Professor é agredido por funcionário de escola

O docente participava do ato de homologação do contrato de trabalho quando começou a briga

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postado em 07/06/2018 19:21 / atualizado em 28/09/2018 17:47

 

 

A homologação de um contrato de trabalho foi parar na 5ª Delegacia de Polícia  (Asa Norte) e resultou em uma queixa por injúria e lesão corporal recíproca. O professor de língua espanhola Cristiano Alexandre Batista acusa o advogado Paulo Victor Bezerra, funcionário do Centro de Ensino Logos, localizado em Samambaia Sul, de ter sido o autor das agressões físicas que sofreu no início da tarde desta quinta-feira. O fato ocorreu durante o ato de homologação do contrato do professor no Sindicato de Professores em Estabelecimentos de Ensino do Distrito Federal (Sinproep). Assista ao vídeo.


De acordo com Cristiano, durante a homologação, o sindicato avisou que a escola havia descontado dele três dias de falta, exatamente os dias em que ele estava de atestado médico. "As faltas que descontaram eram justificadas, havia atestado médico. E foi nessa hora que ele (Paulo Bezerra) disse que eu era um moleque, que não tinha direito a nada e começou a me agredir com socos na cara e me empurrou no chão."

Condições do docente

O professor Cristiano revelou que é um paciente transplantado há 11 anos, recebeu novos rins em dezembro de 2006 e assegura que essa agressão poderia ter colocado sua vida em risco, já que toma remédios para evitar a rejeição do órgão. "Por pouco os chutes que recebi não pegaram no local da cirurgia. Fiz um transplante de rim e poderia estar correndo risco de vida." Segundo ele, nos dias que a escola descontou as faltas, estava doente com diarreia aguda, infecção no ouvido e na garganta. Para um paciente transplantado, conforme enfatizou, poderia se tornar uma infecção generalizada, e, por essa razão, teve de ficar de repouso. "Essa infecção poderia fazer com que o órgão transplantado fosse rejeitado."

 

O professor também denunciou que a escola tem péssima relação com os alunos e professores. Relata que a instituição proíbe qualquer tipo de relacionamento entre os professores e dos docentes com os alunos, não podendo se falar ou se adicionar em redes sociais. "O tratamento que eles dão aos professores é arcaico e equivocado. Não podemos nos falar, adicionar outros professores e alunos em redes sociais, não podemos ter uma relação com os alunos. É difícil trabalhar em uma instituição que reprime os professores, nos tratando com frieza." Também comentou que outros professores pediram demissão este ano e que a escola tem histórico de não aceitar atestado dos docentes, inclusive, existe uma ação contra a unidade de ensino no Ministério do Trabalho justamente por essa razão.

Denúncia da agressão

 

 

O Sinproep divulgou um vídeo com imgans da câmara de vigilância que mostra o momento exato da agressão. O professor Cristiano, acompanhado do advogado, Matheus Sanches Salles, prestou queixa na 5ª Delegacia de Polícia (DP), na 901 Norte. Após a agressão, a vítima foi conduzida a 5ª Delegacia de Polícia, onde registrou boletim de ocorrência e foi encaminhado para o Instituito Médico Legal (IML) para fazer exame de corpo e delito. Em seguida o professor de espanhol seguiu para o Instituto Hospital de Base (IHB) checar se as agressões causaram dados ao transplante. “Agora eu vou recorrer à Justiça para exigir meus direitos, não quero nada além disso.”

 

Sobre o caso, o professor mostra sua indignação. "Lamentável, agindo de maneira retrógrada. Não é jeito de se tratar um profissional. Estudamos e nos preparamos muito para oferecer o melhor aos alunos e a empresa nos trata como bonecos, como se tivessemos que fazer o que eles querem. Não valorizam a nossa profissão e a vida".

 
Por e-mail, o Centro de Ensino Logos negou as agressões contra o docente: "O Centro de Ensino LOGOS, em nome do seu corpo diretivo, ressalta que os fatos mencionados na presente matéria pelo seu ex-colaborador não condizem com a verdade, tendo em vista que trata-se de uma instituição que atua no ramo educacional há 28 anos e sempre zelou, cuidou e cumpriu com todas as suas obrigações." A instituição também afirma que sempre cumpriu rigorosamente com todos os direitos cabíveis em relação aos seus colaboradores, pagando os tributos, impostos e outros concerctários alegados pelos professor, declarando ainda que "não passam de meras falácias".

O centro de ensino também frisou que "em momento nenhum o ex-colaborador foi demitido estando de atestado médico, mais uma vez trata-se de meras falácias por parte do professor. Portanto, a postura do preposto da instituição foi apenas se defender da fúria e palavras de baixo calão proferidas pelo professor, direcionadas ao preposto da instituição". E complementou dizendo que o agressor foi o docente Cristiano e não o sócio e advogado Paulo. "O Centro de Ensino Logos ressalta que o agressor não foi o preposto da instituição, na realidade o preposto da instituição foi agredido e insultado pelo professor. Em relação a agressão vale dizer que quem foi agredido foi o preposto da instituição pelo professor acima mencionado e que ao seu tempo a verdade será demonstrada".

A Divisão de Comunicação da Polícia Civil do Distrito Federal (Divicom/PCDF) confirmou a queixa por injúria e lesão corporal recíproca feita no início desta tarde pelo docente Cristiano Alexandre Batista. Também informa que o caso está sob investigação e que "Os envolvidos com lesões aparentes foram encaminhados ao IML/PCDF para a realização do Exame de Corpo de Delito. Ambos firmaram Termos de Representação/Requerimento e, após assinarem os Termos de Compromisso e Comparecimento, foram imediatamente liberados".

 

*Estagiária sob supervisão de Ana Sá