Como nasce uma escritora

Aos 18 anos, Ana Beatriz Brandão tem mais de dezoito histórias escritas e quatro foram publicadas. Saiba como a jovem conquistou o mercado editorial

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postado em 06/03/2018 16:18 / atualizado em 07/03/2018 14:07

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 Há quem diga que amores de infância podem ser para toda a vida. Ana Beatriz Brandão criou o hábito da leitura quando era criança por conta do bullying que sofria na escola. “ Eles me excluíam muito, meus pais me encorajaram a levar livros para não ficar só e passava o intervalo lendo”. Então, transformou esse hábito em refúgio e também o usou para conseguir superar esse trauma. Aos 12 anos, ela não tinha ideia que escrever histórias seria uma outra paixão, até a jovem ter um sonho que não saía da cabeça e resolveu colocá-lo no papel. Em 2014, um ano depois, estreava na 23° Bienal Internacional do Livro de São Paulo, com a primeira obra publicada, Sombra de um anjo

Atualmente, com apenas 18 anos, já escreveu 21 livros e quatro foram publicados. Em setembro de 2017, a jovem lançou  a obra A garota das sapatilhas brancas, que é um spin-off (enredo originado a partir de outra história) do O garoto do cachecol vermelho, também de autoria dela. As duas edições foram divulgadas pela Verus Editora. A nova trama é narrada pelo personagem Daniel Lobos, um jovem que tem uma doença degenerativa e sem cura, esclerose lateral amiotrófica (ELA). Ele dedica o tempo ajudando ao próximo, causas sociais e a música. O caminho dele se cruza com o de Melissa Azevedo, uma bailarina extremamente esnobe e preconceituosa. Ela põe à prova aquilo em que ele mais tem fé: que todos merecem uma segunda chance.

Por que você se interessou em fazer uma obra na qual aborda uma doença degenerativa do sistema nervoso (Esclerose Lateral Amiotrófica – ELA)?
Assim como todos os outros livros, queria transmitir uma mensagem para as pessoas e usá-los para conscientizar. Eu achei que seria uma boa ideia escrever sobre uma doença na obra do O garoto e da A garota, mas não queria uma enfermidade muito conhecida. Eu desejava mostrar algo diferente para os leitores, pessoas sofrem e muita gente não dá atenção por não conhecem a ELA. Então, pesquisando na internet acabei a encontrando, por ser bem desconhecida não tinha muitas informações na rede. Depois disso decidi visitar a Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica (ABRELA), localizada em São Paulo, fui lá esperando que fosse um prédio ou uma casa grande. Quando eu cheguei lá era uma sala com duas mesas para atender todos os pacientes do estado e dos arredores. Eu fiquei bem chocada e descobri que eles vivem só de doações. Acabei saindo de lá determinada a escrever sobre a doença para chamar mais futuros doadores para ABRELA, que pudessem ajudar e também acabei decidindo dar uma parte dos meus direitos autorais para eles.  

O personagem Daniel tem um bom coração e acredita que todas as pessoas merecem uma segunda chance. Qual seria a sua?
Eu acho que esse conceito pegou muito para mim enquanto estava na escola. Essa é primeira coisa que eu me lembro. Isso também vai ocorrer na faculdade quando ingressar este ano no curso de artes visuais, é o que planejo fazer. Quando mudava de colégio, conhecia novas pessoas. E sempre tentava não falar que eu era escritora porque muita gente acabava mudando o pensamento depois que revelava isso. Elas, muitas vezes, não sabiam separar o escritor de quem você é, porque esperavam certas atitudes de uma pessoa pública. A "segunda chance para mim" é ser comum de novo, poder me comportar do jeito que eu me sinto.

Quais dificuldades você já enfrentou para publicar os livros no mercado editorial brasileiro?
Inicialmente, os problemas que  tive foi para encontrar uma editora porque a literatura nacional, há quatro anos, não era  tão grande como é hoje. Eu era muito nova também, assinei meu primeiro contrato com 13 anos. Muitas editoras não queriam por esse motivo ou porque era um conteúdo nacional ou por ser a primeira obra a ser publicada. Depois das publicações, as editoras me procuraram e isso facilitou o processo.

Você acha que seu trabalho pode inspirar outros jovens que sonham em ser escritores?
Sim, com certeza. Recebo mensagens todos os dias tanto de jovens quanto de pessoas mais velhas falando que eu os motivei a começarem a escrever. Eles viram que não tem idade para seguir esse sonho. Acho isso muito importante, porque é o que eu tento passar para elas e ajudá-las com essa questão.

Que dicas você pode dar para quem está iniciando agora no mercado dos livros?
Bom, têm várias dicas que eu poderia dar. Mas, as principais são: na hora de procurar uma editora é sempre apropriado revisar o livro antes de enviá-lo, as correções nunca são demais. Depois para você escolhê-la, vai numa livraria e pega aquelas obras que mais gosta, as nacionais têm uma base melhor para ver quais  editoras publicam histórias escritas por brasileiros. Veja quais são e entre em contato com elas. Em seguida invista bastante em divulgação, principalmente nas redes sociais. Tente se manter mais próximo o possível dos leitores porque é o boca-boca que faz um escritor, sem eles a gente não é nada. E procure sempre estar mais presente, responder perguntas que fazem. Às vezes, o leitor pode até não se identificar com contexto que você escreveu ou prefere outro gênero, mas ela gosta do autor. Vai continuar lendo as obras dele, esperando que ele lance um conteúdo que ela gosta.

 
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Livro - A garota das sapatilhas brancas
Nessa narrativa o leitor poderá acompanhar a história na visão de Daniel Lobos, o garoto do cachecol vermelho. Um jovem com o coração enorme e que ama ajudar ao próximo. Ele acaba conhecendo Melissa Azevedo, uma bailarina que sonha em estudar na Julliard, uma das instituições mais renomadas de dança e artes cênicas. Ela é uma pessoa totalmente diferente de Daniel, tem atitudes mesquinhas e preconceituosas. Mas o caminho deles se cruzam e ele começa ter fé na garota, uma fé na qual ela poderá ser uma pessoa melhor e conhecer o amor. O obra também aborda outros assuntos como alcoolismo, violência contra mulher, hábitos alimentares.

 
Autora: Ana Beatriz Brandão
Editora: Verus Editora
192 Páginas
R$ 23,90

* Estagiária sob a supervisão de Ana Sá