Parceria entre Ibram e secretaria levará educação ambiental a escolas do DF

Focada em educação ambiental, a parceria do Ibram com a Secretaria de Educação vai funcionar no Centro de Práticas Sustentáveis. O público-alvo são os alunos, professores e pais da primeira escola pública do Jardins Mangueiral

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postado em 30/03/2019 07:00 / atualizado em 30/03/2019 14:10

Ed Alves/CB/D.A Press
O projeto para a primeira instituição de ensino do Jardins Mangueiral está em fase de elaboração e deverá fugir aos padrões. Uma parceria entre a Secretaria de Educação e o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) prevê a criação de uma comunidade de aprendizagem (CAP) que funcionará no Centro de Práticas Sustentáveis (CPS), localizado à margem da DF-001. Nesta semana, as entidades fizeram a primeira reunião para discutir o assunto e esperam que em agosto possam receber os estudantes.

A ideia é oferecer um modelo de educação em que os alunos estejam diariamente em contato com a comunidade trabalhando na prática as disciplinas do currículo determinado pelo Ministério da Educação. Ainda será decidido a faixa etária dos estudantes atendidos. Ibram, secretaria e a Administração Regional do Jardim Botânico vão conversar com a população para explicar a proposta e convidar os interessados a matricular os filhos.

Para o presidente do Ibram, Edson Duarte, a novidade é uma realização. “É mais uma alternativa moderna, inovadora e sustentável envolvendo educação e meio ambiente”, destaca. “A CAP não segue a estrutura da escola convencional que nós conhecemos. Ela tem uma dinâmica com atividades em sala, mas muitas em campo e de integração. As pessoas aprendem vendo e interagindo”, conclui.

Ele defende que várias noções de aprendizagem se dão interagindo com a comunidade. “O centro seria a base de referência para atividade teórica, mas não se restringe às quatro paredes nem aos professores convencionais”. Pais, administradores e empresários poderão contribuir para o ensino. Há 22.107 estudantes no Jardim Mangueiral, que precisam se deslocar para escolas em São Sebastião, segundo a Secretaria de Educação.

“A comunidade está muito empolgada. Faremos reuniões para que todos conheçam o projeto até porque, às vezes, os pais têm certa resistência”, pondera o administrador do Jardim Botânico, João Carlos Lóssio. Em maio do ano passado, o DF ganhou a primeira CAP, no Paranoá. A unidade atende mais de 500 alunos, da educação infantil ao 3º ano do ensino fundamental, divididos em dois turnos.

No modelo idealizado pelo educador português José Pacheco, as crianças não são separadas por turmas de acordo com a idade. Os mais novos e os mais velhos aprendem juntos. O prédio tampouco tem salas separadas por paredes e quem escolhe o que vai ser ensinado são as próprias crianças, por meio de projetos com assuntos de interesse delas.


Compensação

O espaço onde está o CPS foi erguido como forma de compensação ambiental pela construção do bairro que hoje abriga cerca de 27 mil habitantes. No lote de 10 mil m², há construções de bambu e madeira de reflorestamento. A arquitetura do ambiente permite ventilação cruzada, dispensando o uso de ar-condicionado. Há ainda um sistema de captação da água da chuva e todo o rejeito de esgoto é tratado e reaproveitado nas plantas.

O CPS recebe feiras agroecológicas com produtores locais e o Ibram faz rodas de conversas e parcerias com Embrapa e Emater. Uma delas, é trabalhada na horta do centro, onde estão plantadas diversas espécies de plantas alimentícias não convencionais, como a capuchinha e a azedinha. Raoni Costa, técnico de atividades em meio ambiente ministra oficinas sobre as plantas. “Produtores locais vêm aqui, conhecem as plantas, aprendem a cultivá-las e podem levar mudas”, explica.

Confira os números da comunidade escolar do Jardim Mangueiral:


» Crianças em creches: 2.505
» Alunos de ensino fundamental: 14.190
» Estudantes de ensino médio: 3.614
» Alunos da Educação de Jovens e Adultos: 1.674
» Atendidos pela Educação Especial: 124