Abandono escolar e reprovação preocupam especialistas e governo

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postado em 31/01/2019 13:34 / atualizado em 31/01/2019 13:58

Ao divulgar o novo Censo Escolar da Educação Básica, o alto escalão do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) traçou o perfil do ensino e destacou desafios do setor, como o acesso à creches. Após a divulgação dos dados, o Ministério da Educação (MEC) prevê alterações e ajustes de políticas públicas para o ensino. No último ano, houve menos matrículas no ensino básico, conforme a pesquisa divulgada nesta quinta-feira (31). 
 
O diretor de Estatísticas Educacionais do Inep, Carlos Eduardo Moreno Sampaio, explicou que todas as escolas brasileiras são cadastradas para traçar um perfil das condições de oferta educacional. O mesmo ocorre com os professores. 

“Conseguimos avaliar as condições das escolas, as taxas de aprovação, reprovação e abandono escolar. Além disso, medimos a formação dos professores, para saber qual disciplina ele leciona e se está capacitado para isso. Sabemos onde se formou e quando, por exemplo”, acrescentou, ao frisar que o Censo Escolar é importante para traçar políticas públicas pelo setor. 
 
 
Reprodução

Desafio de cumprir o PNE

Uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE) é que pelo menos 50% das crianças de 0 a 3 anos sejam atendidas por instituições educacionais — o que é um desafio, já que nesse recorte, apenas cerca de 32% são atendidas. Outra meta é que 100% das crianças entre 4 e 5 anos sejam atendidas. “(A educação infantil) é uma etapa que é de responsabilidade dos municípios e que tem uma presença muito forte da iniciativa privada”, ponderou Carlos Eduardo Moreno Sampaoi. 

Para Carlos, há um desequilíbrio entre a oferta de ensino entre os anos iniciais e a parte final dos estudos. “Diferentemente dos anos iniciais, os finais são compartilhados entres os estados e os municípios. Os alunos dos anos iniciais, ao concluírem a etapa, mudam de escola e de rede. De forma pedagógica, isso traz impactos para a formação”, destaca. 

Reprovação e distorção idade-série 

Ele observa que a taxa de reprovação é grande. “É um resultado alto e preocupante. As escolas sabem desse problema”, criticou. O índice de distorção idade-série (quando o aluno não está na idade e na fase corretas) alcança 11,2% das matrículas nos anos iniciais do ensino fundamental, 24,7% nos anos finais e 28,2% no ensino médio. 

Umas das tendências percebidas pelo Inep é o abandono de jovens no ensino médio e uma migração para a educação de jovens e adultos (EJA). Esses estudantes têm histórico de reprovação. Nos anos iniciais do EJA, a população é adulta, na faixa entre 25 e 30 anos. Já nos anos finais, a faixa etária cai para 19 anos. “Isso mostra que o estudante está de alguma forma procurando concluir os estudos”, ressalta. 

Desafios

O secretário Executivo do Ministério da Educação, Luiz Antônio Tozzi, destacou que a queda no número de matrículas tem início na educação básica inicial. “O ensino médio é um conjunto de reflexos. Ele é o resultado do problema. Temos uma grande dificuldade na alfabetização e na educação inicial”, justificou. Tozzi explicou que a situação se agrava sobretudo por as crianças não saberem ler e, assim, reprovarem. 

Depois, a mudança de escola no começo do ensino fundamental prejudica a continuidade dos estudos. “O aluno vem carregando deficiências que os professores estavam trabalhando. Quando ele muda de condições, perde o esteio e reprova. A repetência sempre ocorre nos anos iniciais. Isso acontece porque o sistema é descontinuado”, analisa. 

Ele defendeu que as famílias seja incluídas no processo de ensino e defende a educação domiciliar. “A educação em casa complementa o processo. O menino ir à escola está na lei. Os pais devem participar da formação de seus filhos. Muitos estão capacitados. Quem é contra ler para o filho? Isso que queremos fortalecer”, diz, ao ressaltar que, na proposta do governo federal, a matrícula continua sendo obrigatória