Publicidade

Correio Braziliense

Professores ressaltam importância do modernismo para linguagens no Enem

Margarete Lopes e Rosimar Barbosa, do Sigma, enxergam no período uma busca pela identidade nacional e conexões entre arte visual, literatura e história


postado em 22/10/2019 18:03 / atualizado em 22/10/2019 18:31


A live desta tarde de terça-feira (22) do Especial Enem do Correio recebeu os professores Rosimar Barbosa (português e literatura) e Margarete Lopes (artes), do Sigma. Em pauta, a participação das disciplinas na prova de linguagens do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), área de conhecimento que será aplicada em 3 de novembro. No bate-papo com a apresentadora Millena Campello, eles resolveram banco de questões selecionadas de edições anteriores e ressaltaram a abordaram algumas escolas das artes visuais e literatura fundamentais para o exame, especialmente o modernismo e a arte contemporânea. 

As linguagens do Enem envolvem diversas frentes: língua portuguesa, artes, educação física, tecnologias da informação e comunicação, literatura e línguas estrangeiras (inglês ou espanhol). Para Margarete, há uma base sólida e interdisciplinar a ser trabalhada em todo esse conteúdo. “Não só a arte visual, mas também as artes cênicas, música e performance, tudo faz parte do contexto de códigos e linguagens. Elas podem estar todas inseridas em um mesmo bloco, sem uma separação muito distinta.” 

Para 2019, Rosimar Barbosa observa que a abordagem dada pelo exame, agora sob nova direção, pode variar. Os dois professores ressaltam que as mudanças possíveis estão, ainda, no campo da especulação. De todo modo, o cerne do conteúdo segue o mesmo e os alunos devem se ater a isso na preparação. “Na composição da prova, pode acontecer de evitarem alguns temas considerados polêmicos. Neste momento, os conceitos e definições serão importantes”, diz Barbosa. “A gente tem uma base do que vem sendo colocado. A tendência, em outras edições, era o Enem levar um potencial muito grande de criticidade”, completa a professora.

Desconstruções

Sobre as escolas e períodos mais recorrentes no exame, Margarete Lopes observa inserção gradual de produções de fora do país. “O Enem começou com uma abordagem, em arte visual, relativa à arte brasileira. Mas houve, ao longo do tempo, uma expansão disso, com muitos artistas e estilos internacionais.” Arte moderna e contemporânea vinham com espaço reservado nas últimas edições do exame, em função das formas de expressão que levam à criticidade, garante a professora. 

Margarete e Rosimar: foco redobrado no modernismo brasileiro(foto: Lanna Silveira/Esp. CB/D.A Press)
Margarete e Rosimar: foco redobrado no modernismo brasileiro (foto: Lanna Silveira/Esp. CB/D.A Press)

Uma questão escolhida por ela tratava de grafite e pixação, por exemplo, com obras, pintadas em muros, do brasileiro Jean Alvarenga e de Banksy, artista controverso cuja identidade real é desconhecida. Até 2018, pelo menos, era um tema que vinha bem a calhar. “Eles surgem como movimentos urbanos de contestação. A pixação é um modelo de expressão que não podemos negar. Não é reconhecido como um método de valor de arte, mas tem forte expressão. Quando ao grafite, houve um processo evolutivo de acessibilidade, formando uma arte da rua e para a rua. Considero um dos meios mais democráticos das artes visuais”, diz Margarete. “Banksy fez uma obra que se autodestruiu. É muito interessante as questões que ele vem trazendo”, exemplifica.
Em outro momento da live, ela comentou questão com obra do mineiro Paulo Nazareth, que fotografou-se em frente a um carro de feira, de onde transborda um carregamento de bananas. “Ele participa da obra, como um performer que aproveita da situação para se expressar dentro da composição. Ele não construiu o carro nem as bananas, é claro, mas descontruiu algo para construir seu objeto de arte. Será que a banana identifica algo? Tem relação com nossa identidade brasileira?”, questiona.

Modernismo 

É possível, porém, que esse teor de construção esteja em desuso para o Enem 2019, pondera Margarete Lopes. “Essa arte faz com que o observador formule conceitos. Talvez, neste momento do exame, não seja o foco. Hoje, o Enem pode retornar a estilos mais conservadores, de apreciação estética e enobrecimento de fatores nacionalistas. Isso é algo marcante no Brasil.”

O modernismo brasileiro seria, aqui, um meio-termo interessante. Para os professores do Sigma, a dica é observar as manifestações propostas pela Semana de Arte Moderna de 1922 do ponto de vista  da pintura, da literatura e da história. “Não há dicotomia entre arte visual e literatura no modernismo. Além disso, não foi uma questão, em si, política, mas cultural. Ele se deu a partir de mudança radical de conjuntura, a fim de despertar nas pessoas a realidade brasileira e buscar uma identidade nacional”, diz a professora.

“Em relação à arte da palavra, é uma escola literária que dialoga com outras e busca a nossa cara, nosso uso da fala. Usar o modernismo é uma forma de você cobrar as outras escolas também”, acrescenta Rosimar Barbosa. “O movimento nasce dos fatores políticos do século 20, bem como a industrialização e urbanização das cidades. É muito voltado para o contexto histórico, o que é uma habilidade muito cobrada no Enem.”

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade

MAIS NOTÍCIAS

publicidade
publicidade
publicidade
publicidade
publicidade
publicidade