Comemorando 40 anos, sindicato dos professores do DF faz reivindicações

Aulas em escolas públicas do DF foram canceladas. A organização estima que aproximadamente 3 mil professores compareceram ao local

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postado em 14/03/2019 11:13 / atualizado em 14/03/2019 13:48

Arthur Menescal/Esp CB/D.A Press
 
Um vídeo com a síntese da história de luta, conquistas, mobilizações e momentos considerados de retrocessos abriu a programação da assembleia geral do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), na manhã desta quinta-feira (14/3). Aproximadamente 2 mil professores acompanharam a exibição no telão instalado no estacionamento do Estádio Mané Garrincha. O sindicato estima que, no momento mais cheio, a assembleia reuniu 10 mil pessoas. O cálculo da entidade é de que 90% das escolas públicas tenham tido atividades paralisadas totalmente; e o restante teve atividades parcialmente interrompidas.
 
Esta é a primeira assembleia geral do ano, em ocasião que marca os 40 anos de criação do sindicato e servirá para organizar o calendário com as reivindicações da categoria, que somam mais de 140 pontos. Na próxima segunda-feira (18/3), o Sinpro se reúne com parlamentares na Câmara Legislativa e pretende levar as propostas e exigências estabelecidas durante a assembleia, voltadas ao cumprimentos das 21 metas do Plano Distrital de Educação. 

Entre os itens econômicos da pauta de reivindicação está o reajuste salarial, que há quatro anos não é feito, pagamento da última parcela do Plano de Carreira, o aumento do vale-alimentação e a garantia de plano de saúde. Os docentes pedem, ainda, a contratação de novos servidores. Quanto aos recursos físicos, está na pauta a demanda pela construção de creches e escolas. 


  
A categoria reivindica também que os repasses do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (Pdaf) sejam regularizados. Antes dos informes gerais, lideranças sindicais aproveitaram o momento para prestar homenagens a nomes importantes que defendem as pautas educacionais.

Fale, professor 

Cleber Ribeiro Soares, professor de séries iniciais e filosofia da regional de ensino do Gama e diretor de Comunicação do Sinpro, destaca que a categoria tem muitas pautas a cobrar. “Discutimos itens da campanha salarial com o governo desde o início do ano, especialmente o cumprimento da meta 17, para que os professores recebam a média do salário de todas as categorias com a mesma formação”, explica. “Hoje, somos a penúltima categoria em termos de salário apesar da nossa formação. Sendo que 98% da categoria tem nível superior e 70%, especialização”, observa.
 
A pauta inclui também os aposentados. “Quem se aposentou desde 7 de julho de 2016 nunca recebeu a pecúnia com relação às licenças-prêmio não gozadas. O compromisso firmado pelo governador do DF, Ibaneis Rocha, é de quitar a pecúnia de quem se aposentou em 2016 em até 90 dias. Para os que se aposentaram em 2017 e em 2018, ainda não recebemos proposta”, conta. Esses e outros assuntos serão discutidos em mesa de negociação permanente, que será um GT (grupo de trabalho), composto por membros do Sinpro, da Casa Civil e da Secretaria de Educação.

Cleber observa que outra pauta importante para o grupo é o posicionamento contra a reforma da previdência. “Ela atinge de forma brutal nossa categoria, que é majoritariamente feminina”, aponta. Todos esses pontos devem voltar a ser discutidos na próxima assembleia-geral da categoria, marcada para 11 de junho. No entanto, passeatas, paralisações e outras mobilizações podem ser convocadas a depender do desenrolar das negociações do GT antes dessa data.
 
“Deve ficar claro para o governo que ele não deve enrolar com relação ao que se comprometeu a apresentar. Por isso, estamos com assembleia marcada só para junho, mas já com a perspectiva de que teremos de chamar a categoria antes disso. Passeata, redução de atividades e até paralisação poderiam ocorrer”, diz.
 
“Se o processo estiver caminhando bem e, em até 90 dias, for apresentada efetivamente uma proposta, aí provavelmente não vai ter nenhuma paralisação. Já, se o governo não cumprir a parte dele de aprofundar a negociação de fato, se demonstrar que vai enrolar, aí a gente não vai ter outra alternativa”, afirma.

Homenagens 

Um minuto de silêncio foi feito em respeito à vereadora Marielle Franco e ao motorista Anderson Pedro Gomes, assassinados um ano atrás. Em discurso, a coordenadora da Secretaria de Mulheres do Sinpro, Vilmara Pereira do Carmo, frisou o atentado em Suzano e atribuiu a responsabilidade da tragédia, que deixou 10 mortos e dezenas de feridos, à “cultura do ódio que está sendo estimulada no nosso país”. 

Um post feito nas redes sociais pela primeira vítima dos dois atiradores que abriram fogo na Escola Estadual Raul Brasil, a coordenadora Marilena Ferreira Umezu, foi repetido por todo o público que acompanhava a assembleia: “Somos a favor do porte de livros, pois a melhor arma para salvar o cidadão é a educação”. Uma chamada com o nome de todos os mortos também foi feita. Os professores responderam "presente".
 
Em coro, os servidores gritaram “Livros sim, armas não” e, assim, votaram posicionamento contrário à militarização das escolas. Foi aprovado, ainda, o calendário de mobilização contra a reforma da previdência. Em consonância com essa deliberação, a categoria não fixou uma data específica para paralisação geral, podendo esta acontecer a qualquer momento, quando forem chamados pelas centrais.
 
Em 22 de março, ocorrerá uma mobilização geral da categoria contra a reforma da previdência. A organização do sindicato esclarece que a intenção não é paralisar atividades nesse dia, mas, sim, promover debates nas escolas. Na data, trios elétricos e passeatas devem ser feitas em frente a escolas, em todo o Distrito Federal.