Habilidades socioemocionais em foco

Tema é discutido neste sábado em evento no Rio de Janeiro, promovido pela Laboratório Inteligência de Vida (LIV)

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postado em 25/08/2018 18:27 / atualizado em 25/08/2018 18:57

Thays Martins/Esp.CB/D.A Press

 

 

O tema da vez é Habilidades socioemocionais. Desde a aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que trouxe o assunto à tona, a discussão na escola tem se tornado cada vez mais importante. Por causa disso, o 2° Congresso LIV socioemocional reuniu mais de 700 pessoas interessadas em debater o tema na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, neste sábado (25).

O evento, promovido pelo Laboratório Inteligência de Vida (LIV), programa  de habilidades socioemocionais do grupo Eleva Educação, reuniu comunidade acadêmica, especialistas e interessados em educação para palestras com a socióloga Lourdes Atié, o pedagogo Lino de Macedo, o pediatra Daniel Becker e o psicólogo da Universidade de Harvard Howard Gardner.

Lourdes Atié, que trabalha com formação de professores em todo o Brasil, destacou que a aprovação da BNCC é uma grande chance de transformar a educação brasileira. "Não podemos mais fazer a escola do século 19, que é só: "eu falo e você escuta". A escola do século 21 não é a preocupada com o ranking, mas aquela que valoriza o aluno", afirmou.

Para ela, esse processo de transformação é complexo: "Para todo mundo, a educação é importantíssima e a solução é muito simples, mas aí fica claro que quem está falando não conhece a escola. Ser professor é só para os fortes", destacou. Apesar disso, o começo para mudar a realidade educacional, de acordo com Lourdes, são as habilidades socioemocionais. "Temos que parar de achar que as habilidades cognitivas e emocionais são coisas separadas, porque a questão emocional afeta a forma de aprender", colocou.


Mas o que são essas habilidades? 


A BNCC requer que as escolas trabalhem a formação de competências, como autoconhecimento e criatividade, o que são tidas como habilidades socioemocionais. Lino de Macedo, professor na Universidade de São Paulo (USP),  explicou que essas competências são uma forma de inteligência. “Elas são "sócio" porque têm a ver com relações humanas. E todos somos dependentes de outros seres humanos para viver”, frisou. De acordo com ele, trabalhar essas  habilidades  nas crianças é uma forma de fazer com que elas tenham autonomia. "Para uma criança pequena, se o pai é bruto com ela, ela fez algo errado. Ela não pensa que pode ter outras variáveis. Isso porque ela nasce como parte do  corpo da mãe. Então, ela precisa ir ganhando identidade", explica.

O pesquisador da Universidade de Harvard Howard Gardner destacou que investir nessas habilidades é abrir portas para que o potencial humano seja melhor aproveitado, mas que ensinar essas competências é um desafio para a sociedade como um todo. “Crianças observam o que os adultos fazem e aprendem com isso. Não adianta falar para ela que usar muito o celular faz mal se você está usando o celular”, exemplifica.

Dessa forma, os especialistas destacaram que  a escola e os pais precisam trabalhar de forma a  desenvolver essas habilidades. Para isso o primeiro passo seria mostrar que ter sentimentos não é algo ruim. “Não existem sentimentos bons e ruins -- quando classificamos assim, eles pensam que não é permitido sentir ciúmes, arrependimento, raiva”, destaca Caio Lo Bianco, representante da Eleva Educação. 



*A estagiária, sob supervisão de Ana Sá, viajou a convite da Eleva Educação