importante estar atento à qualidade do sono e da alimentação. “Geralmente, eles ficam ansiosos e acabam não se alimentando bem. São dois extremos: ou comem pouco, ou comem muito e mal”, alerta. “Por isso, é muito importante a preparação semanas antes”, completa. 

O Caio, que faz o exame desde a época do ensino médio, concluído por ele em 2014, sentiu os efeitos da falta de descanso na hora da prova. “No ano passado, estudei até meia-noite do dia anterior e isso não me fez bem. Agora, vai ser o oposto. Eu quero tirar um tempo para descansar”, diz.

PALAVRA DE ESPECIALISTA

Um passo de cada vez

A ansiedade é sempre uma preocupação em relação ao futuro. O que eu recomendo é focar no que se pode fazer naquele momento. Se você vai ou não passar, é algo que não está no seu controle. Isso causa preocupação e aumenta muito a ansiedade. Tem que tentar focar em cada coisa que está acontecendo. Sente-se, olhe o ambiente, respire e foque no que você vê naquele momento: uma questão, depois outra, uma de cada vez. Parece bobeira, mas é importante que eles se concentrem naquilo que podem fazer naquele momento.

Lídia Joffily, psicóloga clínica
 
 
* Estagiária sob supervisão de Jairo Macedo 

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