Livro causa discórdia e é proibido

Colégio veta a leitura da publicação, ambientada na Ditadura Militar

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postado em 04/10/2018 16:25

A retirada do livro Meninos Sem Pátria, de Luiz Puntel, da lista de leitura do Colégio Santo Agostinho, escola católica no Rio de Janeiro, gerou polêmica entre pais, professores e alunos. A história, ambientada na Ditadura Militar, é sobre a experiência de viver a infância e a adolescência longe de casa. Os pais contrários à publicação acusam a escola de pregar “ideologia comunista em sala de aula”. Os que são a favor reclamam de “censura”.
 
Editora/VagaLume
 

Os alunos do sexto ano, crianças de 11 e 12 anos, deveriam ler a obra no quarto bimestre. O livro, escrito em 1981, conta a história de uma família que deixa o Brasil após a invasão da redação do jornal em que o pai trabalha. Eles recebem ameaças e partem para o exílio.

O entreveiro sobre a publicação começou com um post numa rede social. “O livro critica governos militares, enaltecendo a ótica de esquerda”, acusa o texto. Ontem, a escola comunicou aos pais a suspensão da leitura da publicação. O Correio tentou contato com a direção do colégio, mas, até o fechamento desta edição, não obteve resposta.

Para a professora de direito da UnB Simone Rodrigues Pinto, especialista em ditadura, a solução do embate vem do diálogo. “Estamos num período de polarização. Sempre que isso acontece, se cria um movimento autoritário na sociedade. Isso gera uma censura”, avalia. “É uma linha tênue difícil de ser traçada, mas que só existe com diálogo e debate. O colégio, em sua decisão, deve levar em consideração seu público, mas também o respeito à liberdade e aos direitos humanos.” (OA)
 
  
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