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Correio Braziliense

DF conquista 33 medalhas em Olimpíada de Educação Financeira

Saber dar valor ao dinheiro e como gastá-lo com prudência faz parte da rotina dos alunos da Escola Classe 407 Norte


postado em 03/11/2019 08:00

Alunos da Escola Classe 407 Norte participam das Olimpíadas Brasileiras de Educação Financeira(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Alunos da Escola Classe 407 Norte participam das Olimpíadas Brasileiras de Educação Financeira (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Receita, gastos, precificação e custos. Parece assunto de gente grande, mas é uma turma bem mais jovem que está ensinando como se faz. O Distrito Federal teve 33 alunos medalhistas na etapa regional da 1ª edição das Olimpíadas Brasileiras de Educação Financeira. Desses, nove são ouro. A prova foi criada com o objetivo de promover a temática dentro das escolas, despertando o interesse de crianças e adolescentes, além de avaliar o nível de conhecimento dos estudantes que participam.

No Brasil todo, cerca de 40 mil jovens, do segundo ano do Ensino Fundamental ao terceiro ano do ensino médi,o fizeram a primeira etapa classificatória. O DF teve mais de 1,5 mil inscritos. A segunda fase definiu os campeões de cada uma das 22 unidades federativas participantes, e finalistas para a terceira e última etapa: a final nacional. Agora, eles se preparam para a prova que ocorre este mês, na Universidade de Brasília (UnB).

Das oito escolas do DF com alunos classificados, seis são públicas. Nos níveis 1 e 2, isto é, para alunos do 2º ao 5º ano do Ensino Fundamental, todos estudam na Escola Classe 407 da Asa Norte. Os pais estão cheios de orgulho, como conta a professora Poliana Araújo, 31 anos, mãe de Samuel Dias Araújo, 8 anos, que garantiu a medalha de ouro. “Estou explodindo de felicidade”, destaca.

Desde que o menino tinha 5 anos de idade, a família começou a incentivar a educação financeira em casa. “Meu esposo atua na área de economia e quis trabalhar a área dando a ele uma mesada, que é a idade dele multiplicada por 10.” Em vez de gastar o dinheiro de uma vez, o menino foi aprendendo a economizar. Depois de dois anos poupando, comprou um vídeo game. “Meu pai me ensina muito. Ele fala que têm coisas que é melhor não comprar, porque não vale a pena”, afirma Samuel.

Outros colegas dele também recebem em casa os primeiros ensinamentos sobre educação financeira. “Minha mãe trabalha em um banco e me ensinou sobre o cooperativismo. Isso quer dizer: não gastar tudo de uma vez, saber ver o que é realmente necessidade. Eu estou tentando colocar isso sempre em prática”, explica Ana Ellise Carvalho, 11 anos, também medalha de ouro do DF.

Para o próximo ano, os organizadores das olimpíadas esperam o dobro de participantes. “Educação financeira não é só para adulto”, ressalta a coordenadora regional da prova no DF. “A recomendação é que as escolas ensinem aos alunos porque isso faz com que ele se torne um cidadão mais consciente do valor do dinheiro e da realidade da educação financeira no Brasil, que está superatrasada.”

Preparo


Segundo a vice-diretora da EC 407, Gabrielle Gomes, não é de hoje que a garotada está aprendendo sobre finanças. Há pelo menos quatro anos, a escola realiza, durante um mês, uma feira especial, em que as crianças preparam as comidas com os pais, escolhem os valores em sala de aula, e depois ficam encarregados de vender tudo. O dinheiro arrecadado é usado pela direção em melhorias na instituição, como bebedouros novos e reforma do parquinho.

Quando abriram as inscrições para as olimpíadas, a direção não perdeu tempo em chamar os estudantes. “O brasileiro não tem o hábito de entender investimentos, e isso se reflete em endividamento nos lares. Às vezes, os pais não têm essa formação e a criança chega com uma mentalidade que pode mudar aquela casa”, avalia Gabrielle. A iniciativa agradou. “Estudar a parte financeira é muito importante, porque é algo que a gente usa todo dia. A criança precisa ter uma base, senão, qualquer pessoa a enrola”, avalia a administradora Aline Santos, 33 anos, mãe de Yasmin Santos,  de 11 anos. A menina conquistou medalha de prata.

Com o que viu em sala de aula, Giovanna Sebben, 11 anos, garante que não precisou estudar muito para conseguir a medalha de ouro. “Ela não tem ansiedade para gastar, é muito tranquila. No começo do ano, dei a ela um livro sobre economia voltado para crianças e ela leu rapidinho. Tem interesse nessas coisas”, orgulha-se o avô, o bancário aposentado Francisco da Silva, 57 anos.

Empreendendo


Com espírito de empreendedora, Ana Clara Rodrigues, 9 anos, foi além dos negócios da feirinha da escola e começou o próprio empreendimento: venda de trufas de chocolate. “O pai dela é matemático. Disse que não daria dinheiro a ela de graça, então ela resolveu que faria os docinhos e ele vende no trabalho dele. Nós compramos os ingredientes e ela fica com o lucro”, explica a mãe, a pedagoga Ana Cláudia Rodrigues, 41 anos.

A menina aprendeu a receita na internet há cerca de quatro meses e, desde então, faz tudo sozinha. O que ganha, vai direto para um cofre de porquinho que ainda está lacrado. “Quando abrir, quero comprar maquiagem ou algo assim, que eu gosto”, explica. A experiência nos negócios a ajudou a conquistar o segundo lugar nas olimpíadas.

Três perguntas para 

 
José Alves Dantas, professor do departamento de Ciências Contábeis e Atuariais da UnB e analista do Banco central

A partir de que idade se pode trabalhar educação financeira com crianças, nas escolas?
Não tem especificamente uma idade. É na medida em que as crianças começam a ter um pouco mais de percepção e noções mínimas de responsabilidade. A educação financeira deveria fazer parte do processo de formação das crianças. Do mesmo jeito que a gente ensina aos filhos boas maneiras, responsabilidades, a educação financeira deveria começar de forma sutil. Assim como um professor lida com a construção de valores, dentro da escola, ele também pode contribuir na medida em que dá noções de consequências e escolhas.


E em casa? O que os pais podem fazer?
A gente vive em uma sociedade de consumo e, de alguma forma, nossos posicionamentos vão influenciando a formação dos nossos filhos. Uma criança que passa por processo de educação financeira melhora a percepção dos pais. Dar mesada é um processo de educação, porque ensina as crianças a lidarem com o dinheiro. Acabou a mesada, ela precisa ter consciência de que gastou tudo antes do mês e isso terá uma consequência: aprender a dar valor ao dinheiro.


Qual a importância de ensinar conceitos de finanças para as crianças?
A criança terá consciência do que representam as demandas e os pedidos que ela tem. Se você apostar na educação financeira das crianças, isso reflete em uma geração mais responsável do ponto de vista financeiro, e que influencia os pais. É um processo que se retroalimenta. A criança aprende com os pais, mas ensina também. Vai provocar uma geração mais responsável, pensando em investimentos, e que se endivide menos.

Currículo escolar

As escolas brasileiras têm até dezembro para implementar a educação financeira em sala de aula. Uma das diretrizes da nova Base Nacional Curricular Comum determina que as escolas incorporem, aos currículos e às propostas pedagógicas, a abordagem de temas contemporâneos que afetam a vida humana em escala local, regional e global. Entre os temas, destacam-se: educação financeira e fiscal, direitos da criança e do adolescente, educação para o trânsito, educação ambiental, educação alimentar e nutricional, processo de envelhecimento, respeito e valorização do idoso, direitos humanos.

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