BNCC do ensino médio é homologada pelo MEC

Documento norteará os currículos das escolas públicas e particulares de todo o país. Segundo o ministro da educação, em 2021 as mudanças já devem está sendo implementadas

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postado em 14/12/2018 19:37 / atualizado em 15/12/2018 15:17

Na tarde desta sexta-feira, o ministro da Educação, Rossieli Soares homologou a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – Etapa ensino médio. A solenidade encerra um longo caminho que teve início há mais de três anos com as discussões do projeto, marcada por muita polêmica. 
 
Agora as escolas terão que estabelecer o cronograma de implementação para que as mudanças estejam em vigor a partir de 2021. Segundo o ministro, esse é um importante passo na melhoria da educação no país. “O Brasil está definindo pela primeira  vez onde cada aluno precisa chegar em cada um dos anos. Isso é fundamental porque se não soubermos onde queremos chegar não chegaremos a lugar algum”,  afirmou. 
 
“A etapa agora é de discussão com as escolas. Temos recursos deixados para que os estados com os professores discutam a construção curricular. Para que já em 2021 tenhamos materiais alinhados, tenhamos um novo Enem e muitas escolas trabalhando com o novo ensino médio”, completou o ministro. 
 
 
Thays Martins/Esp.CB/D.A Press
A base estabelece os conteúdos mínimos a serem ensinados em todas as escolas públicas e particulares. Antes, não havia nenhum documento que estabelecesse qual deveria ser o currículo obrigatório. “De fato, o ensino médio precisa de socorro. Há muitos jovens fora da escola e temos evoluído pouco. A proficiência média é  inferior ao resultado de 20 anos atrás e já não éramos uma maravilha. Desde 2011, não atingimos a meta do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), estamos cada vez mais longe do que desejamos. A BNCC é  um esforço analisado, planejado, criativo de inovar para que possamos ter um ensino médio que reaja e atenda a necessidade do jovem no país. E ela de fato puxa o nosso tapete, porque exige respostas novas”, enfatizou  a secretaria de educação básica do MEC, Kátia Smole. 

Base é aprovada apesar de controvérsias 


A grande polêmica do documento é que somente português e matemática passarão a ser obrigatórias em  todo o ensino médio. Os outros conteúdos farão parte dos chamados itinerários formativos e cada estado poderá fazer sua formulação. A aprovação do projeto ocorreu no início de dezembro, depois de audiências públicas em todas as regiões do Brasil.  De acordo com o Conselho Nacional de Educação (CNE), foram 4 mil propostas incorporadas ao documento.  Segundo o presidente do CNE, Luiz Roberto Liza Curi, apesar de muitas dissonâncias, foi muito importante ouvir a sociedade nesse processo.  “Não foi fácil juntarmos a sociedade. Não foi uma escuta pacífica, mas é assim mesmo. O CNE é um espaço de interação com a sociedade”, afirmou. 

“A BNCC era o grande desafio e a grande necessidade. O país devia isso aos professores e aos jovens. A base não é deste governo, ela é uma política de Estado, então o país tem que comemorar”, enfatizou a secretaria de educação básica do MEC, Kátia Smole. “Talvez não seja perfeito, mas é um texto robusto e terá o tempo para revisão. Há ainda muito trabalho a ser feito. Já passou da hora do jovem poder escolher o que ele também quer aprender. Há coisas que todos precisam aprender e há outras que vamos aprofundar”, completou.
 
 
Thays Martins/Esp.CB/D.A Press
 
Isso porque a base não é um currículo e sim um norteamento para que estados e municípios criem os seus próprios currículos. “Agora, ela diz claramente o que se espera que o aluno aprenda na educação básica”, explica Kátia Smole. “Tem de haver um  regime de colaboração com os estados e municípios sobre aquilo que mais interessa, que é a aprendizagem das nossas crianças. Agora é um momento que a sociedade precisa tomar a liderança para implementar com os professores. O papel dos secretários é fundamental para que possamos avançar”, completou o ministro. 

Em 2017, foi aprovada a BNCC para o ensino infantil e fundamental, que está em fase de implementação pelas escolas. “A equipe do MEC decidiu que a etapa do ensino médio precisava de mais discussão, por isso ela foi adiada”, explicou Kátia Smole. “Essa é a unificação da BNCC. O que sempre falamos é que não são duas bases, ela é um documento só”, ressaltou o ministro. 

Na ocasião, o ministro Rossieli também fez a entrega da Base Comum de Formação de professores ao CNE. 

Desafios futuros 


Para implementar a base, Kátia Smole explica que o MEC dará alguns apoios aos estados e municípios, como o Programa de Apoio ao Novo Ensino Médio, o Guia de Implementação, o Portal do Novo Ensino Médio, o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) e o Programa de Apoio à Implementação da Base Nacional Comum Curricular (ProBNCC). 


Emocionado, o ministro Rossieli  fez uma pré despedida do governo agradecendo o apoio da família e equipe. Sobre o novo governo, disse acreditar que eles estarão empenhados em prover uma educação de qualidade. “Estamos vivendo um momento de transição. Temos tido todas as interlocuções possíveis, passando todas as informações. Está na hora cada vez mais do Brasil se unir em torna daquilo que se interessa. Tenho confiança que o futuro governo vai continuar nessa linha. Não precisa ter outra ideologia que não a da  aprendizagem”, afirmou. “Temos mostrado tudo que tem funcionado, os desafios. O Novo Enem será construído pelo novo governo. O próprio presidente votou a favor da reforma. Acho que o que está dando certo tem que continuar, aquilo que não estiver o próprio governo tem que revisar”, completou. 

A partir de janeiro, Rossieli Soares assumirá o cargo de secretário de educação do estado de São Paulo. 


 
 

*Estagiária sob supervisão de Ana Sá